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Crescimento de adesão de embalagens de isopor na Ceasa de SP

Na maior Central de abastecimento da América Latina e a terceira maior do mundo, a Ceagesp, anualmente, comercializa mais de 3,5 milhões de toneladas de produtos hortifrutigranjeiros. De acordo com os últimos dados realizados pela SEDES – Seção de Economia e Desenvolvimento, somente, no ano passado, mais de 800 milhões de reais na movimentação financeira foram contabilizadas.
Para alcançar este potencial econômico, a rotina dentro da Ceasa de São Paulo necessita ser bem intensa. Quem já teve a oportunidade de conhecer e realizar negócios comerciais no Entreposto paulistano sabe bem do ritmo frenético.
As embalagens, por exemplo, chegam através de caminhões, depois, são paletizadas, estocadas nas empresas e colocadas, novamente, nos veículos para serem despachadas às redes supermercadistas, além de escolas, feiras e restaurantes.
Durante este percurso é quase inevitável que a carga sofra algum tipo de danos. O impacto, no caso, pela queda em uma superfície dura, ou até mesmo pelo contato com outro alimento, o empilhamento de caixas de uma forma inadequada podem ocasionar em uma avaria no produto.
Infelizmente, uma mercadoria mesmo com uma leve deformação já é considerada para o descarte, por conta da aparência. Isso ocasiona em um grande desperdício tanto para empresa quanto ao consumidor final, já que o fruto ainda está em plena qualidade de consumo.
“Em média, um terço da produção de frutas e hortaliças vai para o lixo. Esse dado da FAO [Organização da Onu pela Alimentação e Agricultura] tem cerca de dez anos e vemos que os hábitos mudaram desde então. Já não se fazem mais aquelas pirâmides de frutas e verduras na seção de hortifrúti”, disse Elisangeles Souza, representante técnica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).
Elisangeles Souza ressaltou ainda que o maior desperdício se dá no manuseio e transporte das frutas, legumes e verduras: 50%. As duas pontas da cadeia — produção agrícola e supermercados/consumidores — são responsáveis por 10% cada, enquanto os 30% restantes são desperdiçados em distribuição e comercialização.
Este desperdício de alimentos faz com que as empresas tomem algumas medidas para evitar ao máximo o prejuízo, principalmente, com uma atenção redobrada na movimentação de carga. O JE já realizou uma edição especial sobre o tema. A publicação pode ser conferida na íntegra, através do link: https://bit.ly/je_carga.
Outro fator que ocasiona no desperdício de alimento é a falta de padronização do tamanho das embalagens para FLVs – frutas, legumes e verduras. Um estudo realizado pela Ceagesp, em conjunto com a ABRE – Associação Brasileira de Embalagens, levantou informações importantíssimas sobre a situação de cargas mistas. Sendo que as caixas dos diversos produtos, por apresentaram dimensões diferentes, não possibilitam empilhamento uniforme e provocam o apoio das caixas em cima dos próprios produtos. Como consequência, frutas, verduras e legumes se amassam, se estragam e são perdidos. Uma entre várias soluções propostas foi de empilhar a carga mais pesada embaixo e as mais leves em cima. Ou seja, começando pela de madeira e finalizando pela de isopor.
Entretanto, pensando, também, neste quesito: outra medida que os empresários atacadistas da Ceagesp tem a se preocupar é com o tempo de maturação. O produto, geralmente, chega ao Entreposto paulistano com um ponto específico de amadurecimento, muitos das vezes, ela é colocada em câmaras frias para depois ser comercializada.
O que se percebe, nos últimos tempos, é uma diminuição significativa no uso de caixas de madeira e um aumento das embalagens de outras composições, como a de plástico, de papelão, de poliestireno expandido (nome técnico do EPS Isopor®), além de sacarias (sacos).  Segundo, o último levantamento registrado, em 2020, pelo Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da Ceagesp, passaram pelo Entreposto de São Paulo, mais de 210 milhões de embalagens. Sendo que, somente de EPS, desse total, foram 535 mil caixas, o que representa um aumento considerável, ao longo dos anos. Por exemplo, no ano anterior, em 2019, foram registradas 519 mil unidades, neste mesmo segmento. Isso significa um crescimento anual de 3% das empresas que aderiram as caixas de isopor na comercialização.
Vale ressaltar que este tipo de embalagem é utilizada, praticamente, para as vendas de frutas (450 mil) e pescados (85 mil), no Entreposto. Outro dado importante é que mais de 100.000 toneladas de poliestireno expandido são produzidas, anualmente, no Brasil. Um dos principais benefícios dessas caixas é o aumento na vida de prateleira da fruta, permitindo que permaneçam por até 20% mais tempo nas gôndolas dos estabelecimentos comerciais em comparação com as frutas em outros tipos de embalagens. A média de ganhos com o EPS é significativa. Ao comparar a conservação de frutas quando armazenadas em embalagens semelhantes, sendo uma de papelão e outra de EPS, verifica-se um aproveitamento de mais de 40% superior quando armazenada na embalagem de EPS.
O Centro de Tecnologia de Embalagem do Instituto de Tecnologia de Alimentos (CETEA/ITAL) desenvolveu um relatório para averiguar a segurança das embalagens para alimentos feitas com EPS (Isopor®) e apontou que elas podem, sim, entrar em contato com alimentos, sejam eles frios, quentes, sólidos ou líquidos, sem oferecer riscos.
