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MANGA E O MERCADO EXTERIOR

O Brasil é um dos maiores produtores de manga do mundo. Com bases nas informações da FAO, o País, atualmente, ocupa a nona posição com uma participação de 3% da produção mundial. Sendo que por ano, a produção nacional chega a ser de mais 1,4 milhão de toneladas da fruta. Já a Índia, por exemplo, cultiva mais de 18 milhões de toneladas, o que representa quase 40% da produção anual mundial.

A competitividade no comércio exterior é acirrada, a fruta brasileira entra numa janela de mercado, no fim da safra do México, início da safra do Equador, plena safra de Israel e de Porto Rico.

A manga é a fruta mais exportada pelo Brasil. A região do Vale do Rio São Francisco é o principal polo frutícola do País, em especial de mangas das variedades Tommy Atkins, Kent, Palmer e Keitt. O Sertão do São Francisco, responsável por 86% de toda a exportação nacional.

O País exportou 163.758 toneladas, no período entre janeiro e outubro de 2020. O embarque da fruta foi recorde em 2019, com o envio de 221,913 mil toneladas, significando alta de 30% em relação ao volume do ano anterior. O valor também cresceu 27,26%, com o total de US$ 227,573 milhões em 2019, segundo o sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O resultado das exportações também já havia sido o maior de todos em 2017.

“O Brasil conseguiu manter um bom ritmo de produção da fruta por dificuldades encontradas em outros países concorrentes para produzir, que abriram janelas para o nosso mercado, assim como pelo aumento da demanda que ocorreu nos países compradores, que consumiram mais fruta. O Brasil já faz algum tempo que vem sendo competitivo via cambio. A manga brasileira possui um custo de produção muito mais alto do que o de outros países concorrentes, mas a possibilidade de produzir durante todos os meses do ano e o câmbio favorecem as exportações ”, explica o doutor em Economia Aplicada e pesquisador da Embrapa Semiárido, João Ricardo Lima.

A manga no Brasil tem o mercado interno como a principal fonte de escoamento da produção. Entretanto, as exportações da fruta estão ganhando cada vez mais espaço.

No início da pandemia, em 2020, havia temores de que a queda na renda a nível mundial impactasse na demanda, visto que não é considerada essencial e nem figura entre as mais baratas nestes locais. A manga é uma fruta comercializada prioritariamente no mercado varejista, que teve menos impactos do que o segmento de hotéis e frutas processadas. Assim, o cenário de boas exportações, principalmente no primeiro semestre, contribuiu para preços satisfatórios no mercado interno, mesmo com menos procura pelos brasileiros.

Os principais compradores da manga são a Holanda, Alemanha, França, Portugal e Espanha. Sendo que a Holanda recebe o produto e é responsável por distribuí-lo para os demais países da Europa. Os Estados Unidos são o segundo maior comprador.

Em 2018, as autoridades sul-africanas concluíram os requisitos e aprovaram o modelo de Certificado Fitossanitário para a importação de mangas do Brasil. De acordo com a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), é mais uma opção de mercado para os produtores brasileiros no exterior.

Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS). “Há uma grande expectativa de crescimento nas exportações de frutas para o bloco do Oriente Médio (Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos) e para o continente asiático, especificamente, China e Coreia do Sul. Nossas frutas têm qualidade e são muito apreciadas por estes países”, ressalta o diretor executivo da ABRAFRUTAS, Eduardo Brandão.