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A agricultura sustentável é uma forte vocação do Brasil

José Roberto Assy

O relatório do World Government Summit de 2019 chamado “Agricultura 4.0 – o futuro da tecnologia no Agro”, prevê que os agricultores em breve vão gerir sua atividade agrícola de uma maneira diferente, primeiro por causa do avanço na tecnologia de máquinas e equipamentos agrícolas e na conectividade entre elas e depois com a chegada dos equipamentos autônomos, os robôs.

Tudo isso vai permitir que a atividade seja mais eficiente segura e sustentável. Maravilha! Mas, o relatório também prevê que teremos ainda cerca de 8% da população mundial passando fome em 2030, cerca de 650 milhões de pessoas. Contraditório?

E mais, temos que produzir 70% mais alimentos até 2050 para atender ao crescimento da população. Já no Brasil de 2019, as emissões de carbono cresceram quase 10%, puxadas pelo aumento do desmatamento enquanto o país crescia apenas 1,1%.

Desmatamento desenfreado não gera renda e fazem sofrer as comunidades que realmente dependem da floresta, que ficam sem alternativas viáveis de emprego e renda.

Afinal, é possível produzir ainda mais alimentos e com sustentabilidade? E como fazer tudo isso com viabilidade econômica?

Essas restrições só podem estimular a produção de tecnologia, pois é nesse ambiente que a inovação floresce, a criatividade faz morada e o empreendedorismo acontece.

E a produção de tecnologia, pode ser bem local como a iniciativa do Pecsa, um grupo de empreendedores de Alta Floresta-MT que quer transformar a pecuária na Amazônia em um negócio sustentável, e estão conseguindo. Tecnologia sustentável? Sim!

Em Rio Verde-GO, existe o Gapes, grupo de agricultores que investem para desenvolver tecnologias de manejo adaptadas às condições locais, e eles já colhem 9 sacas a mais de soja por hectare comparado com a média da região, uma tecnologia incremental.

Visão artificial é fundamental para a automação agrícola, assunto com conteúdo até para outro artigo, e em São Paulo existe uma startup que desenvolve essa tecnologia para o agro, a Cromai. A base de dados é toda local, e tem que ser, uma tecnologia de ponta.

Já falando de bioeconomia, que abrange biotecnologia industrial, genômica e nanotecnologia entre outras áreas do conhecimento, também faz parte do pacote agricultura 4.0, e está relacionada a energia e produtos renováveis.

Uma área vasta e de um potencial ainda incalculável. A competência em bioenergia e agricultura faz do Brasil um candidato a protagonista a nível mundial.

Mas, muitas dessas tecnologias exigem investimentos mais intensivos, gente mais preparada e treinada e, tem que ter pesquisa e dados locais, pois o ambiente agroecológico é específico. Desafio e grande oportunidade ao mesmo tempo.

E é essa oportunidade que o Brasil não pode deixar escapar, pois como protagonista pode atrair investimentos, formar mais cientistas e pesquisadores nessas áreas, não sairia daí um prêmio Nobel da Paz, de Química ou de Biologia ligados ao agro e à sustentabilidade?

Que referência isso traria aos nossos jovens e que portas abriria para nosso agronegócio, é para pensar grande!

É inegável que a agricultura é a mais forte vocação do nosso país, e que é a tecnologia que vai gerar alimentos e de forma sustentável, mas é inegável também que a produção de tecnologia agrícola brasileira pode florescer ainda mais, desde que a sociedade, investidores e governo entendam que é o empreendedorismo que traz riquezas, e riquezas inclusivas.

E que a educação básica de qualidade é fundamental para gerar tecnologia, e trazer a verdadeira justiça social.

*Engenheiro agrônomo, fundador da J.Assy e Consultor em Agronegócio.