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Suco de laranja cai 1,02% nos primeiro oito meses do ano-safra

Data25 março 2022

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Estados Unidos recuam 3% em relação à safra passada enquanto China “dispara” 60% no mesmo período

Os embarques totais de suco de laranja brasileiro (FCOJ Equivalente a 66º Brix), no período de julho a fevereiro, que marca os primeiros oito primeiros meses da safra 2021/2022, fechou com um volume total de 658.448 toneladas. O número representa uma leve queda de 1,02% em relação ao mesmo período da safra passada, quando foram exportadas 665.220 toneladas. Já em faturamento, as exportações somaram US$ 1,067 bilhão no período, volume 9,24% acima da receita de US$ 976,8 milhões registrada entre julho e fevereiro de 2020. Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e compilados pela CitrusBR. O resultado está em linha com divulgação realizada pela CitrusBR em fevereiro passado em que apontava dificuldade do setor em atender à demanda internacional devido aos efeitos das secas e geadas.

Os dados das exportações mostram um cenário de perda de espaço do suco brasileiro no mercado americano. Os embarques registraram queda de 3% com volume de 131.732 toneladas, enquanto no mesmo período na safra 2020/2021 o volume era de 135.817 toneladas. Em receita, as exportações somaram US$ 227 milhões, alta de 12.65% ante os US$ 201,5 milhões registrados na safra passada. “Os dados nos mostram como nos últimos anos o suco de laranja brasileiro tem perdido competitividade no mercado americano”, analisa o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto. Entre as principais razões para a perda de espaço naquele mercado está a concorrência do suco do México que acessa aquele país isento de tarifa, enquanto o Brasil paga uma taxa de US$ 415 a tonelada.

 PRINCIPAIS DESTINOS

Entre os diferentes destinos a Europa continua a ser o principal mercado das exportações brasileiras, com uma participação de 63,32%, seguida de Estados Unidos (20,03%), China (7,87%), Japão (4,60%),e Austrália (1,15%). Outros destinos representam 2,45%.

MERCADOS

Para a Europa as exportações totalizaram 416.070 toneladas, uma alta de 0,88% em relação às 412.439 toneladas embarcadas no mesmo período na safra 2020/2021. Em faturamento, os embarques somaram US$ 682,1 milhões, valor 11,33% maior em relação aos US$ 612,7 milhões registrados no mesmo período da safra passada.

Os embarques de suco de laranja para o Japão registraram queda de 1,05% nos oito primeiros meses da safra 2021/2022, com um volume de 30.233 toneladas. No mesmo período da safra passada, os embarques foram de 30.555 toneladas. O faturamento cresceu 15,87%, com US$ 49,4 milhões ante os US$ 42,6 milhões da safra passada.

Já a China importou de julho a fevereiro da safra 2021/2022 o total de 51.697 toneladas, volume 60% maior do que o registrado no período na safra 2020/2021 com embarques de 32.310 toneladas. Em faturamento, houve crescimento de 57,17%, com US$ 61,3 milhões ante os US$ 39 milhões faturados na safra anterior. “Aos poucos o mercado Chinês parece estar amadurecendo e o consumo de suco de laranja passa a ganhar fôlego de forma bastante orgânica”, diz Netto.

“IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO” AINDA GERA DESCONFORTO

As operações de suco de laranja continuam a ser impactadas pela cobrança de uma espécie de imposto de exportação decorrente da interpretação equivocada da Solução de Consulta n.º 2 de 2019 da Receita Federal do Brasil. Essa “regra”, que tem sido aplicada desde abril de 2019, permite a cobrança de 34% imposto de renda de pessoa jurídica (IRPJ) sobre tarifas pagas a governos estrangeiros a título de imposto de importação. “Essa inovação é bastante prejudicial porque mina a competitividade do setor exportador de suco de laranja, bem como sua capacidade de investimento no médio prazo caso a situação não seja solucionada”, explica Netto. “O avanço do México no mercado americano é um bom exemplo”, diz. “Enquanto eles são isentos de qualquer cobrança, o produto brasileiro paga US$ 415,85 por tonelada de FCOJ”, explica. Segundo o diretor-executivo, ao ser adicionado o novo imposto criado pela interpretação equivocada da Solução de Consulta N.º 2/19 da RFB, adicionam-se mais US$ 141,40 no caso dos EUA e o total chega a US$ 557,25 por tonelada. “Isso praticamente inviabiliza aquele mercado e o entrega de bandeja para os mexicanos”, comenta.

O assunto tem sido tratado no âmbito do Congresso Nacional, com a tramitação de um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 355/20 de autoria do deputado Alceu Moreira (MBD-RS) que susta a Solução de Consulta nº 2 da Cosit que deu origem à polêmica. “Isso não resolve o passivo criado até agora, mas impede que o passivo continue a se acumular”, explica Netto. O deputado Pedro Lupion (DEM-PR), relator do PDL da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), fez a leitura do relatório pela aprovação do texto. “O que parece é que se cria um imposto de exportação disfarçado de Imposto de Renda. A decisão cria gave impacto econômico para as empresas, afetando investimentos, competitividade e o futuro do negócio”, afirmou em seu relatório lido na CCJ. A matéria deve ser votada tão logo os trabalhos das comissões sejam retomados, provavelmente em Abril.

Segundo o diretor-executivo, a RFB tem tratado o assunto com bastante atenção. “Tivemos uma série de encontros muito produtiva e está claro que comungamos dos mesmos princípios e entendimentos, porém, existe um desafio grande para que esse entendimento, que leva em consideração o princípio do bem público, encontre uma saída técnica adequada e que sirva para equacionar não apenas as exportações para Estados Unidos e Europa, mas para outros mercados como a China que apresenta grande crescimento”, avalia.

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