O relatório atesta, ainda, que o material é um plástico inerte e atóxico, que não contém CFC (Clorofluorcarboneto) e HCFC (Clorodifluorometano), não contamina a água, o ar ou o solo, não causa danos à camada de ozônio e nem contribui para a formação de gases do efeito estufa ao ser descartado no lixo.
A engenheira de alimentos Camila Fraga explica que o EPS não apresenta reação alguma ao corpo humano. “Ele possui baixa condutividade térmica, é quimicamente inerte e é resistente a óleos, água e ácidos. Devido às suas características e benefícios, é um material bastante utilizado para proteger e acondicionar alimentos. A única recomendação, dada a qualquer outro tipo de embalagem, é que a embalagem seja lavada antes do uso para tirar qualquer resíduo ou até poeira que tenha se concentrado ali”, afirma.
Por isso, as caixas de isopor para acondicionamento e transporte de frutas vêm sendo utilizadas cada vez mais pelos empresários atacadistas da Ceagesp.
A empresa Difar, que está há mais de 20 anos comercializando produtos nacionais e importados na Ceasa de SP. São frutas vindas de diversos países da América do Sul e também da Europa, como Chile, Argentina, Espanha e Portugal. Hoje, no estabelecimento, os produtos vendidos em caixas de EPS já representam algo em torno de 40%. Tendo a uva nacional, que vem de Petrolina (PE), já embalada em caixas de isopor.
Quem já optou, por manter grande parte das vendas, com uma representatividade que hoje chega a mais de 70%, dos produtos na Ceagesp, em caixas de EPS é a Comércio de Frutas Roseira Ltda. Em seu espaço comercial, pilhas de embalagens, somente de isopor e nas gôndolas são facilmente encontradas. “Em relação, por exemplo, entre isopor e papelão, eu prefiro trabalhar muito mais com o isopor. E eu ainda acredito que vai chegar um tempo que será somente o EPS, padronizando assim futuramente as vendas por aqui. Nós trabalhamos já há muito tempo com as embalagens de isopor. Utilizamos na comercialização de frutas, principalmente de uvas de todas as variedades. O produtor rural já está trabalhando com as caixas de isopor e encaminha para gente”, mencionou Pedro, vendedor da Frutas Roseira. 
Fundada em 1994, a Cooperativa Agrícola de Juazeiro, CAJ – BA, é uma das maiores e mais bem sucedidas associações de produtores do Vale do São Francisco. Sendo uma das principais fornecedoras de frutas para a Ceagesp. A CAJ encaminha aos empresários atacadistas, principalmente, uvas em caixas de isopor. As vantagens em relação as outras embalagens, também, são inúmeras para o produtor rural.
“Hoje trabalhamos, praticamente, 100%, com EPS. Um dos motivos, primeiramente, foi por questão de apresentação da fruta, pois fornece um visual melhor. Outro fator é que diminuiu nossos problemas, porque tinha papelão de má qualidade e chegava muitas caixas amassadas no destino final. Depois por questão de custo, com a alta do preço e falta de matéria prima do papelão,” ressaltou Jorge Santana, vendedor da CAJ.
Nesta verdadeira corrida contra o tempo, do produtor ao consumidor, as soluções pós-colheita da Termotécnica ampliam em até 30% o shelf-life das frutas mantendo suas propriedades nutricionais por mais tempo.
Com as conservadoras DaColheita fabricadas em EPS (mais conhecido como isopor® – marca registrada de terceiro), as frutas desidratam menos, chegam à temperatura desejada mais rápido e mantêm o frio por mais tempo o que garante seu frescor, aspecto visual e maior qualidade nutricional.
“O design diferenciado das nossas conservadoras também agrega valor visualmente nos pontos de venda e facilidades logísticas de movimentação e empilhamento, além de serem mais leves, o que garante diminuição no frete”, afirma Nivaldo de Oliveira.
Diversas empresas da Ceagesp já estão trabalhando com esta marca. Como é o caso da JJ Pivotto, que está há bastante tempo no mercado atacadista, comercializando diversos produtos na Ceagesp., “Nós estamos trabalhando com as embalagens da marca DaColheita, há mais de dois anos. Nós preferimos, porque, ela retém mais a temperatura do ambiente, conservando por mais tempo a durabilidade da fruta. Nós estamos utilizando, por exemplo, bastante para a pitaia, mas também, para o maracujá-doce e a atemoia”, é o que ressaltou Victor Maciano, é vendedor da JJ PIvotto.
Outro detalhe importante, também é o marketing que gera, para os compradores do mercado. A empresa Vip Frutas, que está desde 2001, no Entreposto paulistano, trabalha com uma variedade de frutas.
“Faz anos que trabalhamos com essa marca [DaColheita]. No momento, a gente utiliza para as vendas de maçãs, uvas, peras. Ela também é muito utilizada na comercialização de morango e figo. Uma das vantagens em usar esse tipo de embalagem é que além de chamar mais atenção, ser mais bonita, mais higiênica, ela conserva por mais tempo e tem mais aceitação no mercado”, é o que explica José Carlos de Holanda, proprietário da Vip Frutas.
A Frutânia Brazil, uma empresa de gestão familiar possui um mix de produtos e de tipos de embalagens.
“Nós trabalhamos com caixas de papelão, caixas plásticas e também a de isopor. Como trabalhamos com todos os tipos de frutas nacionais e importadas utilizamos embalagens variadas para atender a nossa demanda. A goiaba, por exemplo, está vindo tanto na caixa de papelão quanto a de EPS. Temos na de isopor, produtos como a goiaba, pitaia, caju, e também a uva”, explicou o vendedor Dennis Sakakura, da empresa Frutânia Brazil.