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Agricultores de SP aumentam produção de cacau visando chocolate com maior valor agregado 

Em seminário dedicado à cultura cacaueira realizado no Ital, diretor geral da Apta Regional destaca potencial do estado para ser referência no setor 

O cultivo do cacau no estado de São Paulo saiu da estagnação e está a todo vapor. É o que se destacou no Seminário sobre a Cultura Cacaueira, intercâmbio técnico-científico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP realizado em julho no Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital/Apta), sob coordenação da Apta Regional e do Ital, órgãos da Secretaria, e da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag). 

O evento inédito é também uma ação do Programa Cacau SP, fruto do trabalho conjunto da pesquisa agropecuária e da extensão rural paulistas, através da Apta Regional, do Ital, do Instituto Agronômico (IAC) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati). Para concretização do seminário, foram parceiras a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da Bahia, segundo maior produtor de cacau do Brasil, atrás somente do Pará, de acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2021. 

“Várias regiões paulistas têm demandado o desenvolvimento da produção do cacau, o que estamos trabalhando já com um olhar diferenciado, levando em conta não só o histórico e o potencial da produção cacaueira, mas também a evolução de outras cadeias. O café, por exemplo, deixou de ser commodity e vem se despontando ao longo dos últimos anos por meio do fortalecimento da produção nacional de cafés especiais. E o cacau temos o mesmo olhar “, falou, na abertura do seminário, o diretor da APTA Regional, Daniel Gomes, lembrando que a junção com outras culturas “tem sido uma importante frente de ação, como a cultura do látex no oeste paulista”. 

As variedades do cacau, as tecnologias para efetividade e produtividade em cacauicultura, os sistemas Cacau Cabruca, pós-colheita do cacau, qualidade da amêndoa e processamento do chocolate foram temas das palestras e debates. Além do pesquisador Valdecir Luccas, do Centro de Tecnologia de Cereais e Chocolate (Cereal Chocotec) do Ital, fizeram apresentações e tiraram dúvidas especialistas da Bahia: Milton José da Conceição, extensionista da Ceplac, Dan Eric Lobão, pesquisador da Ceplac e professor da UESC, George Andrade Sodré, docente da UESC, e Neyde Alice Bello Marques, pesquisadora da Ceplac. Participaram da abertura do evento a diretora geral do Ital, Eloísa Garcia, e o diretor presidente da Fundepag, Alvaro Duarte 

A pesquisadora do Ceplac, Neyde, explica que para a verticalização do cacau é necessário ter amêndoas de qualidade para a fabricação de chocolates diferenciados com alto teor de cacau. “O produtor de cacau precisa buscar conhecimento para produzir variedades produtivas, resistentes ou tolerantes a doenças e pragas, e com sabor e aroma efetivo.” 

Já o perfil do consumidor brasileiro está mudando, com a busca de produtos mais saudáveis e o chocolate com alto teor de cacau, afirma Neyde, ao completar que o Brasil sendo o 4º consumidor de chocolate no mundo, “tem a oferecer chocolates diferenciados intensos, conhecidos como “bean to bar” [da amêndoa à barra], proporcionando um alimento nutritivo”. 

George Sodré considerou importante a decisão do estado de SP em desenvolver a cacauicultura.  Ele destacou como se efetiva a produção e o manejo do cacaueiro. “Espero que em breve essa cultura não só ajude a formar novos produtores como, também, fomentar a cadeia de transformação de produtos da cacauicultura.”