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Floricultura

DICAS IMPORTANTES PARA QUEM QUER CULTIVAR ORQUÍDEAS

Data12 março 2020

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As orquídeas pertencem a uma família de plantas muito rica e
evoluída. Crescem praticamente em todos os continentes, em climas
equatoriais e tropicais úmidos, especialmente na América, Índia,
África e Austrália, desde o nível do mar até elevadas altitudes.
Existem plantas rupestres, terrestres, aquáticas, epífitas e
saprófitas. Há também um grande número de gêneros e de espécies e
uma infinidade de híbridos, muitas vezes entre dois ou três gêneros
diferentes.

 As orquídeas florescem em diferentes épocas do ano e cada espécie
têm o seu período de floração, mas alguns gêneros chegam a florir
mais de uma vez ao ano.  A flor de orquídea tem três sépalas: uma
dorsal e duas laterais, que envolvem a flor em botão. Possuem três
pétalas, sendo que uma delas, o labelo, a maior e mais chamativa com
colorido diferenciado, e no seu interior encontram os órgãos
reprodutores. O labelo, além da função de proteção, serve também
para atrair insetos e pássaros responsáveis pela polinização.

 As flores, individuais ou em inflorescências, têm formas diferentes
com colorações variadíssimas e magníficas, o que as fazem muito
lindas e admiradas.

 AQUISIÇÃO DE PLANTAS

 O cultivo de orquídeas tem se popularizado muito ultimamente. Para
começar a cultivar orquídeas podemos comprar ou ganhar plantas. Depois
queremos ter uma coleção de plantas ou simplesmente cultivar vasos em
casa. Floriculturas e especialmente exposições tem colocado à
disposição do público variadíssimo, rico e numeroso conjunto de
plantas de espécies e de híbridos. Devemos adquirir plantas de boa
procedência e com identificação correta. As plantas de orquidários
comerciais idôneos possuem genética conhecida, confiável e elevada
qualidade fitossanitária e nutricional, bem superior às plantas
retiradas da natureza. Encontramos plantas bem desenvolvidas com
florações robustas e flores belas e grandes e muito coloridas.

 Mas é preciso ter cuidado para não se encantar apenas pelo esplendor
da inflorescência, número e beleza das flores sem observar a parte
vegetativa e as raízes das plantas. Isso porque, as orquídeas
colocadas à venda estão no auge do esplendor da parte aérea, ou seja,
da parte visível, dos pseudobulbos, folhas e flores. Mas, aqui está o
problema! Aqui está a “grande sacada”, o substrato que eficientemente
permitiu o bom desenvolvimento das raízes, reteve água, reteve e cedeu
nutrientes, agora está em pleno processo de apodrecimento, pelo que a
maioria das raízes ou já morreu ou estão morrendo.  Assim, estas
plantas pouco tempo depois secarão e serão descartadas para a alegria
de quem vende. Já para o amante de orquídeas, o jeito será adquirir
outra planta.

 Por isso, temos que aprender com os colecionadores de orquídeas. Eles
querem ter plantas de espécies que se adaptam bem às suas condições
de cultivo. Plantas especiais pela beleza das flores albas, semi-albas e
coeruleas, amarelas e avermelhadas e por que querem continuar cultivando
e produzindo essas mudas, para ter ano após ano floradas belas e raras.
Como sabe que as raízes, na maioria das vezes estão na última, corre
para seu orquidário e elimina tudo o substrato replantando-as em novo
substrato, correndo o risco de quebrar e perder a flor. Entretanto, a
planta foi comprada não por essa flor, mas pelas próximas floradas.

 Por isso, se você quer comprar uma planta pensando em tê-la por muito
tempo com você ou com quem você presenteou, procure observar algumas
características importantes antes de levar para a casa uma orquídea
pela qual você já se encantou. As plantas devem ser de boa
procedência e estar corretamente identificadas. Cada espécie é
diferente das outras e é importante que você as conheça pelos nomes.
Observe se as plantas estão bem enraizadas, sem manchas e com
coloração adequada.

 FATORES DE PRODUÇÃO

 Como todo vegetal, para bom desenvolvimento e crescimento, as
orquídeas requerem luminosidade (temperatura), água (irrigação e
umidade) e nutrientes (em quantidades balanceadas e equilibradas).

