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Governo Federal consegue mais de R$ 3 bilhões com leilão de 22 aeroportos

O agronegócio, já há um tempo, é o principal setor econômico do País. Entretanto, sofre grandes dificuldades, principalmente, por conta da falta de planejamento da logística para levar o alimentos de Norte ao Sul do Brasil. Além de enviar e receber de outros países.

Desde o ano passado, o setor de frutas vem encontrando dificuldades para entregar mercadoria e atender a demanda externa. Consequência da pandemia do Coronavírus e das restrições impostas por importantes países consumidores, o volume exportado diminuiu e o setor desde então busca maneiras de driblar as dificuldades.

Alexandre Duarte, diretor de logística da Abrafrutas, explica que em 2020 a redução do fluxo de aviões vindo das Américas, Ásia e Europa foi expressivo, impactando diretamente nas exportações de fruta, principalmente de manga e mamão, produtos considerados como “carros-chefes” das exportações brasileiras.

O problema começou com a diminuição de voos comerciais, consequência das restrições sanitárias impostas ao redor do mundo. Segundo Alexandre, a condição passou a ficar mais crítica porque as exportações são feitas justamente com essa logística.

“Há muitos anos se utiliza aviões comerciais para fazer essa exportação. Isso acontece porque o avião cargueiro, por exemplo, transporta 90 toneladas de produto. No caso dos aviões comerciais, além do fluxo diário, nós conseguimos transportar entre 15 e 20 toneladas. Então no lugar de colocar tudo em um dia só, fazemos vendas aos poucos e que suporte a demanda”, afirma o especialista.

Segundo Alexandre, uma das alternativas encontradas pelo setor, foi quando as companhias áreas transformaram os voos comerciais em cargueiro. Ou seja, utilizaram os lugares que seriam para passageiros para transportas cargas. “A demanda de insumos para vacinação e medicamentos é alta, então passamos a utilizar esses espaços”, afirma.

Chamada pelo governo federal de Infra Week, a semana de leilões começou hoje, no dia 7 de abril, com a concessão dos terminais aéreos à iniciativa privada por 30 anos.

Os aeroportos, assim como os portos são essenciais para o comércio exterior. O potencial do agronegócio de Mato Grosso, por exemplo, é visto nacionalmente como o chamariz para o leilão dos quatro aeroportos do Estado.

Diversos estados são grandes produtores da cadeia de hortifrútis e possuem as principais Centrais de abastecimento, as Ceasas. Os aeroportos da região, com essa privatização poderá desenvolver ainda mais o potencial do agro.

O leilão de aeroportos realizado atraiu interessados para todos os 3 blocos e garantiu ao governo federal uma arrecadação inicial de R$ 3,302 bilhões.

Segundo o Ministério da Infraestrutura, o ágio médio foi de 3.822%, o que representou uma arrecadação R$ 3,1 bilhões acima do mínimo fixado pelo edital para o valor de contribuição inicial (R$ 186,2 milhões).

Além do valor à vista, as regras do leilão preveem uma outorga variável, a ser paga a partir do quinto ano de contrato até o fim da concessão.

O investimento total nos 22 aeroportos, que foram divididos em 3 blocos, é estimado pelo governo em R$ 6,1 bilhões durante os 30 anos de concessão.