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Empresários cobram medidas efetivas de combate ao desmatamento ilegal

Em reunião por videoconferência com o presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal e vice-presidente da República, Hamilton Mourão, grupo de representantes do setor empresarial brasileiro reforçou a cobrança por medidas efetivas de combate ao desmatamento ilegal no país, entre outros pontos, que permitam reverter a atual percepção negativa da imagem do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais na Amazônia.

É preciso implementar ações imediatas para aplacar as reações negativas de investidores e consumidores estrangeiros aos negócios em nosso País, afirmam os empresários.

No encontro, os executivos apresentaram ao governo a proposta de maior participação e trabalho conjunto com o Conselho Nacional da Amazônia em políticas que induzam a uma retomada verde da economia, para um cenário de baixo carbono.

Os empresários também salientaram o que o setor privado vem realizando e como o desmatamento ilegal prejudica os negócios.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou que a reuniu abre um diálogo entre o governo e o setor privado e que está 100% alinhado com as propostas levadas pelos empresários.

O setor empresarial foi representado nesta reunião por Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS); Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); José Carlos Fonseca, diretor executivo da Indústria Brasileira da Árvore (Ibá); João Paulo, CEO América Latina da Natura; Water Schalka, CEO da Suzano; André Araujo, CEO da Shell; Paulo Sousa, CEO da Cargill; Marcos Antonio Molina dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Marfrig; Candido Botelho Bracher, CEO do Itaú; e Luiz Eduardo Osorio, diretor-executivo de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Vale.

A reunião desta sexta-feira foi confirmada pelo presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal depois que o Comunicado do Setor Empresarial Brasileiro veio a público, no dia 7 de julho.

Além do Conselho Nacional da Amazônia Legal e Vice-Presidência da República, o documento foi protocolado aos presidentes do Supremo Tribunal Federal, Senado Federal e Câmara dos Deputados, e ao procurador-geral da República.

Na ocasião, o documento contava com a assinatura de CEOs de cerca de 40 companhias e grupos empresariais dos setores industrial, agrícola e de serviços, além de quatro organizações: CEBDS, Abag, Ibá e Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (ABIOVE).

Atualmente, o posicionamento – que é aberto e busca o maior engajamento possível – conta com a adesão de 50 grandes companhias e, com a inclusão da Rede Brasil do Pacto Global, somando cinco entidades.

Ainda durante a reunião, Mourão comprometeu-se a assumir e anunciar metas semestrais contra desmatamento, queimadas e grilagem. Assumiu o compromisso de não aceitar ilegalidades.

Prejuízo ao Brasil

Os executivos alertam que a imagem negativa tem enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país.

Além de uma maior resistência e até fuga de investimentos externos, há riscos de aumento da suspeita sobre a procedência da carne bovina e boicotes silenciosos, com a dificuldade da entrada de produtos brasileiros em alguns mercados.

O desmatamento de 1 hectare na Amazônia custa de R$ 800,00 a R$ 2 mil, dependendo da densidade arbórea da mata. Se considerar os 9,2 mil km² (920 mil hectares) desmatados em 2019, o custo do desmatamento ilegal variou de R$ 740 milhões a R$ 1,8 bilhão.

Potencial de negócios

Por outro lado, há um elevado potencial de negócios ainda não totalmente dimensionado da floresta em pé. Estudo publicado ano passado pela revista Perspectives in Ecology and Conservation e endossado por mais de 407 cientistas brasileiros, de 79 instituições de pesquisa – apontou que os 270 milhões de hectares de vegetação nativa preservados em propriedades rurais – entre áreas desprotegidas e de Reserva Legal – rendem ao Brasil R$ 6 trilhões ao ano em serviços ecossistêmicos, como polinização, controle de pragas, segurança hídrica, produção de chuvas e qualidade do solo.

Os serviços oferecidos pelos sistemas naturais têm impacto na segurança alimentar, energética e hídrica; na produtividade da cadeia agrícola e servem de estoque e sumidouro para o carbono.

Relatório da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos sobre restauração de paisagens aponta que um hectare de floresta em pé na Amazônia, por exemplo, gera em média R$ 3,5 mil por ano e no cerrado em torno de R$ 2,3 mil por ano. Em sistemas agroflorestais esse rendimento pode chegar a mais de R$ 12 mil anuais. Já o mesmo hectare desmatado para a pecuária daria um lucro de R$ 60 a R﹩ 100 por ano. Se usado para soja, o valor seria de R$ 500 a R$ 1 mil por ano.

Soluções

Além do efetivo combate ao desmatamento ilegal, são apontados pelo documento como focos prioritários de ação: (i) inclusão social e econômica de comunidades locais para garantir a preservação das florestas; (ii) minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais, buscando eficiência e produtividade nas atividades econômicas daí derivadas; (iii) valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais; (iv) adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono; (v) direcionamento de financiamentos e investimentos para uma economia circular e de baixo carbono; e (vi) pacotes de incentivos para a recuperação econômica dos efeitos da pandemia da Covid-19, condicionada a uma economia circular e descarbonizada.