 LUMINOSIDADE 

 Para uma boa floração as orquídeas precisam de luz, mas a maioria
não tolera sol direto, com exceção de alguns gêneros como
Epidendrum, Cyrtopodium, Arundina, Cymbidium, Dendrobium, Oncidium,
Catasetum  e  Renanthera. A maioria das plantas prefere estar a
meia-sombra, embaixo da copa das árvores, sob proteção de sombrite,
ou na varanda, onde não recebam sol diretamente. Mesmo dentro do
orquidário podemos organizar as plantas para que cada espécie receba a
incidência adequada de luz. É fundamental estudar cada espécie. Entre
todos os gêneros, a luminosidade ideal pode variar de 30 a 80 %. Em
caso de orquidários, usualmente, a cobertura é feita com tela
“sombrite”. A escolha dessa cobertura varia também de acordo com a
região onde estão as plantas. Pela diferença de tonalidade das folhas
é possível perceber se existe excesso ou falta de luz. Folhas com tons
claros e amarelados indicam excesso de luminosidade, se estiverem com um
bonito tom de verde, a luminosidade está adequada, mas se o verde for
muito intenso está faltando luz.

 IRRIGAÇÃO

 Vai depender, em grande parte, da forma como se estão cultivando as
plantas, do ambiente onde ficam (umidade e temperatura), da espécie, do
tipo e tamanho de vaso e, especialmente, do substrato utilizado. Podem
ser usados diversos tipos de recipientes, como vasos de barro ou de
plástico, cachepots de madeira e pedaços de cascas de arvores ou até
mesmo arvores vivas.

 O substrato deve ser poroso e facilitar o crescimento das raízes. Os
substratos podem ser orgânicos, esfagnum, casca de pinus, fibra de
coco, macadâmia, puros ou em combinações. Alguns preferem cultivar as
plantas em pedaços de casca de peroba, de troncos de café, sansão do
campo e barbatimão. Quando não decompostos estes materiais tem boa
porosidade, boa capacidade de retenção de água e são fonte de
nutrientes. Para liberar e ceder nutrientes, para que possam ser
absorbidos pelas raízes, é necessário a decomposição e
mineralização destes materiais, Na decomposição e mineralização
vão se compactando, apodrecendo, liberando substancias toxicas, que
causam a morte das raízes, pelo que, muitas vezes observamos raízes
saindo dos vasos, fugindo dos substratos. O apodrecimento de substratos
orgânicos pode levar ao aparecimento de pragas como lesmas e caracóis,
aumentando o surgimento de doenças e da retenção de água. Por isto,
o substrato deve ser trocado periodicamente, a cada dois ou três anos
em recipientes maiores de acordo com o tamanho da planta. Lembrar que é
proibido usar xaxim, sejam vasos, placas ou pedaços.

 Atualmente, preferimos substratos de cultivo formados por materiais
inertes como seixos rodados pequenos ou brita zero, sinasita (bolinhas
de argila expandida), também tamanho pequeno, isopor em pedaços e a
grande sacada à “grande sacada”, carvão vegetal em pedaços, todos em
tamanhos de 0,5 a   1,5 cm. Estamos utilizando mistura de partes iguais
de carvão, sinasita, brita e isopor. Este substrato apresenta
durabilidade muito alta e pode ser reutilizado várias vezes.

 Ao mesmo tempo em que devemos suprir a demanda de água, também
devemos evitar seu excesso, pois, o encharcamento do substrato dificulta
o arejamento. Também não devemos ter pratos embaixo dos vasos, pois a
água deve escorrer libremente.

 Na irrigação devemos molhar o substrato até que comece a escorrer a
água. Todas as raízes das orquídeas devem ser molhadas. São elas que
absorvem eficientemente a água e os nutrientes, pois a maioria das
orquídeas apresenta um tecido esbranquiçado e esponjoso (velame)
revestindo suas raízes. O velame é um tecido responsável pela rápida
absorção de água e nutrientes. Funciona como uma espécie de esponja,
pois apresenta espaços e canais microscópicos em seu interior, onde
usualmente se alojam as micorrizas.

 É importante não molhar as flores e evitar deixar as plantas com
água nas folhas para evitar o aparecimento de doenças. A melhor hora
para molhar as orquídeas é meio da tarde e com mangueira. Mas,
atenção. O excesso de água lixivia nutrientes, provoca falta de
oxigênio nas raízes e acelera a decomposição de substratos de
materiais orgânicos.

 NUTRIÇÃO:

 Para que a fotossínteses e o desenvolvimento das plantas se realize em
condições adequadas é necessário um bom equilíbrio entre a
fixação de carbono nas folhas e a absorção dos nutrientes pelas
raízes.

 Uma planta bem nutrida se desenvolve mais rápido e produz flores mais
bonitas. Para estar bem nutrida, uma orquídea deve dispor de nutrientes
em quantidades e proporções ótimas. Em média e a _grosso modo _as
plantas de orquídea apresenta a seguinte composição: C, H, O, 90 %;
N, P, S, K, Ca, Mg, 8 %; Cl, B, Mo, Fe, Mn, Zn, Cu, Ni, 2 %.

