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Apicultura pode ajudar a combater a diminuição de abelhas no planeta

Data20 fevereiro 2024

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Animal possui papel importante na biodiversidade, sendo responsável por polinizar cerca de 70% dos vegetais consumidos pelos humanos

Como polinizadores, as abelhas estão entre os agentes mais importantes para a biodiversidade e a vida no planeta. Sem elas, alguns alimentos importantes para uma dieta saudável e equilibrada, como frutas, legumes e verduras, podem ter sua produção inviabilizada. A importância é tanta que, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em torno de 70% dos vegetais consumidos pelos humanos e outros animais herbívoros dependem da polinização para se tornarem viáveis. Para manter o equilíbrio ambiental, a apicultura torna-se uma maneira relevante de combater a atenuação do animal, que possui mais de 20 mil espécies de abelhas em todo o mundo, sendo 3 mil delas apenas no Brasil.

Apicultura como uma solução

As mudanças climáticas, a atividade agrária e o uso indiscriminado de defensivos agrícolas nas lavouras representam um risco real para as populações de abelhas, que podem ser drasticamente reduzidas e até mesmo desaparecerem nos próximos 30 a 50 anos. A apicultura, que consiste na criação de abelhas para extração de mel e outros produtos da colmeia, quando praticada de uma maneira responsável do ponto de vista ambiental, pode ser uma forma de aumentar suas populações.

“As abelhas realmente estão sumindo e existe um risco sério de desaparecimento desses animais em um médio prazo. Mas as espécies que correm maior perigo atualmente são as silvestres. As abelhas domesticadas, que são aquelas criadas em apiários para produção de mel e outros derivados, também estão sumindo em um ritmo preocupante. Recentemente, inclusive, mais de 100 milhões de abelhas, que eram criadas para produção de mel. foram perdidas após uma aplicação errada de defensivos agrícolas no Mato Grosso. Mas o risco das abelhas criadas em cativeiro é muito menor do que o dos animais selvagens”, explica Daniel Cavalcante, doutor em Tecnologia de Alimentos, presidente da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) e CEO da Baldoni Agroindústria.

Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Concordia, no Canadá, em geral, as abelhas selvagens, ou seja, as que são características de uma determinada área, são menores do que as abelhas domesticadas, que são as criadas por apicultores para produção de mel e derivados. Os animais silvestres, em geral, não possuem ferrão, além de não serem capazes de voar grandes distâncias para buscar alimentos, o que acaba colocando essas espécies, como é o caso da brasileira Jataí, em maior vulnerabilidade.

O cuidado deve ir além das colmeias, também sendo necessário um trabalho de preservação da vegetação local e o plantio de flores e plantas características da região em que o apiário está instalado. Ações como essa podem ser a chave para manter o equilíbrio entre populações de abelhas domésticas e selvagens, já que com uma maior oferta de alimentos, os animais não precisarão entrar em disputas por território ou comida, o que pode, inclusive, permitir ajudar as abelhas melíferas a serem mais produtivas.

“Como um país de clima tropical, de dimensões continentais, o Brasil é um terreno fértil para a prática responsável da apicultura. Por aqui, é possível criar abelhas com bem-estar e construir ambientes em que espécies nativas e produtoras convivam em harmonia. Porém, esse potencial ainda é pouco explorado, com um espaço muito grande para o crescimento e desenvolvimento da atividade apícola em território nacional”, comenta Daniel.

“A Baldoni tem uma visão bastante moderna sobre seu modo de produção. Nos locais em que colhemos a matéria-prima para os méis de flores silvestres e orgânicos, por exemplo, nós temos uma preocupação imensa em manter os biomas intocados, isso melhora a qualidade do produto, mas também impacta muito positivamente no bem-estar das abelhas e, consequentemente, na manutenção das espécies domesticadas e selvagens”, finaliza o CEO.

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