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JE entrevista Sávio Torezani, sócio-diretor da empresa Nortefrut

Data26 julho 2021

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Abastecemos algumas empresas na Ceagesp e consideramos importante termos nossos produtos na maior central de abastecimento do país. Mas nossa venda diminuiu um pouco lá nos últimos anos.

JE – O Espírito Santo e a Bahia são os principais Estados produtores da fruta. Vocês têm unidades nas duas regiões. Qual a diferença entre ambas na produção do mamão?

Sávio – Temos unidades nos dois estados sim, mas na verdade são três regiões distintas para produção do mamão considerando as características edafoclimáticas (Clima, Relevo, Solo, Temperatura, Umidade Relativa, Precipitação, Radiação entre outros). E no nosso entendimento cada uma delas possui um maior potencial para determinadas variedades do mamão, considerando aspectos de qualidade e de produtividade.

No sul da Bahia (Eunápolis) exploramos mais o plantio do Papaya Sunrise enquanto que no oeste da Bahia (Bom Jesus da Lapa) o Formosa e no Espirito Santo (Pinheiros) o Papaya Golden, Aliança e Formosa.

JE – Qual o carro-chefe da empresa: formosa ou papaya?

Sávio – O carro chefe de nossa empresa é o mamão e todas as suas variedades. Hoje trabalhamos com uma de formosa e três de papaya.

JE – O mamão é uma fruta muito sensível, como vocês trabalham para que ela chegue com qualidade e com aspecto intacto, principalmente, na superfície da fruta?

Sávio – Temos um programa de qualidade dentro da empresa que é composto de uma série de procedimentos de boas práticas, que se iniciam com a escolha das áreas para plantio do mamão, passando pelo manejo de campo, colheita, processamento e que vão até a expedição do produto acabado no Packing House (e em alguns casos, onde temos abertura, até a gondola de alguns clientes).

JE- Vocês, também, trabalham com a exportação da fruta. Hoje, o mamão chega a quantos países?

Sávio – Trabalhamos com exportação, mas o foco da nossa empresa é o mercado interno. Atuamos no Canadá, Europa, Reino Unido e Emirados Árabes.

JE – Com a crise ocasionada por conta da Covid-19, como que a empresa lidou para conter o quadro de funcionários e como isso afetou a produção da fruta?

Sávio – O inicio da pandemia foi bastante desafiador para nosso negócio, principalmente para uma das etapas, a de processamento da fruta que ocorre em um grande galpão que é chamado de Packing House. Nele temos normalmente um grande numero de colaboradores e foi necessário a adoção de uma serie de medidas, além de todas sugeridas pelo ministério da saúde (mascara, álcool em gel, distanciamento etc). No campo acabou sendo um pouco mais fácil administrar isso.

JE – Vocês atendem tanto o mercado nacional quanto internacional. No território brasileiro, vocês sentiram uma queda por conta da pandemia e no cenário do comércio no exterior uma retração por conta da alta do dólar?

Sávio – Em 2020, no inicio da pandemia, o mercado ficou muito confuso, mas as vendas continuaram. O comportamento de compra do consumidor mudou bastante, principalmente com relação a frequência de compra. Ficou mais difícil equacionar a Oferta e Procura naquele momento e em alguns canais houveram aumentos de perda e em outros chegou a faltar frutas.

O mercado interno chegou a ter um pequeno incremento de vendas ao passo que as exportações tiveram uma queda brutal, mas não por conta da alta do dólar e sim em função da falta de logística, pois o mamão é transportado, quase na sua totalidade, nos compartimentos de cargas dos voos comerciais e no inicio da pandemia quase todos foram cancelados. Em paralelo começaram a surgir alternativas de Aviões Cargueiros, no entanto, o custo desse frete era muito maior e isso fez com que o custo do mamão brasileiro colocado em outros países subisse muito e o preço para o consumidor final se tornou proibitivo lá fora.

JE – Recentemente, vocês lançaram uma nova marca. Poderia falar um pouco mais dessa linha de produto?

Sávio – Lançamos sim, a Pomaris.

Desenvolvemos ela como a marca Premium para nossa empresa onde embalamos nossas melhores frutas, sempre colhidas maduras e vendidas muito próximas aos seus pontos de consumo.

A Pomaris oferece um padrão de fruta para aqueles que valorizam a experiencia de comer e busca atender uma tendencia de varejo que é a de colocar nas gondolas mamões coloridos, próximos de consumir.

JE – Vocês abastecem diversas empresas na Ceagesp. Como é ter o produto na maior Central de abastecimento do País?

Sávio – Abastecemos algumas empresas na Ceagesp e consideramos importante termos nossos produtos na maior central de abastecimento do país. Mas nossa venda diminuiu um pouco lá nos últimos anos. Entendemos que a Ceagesp precisa se atualizar (infraestrutura) para conseguir prestar um serviço melhor e com um custos mais competitivos, mas consideramos que continua sendo um dos principais canais de distribuição do FLV brasileiro.

JE – A edição anterior do JE foi sobre as vantagens e desvantagens em possuir frota própria ou terceirizada. Como vocês trabalham para garantir o abastecimento da fruta?

Sávio – Já fizemos alguma experiencias de verticalização de frota, mas todas com pouco sucesso. Temos dois tipos de frete na empresa. O primeiro é o Frete Fazenda – Packing, no qual boa parte da frota é nossa, mas são fretes em um raio de 300 km e o segundo Frete Packing – Cliente, já esse todo terceirizado, pois a verticalização é praticamente inviável, pois abastecemos praticamente todo território nacional e precisaríamos de uma frota absurdamente grande e nesse caso não seria viável economicamente.

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