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Desenvolvimento do mercado nacional de fertilizantes pode ajudar aumentar ainda mais a produtividade do agronegócio

Data20 outubro 2020

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Daniel Faccio, sócio da RGS Partners

Com a economia amplamente impactada pelos efeitos da pandemia, o Brasil poderia estar em uma situação ainda mais delicada, caso não tivesse um agronegócio pujante.

Segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pela IBGE, a safra nacional de grãos deve alcançar 251,7 milhões de toneladas em 2020, ficando 4,2% acima da safra de 2019.

Certamente um dos setores responsáveis por auxiliar os produtores rurais nesta contínua jornada de expansão são as indústrias de fertilizantes – juntamente com os players de sementes e defensivos agrícolas.

Não é por acaso que a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) apontou que as empresas produtoras de fertilizantes aumentaram em 15,7% a entrega de fertilizantes ao agronegócio brasileiro até o mês de abril, em relação ao mesmo período de 2019.

A alta é explicada, sobretudo, pelo interesse dos produtores rurais em soluções capazes de ampliar a produtividade no campo.

Em razão da origem da matéria-prima, aproximadamente 70% de todos os fertilizantes utilizados no Brasil são importados.

Na indústria nacional se destacam as empresas de fertilizantes especiais (foliares e organominerais) e os biológicos. No primeiro caso, hoje existem diversas companhias especializadas na produção do insumo no Brasil.

A maior parte possui faturamento inferior a R$ 150 milhões e apresentam boas perspectivas de crescimento nos próximos anos.

Isso ocorre porque centenas delas produzem fertilizantes com nutrientes específicos para determinadas regiões ou tipos de cultivos.

O mesmo cenário de pulverização ocorre entre as empresas conhecidas no mercado como biológicas.

Focadas na produção de bioestimulantes e inoculantes, suas soluções auxiliam na fixação e liberação lenta dos nutrientes – presentes nos fertilizantes – pelas plantas.

Atualmente, essas companhias também contam com boas projeções econômicas exatamente por conta da qualidade dos seus produtos, capazes de auxiliar no aumento da produtividade em diversas culturas do agronegócio.

O panorama já é diferente nas indústrias de macronutrientes, que têm o nitrogênio, fósforo e potássio como nutrientes fundamentais e visam auxiliar a correção de solo nos mais variados tipos de cultura.

Bastante difundido, esses fertilizantes são geralmente abastecidos aos agricultores por quatro grandes players do País, além de algumas companhias do exterior.

Dentro de todo esse contexto, podemos afirmar categoricamente que as maiores oportunidades de M&A encontram-se nas indústrias de especiais e as biológicas. Inclusive, neste momento, diversos players interessados em ampliar suas operações acompanham de perto o desenvolvimento destes segmentos.

A recomendação sobre o melhor momento da venda deve estar diretamente ligada com a performance recente e as perspectivas futuras da empresa – neste último item principalmente em relação ao crescimento projetado.

Em linhas gerais, companhias que estão crescendo e ainda espera-se um avanço acelerado nos próximos anos (em torno de 20% a 25% ao ano), entendo que seja difícil capturar totalmente essas projeções no valuation, que é baseado muitas vezes em resultados atuais.

É o caso, por exemplo, das indústrias biológicas que, em sua maioria, conseguem crescer de maneira acelerada. Diante desse cenário, talvez não seja o momento de considerar uma venda.

A situação muda em relação às companhias com faturamento mais estabilizado – com avanço estimado entre 5 e 10% ao ano – uma vez que neste caso é possível capturar de maneira adequada o valor futuro, considerando o resultado atual da empresa.

Além disso, vale ressaltar ainda que compradores estratégicos têm o benefício de trazer sinergias importantes, já que pode adicionar novas linhas de negócios no portfólio e passar a atuar em regiões que não atuavam anteriormente.

Com isso, na maioria dos casos, as empresas tendem a valer mais sob o comando do comprador estratégico do que nas mãos do(s) fundador(es).

Independente de quais serão as próximas transações anunciadas no mercado, o cenário desenhado pelas indústrias de fertilizantes é bastante positivo.

Nos próximos anos, a expansão do setor deve continuar em linha com o desenvolvimento do agronegócio, muito por conta do seu potencial de aumento de produtividade. Certamente a agricultura e a economia nacional serão extremamente beneficiadas com esse movimento.

*Daniel Faccio é sócio da RGS Partners, uma das principais boutiques especializadas em fusões e aquisições de médias empresas do Brasil.

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