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Brasil perde para o México a liderança nas exportações de suco de laranja no mercado dos EUA

Data22 setembro 2020

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Impulsionadas pela isenção de tarifas do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), as exportações de suco de laranja do México com destino aos Estados Unidos, derrubaram a liderança do suco brasileiro no mercado americano.

Um levantamento feito pela CitrusBR com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostra que nos últimos 28 anos as importações americanas de FCOJ mexicano saltaram de 9.772 toneladas para 74.680 em 2019, um crescimento de 664,2%.

Dessa forma, a participação do México no mercado dos EUA passou de 6% para 46%.

No mesmo período, as vendas do Brasil recuaram 50,7%, passando de 144.538 toneladas para 71.114 toneladas em 2019. Com isso, a participação brasileira que era de 89% em 1993, caiu para 44% no ano passado.

“Quando observamos o período, as importações dos EUA continuam num patamar ao redor de 155 mil toneladas de FCOJ. O que mudou foi a entrada agressiva do México nesse mercado”, analisa o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto.

A explicação para o avanço do produto mexicano está na diferença dos regimes tarifários. Desde 2008, o México possui isenção de tarifas para colocar seu suco nos EUA, graças ao Nafta.

Já o suco brasileiro é taxado em US$ 415,86 por tonelada para acessar aquele mercado. Apenas no período entre 2008 e 2019 o FCOJ brasileiro foi taxado em US$ 548 milhões em imposto de importação, enquanto México deixou de pagar US$ 405 milhões graças à vigência do Nafta.

“A expansão do FCOJ mexicano nas importações americanas acontece às custas de um pesado imposto incidente sobre o produto brasileiro”, avalia Netto.

O levantamento mostra também o impacto das tarifas no desempenho das exportações brasileiras e a dificuldade em manter a liderança no mercado de FCOJ.

Quando avaliamos o recebimento líquido do exportador depois de aplicadas as deduções de imposto de importação, custos de desembaraço e frete, marítimo no caso brasileiro e terrestre para os mexicanos, o que se vê é uma grande perda do valor do produto nacional.

Enquanto o suco mexicano tem um valor FOB US$ 1.378,75 por tonelada, o concorrente brasileiro recebe pela mesma tonelada de FCOJ 66° Brix US$ 894,95 – uma diferença de US$ 484,9 por tonelada em favor do exportador mexicano.

“Do lado brasileiro, temos alguns esforços que tentam colocar o suco de laranja nacional no mapa dos acordos internacionais”, pondera o executivo, que cita como exemplo o acordo Mercosul/ União Europeia, finalizado em 2019. “O acordo prevê uma desgravação tarifária imediata de 50% que chegará a 0% num prazo de 10 anos. Mas não há prazo para que essa ratificação aconteça”, diz.

A questão tarifária evidenciada no mercado americano, também pode comprometer o desempenho do suco de laranja brasileiro em outros mercados. Para entrar na Europa, o suco do Brasil paga uma taxa de 12,2% ante 4,2% do suco mexicano.

O Brasil, via Mercosul, também negocia acordo comercial com a Coreia do Sul para que a tarifa para o suco de laranja seja reduzida a zero conforme já acontece para o suco produzido na Flórida e que pouco abastece aquele País.

“Isso seria um marco importante visto que, no passado, o Brasil já chegou a exportar mais de 30 mil toneladas ao ano e hoje praticamente não exporta mais para aquele destino”, avalia Netto.

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