 Os elementos essenciais (nutrientes) para desenvolvimento e crescimento
vegetal se classificam em macronutrientes (N, P, S e K, Ca, Mg) e
micronutrientes (Cl, B, Mo e Fe, Mn, Zn, Cu, Ni). A proporção dos
teores de macronutrientes nas plantas de orquídeas é diferente à de
outras culturas: K > N > Ca > Mg > P ≈ S

 As fontes naturais de nutrientes para plantas de orquídeas são
rochas, solos, resíduos vegetais, cascas, poeira e esterco de
passarinhos. Na natureza as orquídeas sobrevivem com limitada
disponibilidade de nutrientes. É justamente o estresse nutricional que
induz a frutificação. A planta sacrifica-se pela sobrevivência da
espécie.

 Os substratos orgânicos são insuficientes para alta demanda de
nutrientes, daí a importância da fertilização. Entre os adubos
usados no cultivo de orquídeas podemos indicar a torta de mamona,
farinha de osso, viagra, chorume, compostos e bokashi. A frequência e
dose de adubo deve respeitar as recomendações dos fornecedores e, ou,
fabricantes. Deve-se evitar colocar o fertilizante diretamente em
contato com as raízes. Como os adubos orgânicos aceleram a
decomposição do substrato devemos evitar espalhar sobre toda a
superfície do substrato. O ideal é colocar o adubo sempre num mesmo
lugar. Com o tempo os adubos orgânicos tendem a diminuir o arejamento
do substrato do vaso.

 Entre os fertilizantes temos fontes que disponibilizam unicamente um
nutriente, N, P, K; dois nutrientes, NP, SK, NK, NS; macronutrientes
principais, NPK; macronutrientes, NPSKCaMg; micronutrientes e macro e
micronutrientes.

 Podemos fazer aplicações semanais ou a cada 15 dias dos
fertilizantes. Devemos certificar-nos de que o fertilizante foi bem
dissolvido e está na concentração certa recomendada. Usualmente
dissolver de 3 a 5 g por litro e desta solução aplicar nas raízes de
20 a 50 mL por vaso dependendo da qualidade e quantidade de substrato.

 Evitar aplicação excessiva de fertilizantes, as orquídeas possuem
baixa tolerância aos sais. Observar que não está ocorrendo acúmulo
de sais nas laterais dos vasos. O pH na solução do substrato deve
ficar entre 5 e 6.

 HARMONIA ENTRE FATORES DE PRODUÇÃO

 A harmonia entre fatores deve ser adequada às exigências das
espécies. Como o colecionador quer cultivar várias espécies num
orquidário, fica difícil harmonizar o ambiente para as diferentes
exigências das distintas plantas. Pois a grande disponibilidade de
variedades de espécies e de híbridos requer grande variedade de
ambientes.

 O excesso de água lixivia nutrientes, provoca falta de oxigênio às
raízes, acelera a decomposição de substratos de materiais orgânicos.

 A fertilização adequada, nos substratos orgânicos, disponibiliza
nutrientes em quantidades e proporções desejáveis, não só, ao bom
crescimento das orquídeas, mas também à proliferação de fungos e
outros microrganismos que acelerarão a decomposição e o apodrecimento
do substrato.

 Nos substratos inorgânicos, que não disponibilizam nutrientes,
necessariamente temos que utilizar fertilizantes. Entretanto, devemos
ter cuidado com o uso em excesso dos fertilizantes, que pode provocar o
acúmulo de sais. Utilizando este substrato as fertilizações são mais
frequentes, mas em menor dose (2 a 3 gramas por litro).

 A harmonia entre ambiente, recipiente e substrato de cultivo,
irrigação suficiente e boa disponibilização de nutrientes,
acelerará o desenvolvimento e crescimento das plantas, antecipa as
floradas e aumenta a durabilidade das flores. O que mais aspiramos é
poder reproduzir nossas plantas e que estas floresçam ano opôs ano.

 FINALMENTE – Que é o que mais quer um orquidófilo? Mais orquídeas!!!

 SOBRE A NPV

 A Nutrientes Para Vida (NPV) é uma iniciativa inovadora com a missão
de informar a população sobre a relevância dos fertilizantes (o
alimento das plantas), para o aumento da qualidade e segurança da
produção de alimentos. As informações são baseadas em dados
científicos. Com Visão, Missão e Valores análogos à coirmã
americana, a Nutrients For Life, que já colhe importantes frutos em
outros países, como Estados Unidos, onde nasceu, Canadá, México e
Colômbia.

As orquídeas pertencem a uma família de plantas muito rica e evoluída
cultivo de orquídea

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