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JE entrevista Paulo Tsuge sobre MIP em cultivo de abacates

Data28 julho 2021

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JE – Há quanto tempo sua família cultiva na região?
Paulo – A família de Tsuge cultiva desde 1954 no Brasil. Em São Gotardo, Minas Gerais, desde 1974. Nossa família veio do Japão para o Brasil em 1954, primeiro no Paraná. Ser agricultor é uma tradição para nós há séculos. Nossos antepassados já eram agricultores no Japão muito antes de meu avô escolher o Brasil.

JE Qual é o nome da região? A região do Cerrado Mineiro, em Minas Gerais. Qual é a cidade mais próxima de você?
Paulo – Cidade de São Gotardo. Safras produzidas: abacate. Tamanho da fazenda (em acres ou hectares): 830 hectares de abacate.

JE – Descreva o solo: Latossolos ácidos. É um solo pobre e pouco fértil. Portanto, ele precisa ser fertilizado para produzir. Como é o clima na região?
Paulo – Estação das chuvas no verão e seca no inverno. Com altitude de 1.200 m, a região apresenta temperaturas entre 18 ° C e 23 ° C e precipitações de 1.200 mm por ano. Este ambiente proporciona floração intensa e maturação uniforme.

JE – Quando ocorre a colheita?
Paulo
– O abacate é uma cultura permanente. Nossa colheita ocorre de março a novembro.

JE Quais são as pragas mais comuns?
Paulo – St Stenoma catenifer.

JEComo as pragas atuam na lavoura?
Paulo
– É uma espécie de mariposa, que coloca cerca de 150 ovos dentro de cada fruta. Suas larvas comem o fruto, crescem e se multiplicam rapidamente, fruto por fruto, árvore por árvore. Eles podem destruir, potencialmente, toda a produção.

JE Quais são os inimigos naturais destas pragas?
Paulo
– A Trichogramma é uma pequena vespa que parasita ovos de Stenoma e evita sua reprodução. Criamos essas vespas em um pequeno laboratório dentro de nossa propriedade. Este inseto mostra-se altamente eficaz contra a mariposa.

JE Como você avalia o uso de biológicos?
Paulo
– O uso de pesticidas contra o estenoma também afeta as abelhas e outros organismos. A vespa Trichogramma spp. é altamente eficiente contra essa praga e preserva outras vidas para sermos mais sustentáveis.
Em qualquer caso, as duas soluções combinadas ainda são importantes para um controle eficiente. Este manejo integrado mostra mais resultados na produção e redução de custos.
A gestão integrada funciona em três etapas nas diferentes fases do Stenoma. Trichogramma contra os ovos, pesticidas contra mariposas e seleção fisica contra larvas dentro dos frutos.
Além de tudo, esta “gestão cultural” permite a utilização de produtos químicos muito mais suaves, classes de toxicologia 4 e 5, em vez das classes 1, 2 ou 3. Também utilizamos um recurso microbiológico, uma espécie de bactéria, para repelir o Stenoma.

JEQue porcentagem dos custos é dedicada ao combate às pragas?
Paulo
– Nesta safra, aproximadamente, 20%

JE Como funciona o laboratório de biológicos em sua fazenda?
Paulo
– Sim. Produzimos dentro de uma estrutura na própria fazenda, onde separamos a produção de Anagatra spp para gerar ovos para o desenvolvimento de trichogramma spp. Coletamos esses ovos durante este ciclo e os liberamos no campo semanalmente.

JE Quando você começou a criá-los em sua fazenda?
Paulo
– Início de 2017.

JE Quantos você cria anualmente?
Paulo
– 7.700.000 ovos.

JE Qual é o custo?
Paulo
– Baixo. Cerca de R$ 0,45 por grama de ovos

JEComo foi perceber que esta alternativa sustentável realmente funciona?
Paulo
– Sim, alinhar a gestão sustentável à produção é sempre uma conquista considerável. Os produtos químicos não são mais a principal ferramenta contra as pragas. Nosso controle cultural e gestão integrada garantem menos custos e frutos sem nenhum resíduo.

JE – Para quais países você exporta seus abacates?
Paulo –
Argentina, Espanha e Holanda.

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