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Panorama da cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais do Brasil

Data16 setembro 2015

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A floricultura segue configurando um bem-sucedido e cada vez mais promissor ramo do agronegócio brasileiro contemporâneo. Em 2014, alavancou vendas globais de R$ 5,64 bilhões, com crescimento de 8% sobre os resultados do ano anterior. Deverá fechar o ano de 2015 com acréscimo de 6%, atingindo um valor de vendas, na ponta do consumidor, próximo a R$ 6,1 bilhões.

Em termos de Valor Bruto da Produção (VBP) – ou seja, valor efetivamente recebido pelos produtores – atingiu-se, em 2013, R$ 1,49 bilhão, enquanto que para 2014 este valor alcançou R$ 1,61 bilhão. Em 2015, ficará seguramente próximo a R$ 1,7 bilhão, o que significará em torno de 0,6% do total do Valor Bruto da agricultura brasileira.

Em todo o Brasil, estima-se que uma parcela entre 67 % e 70% da área ocupada pelo cultivo de flores e plantas ornamentais, exceto gramas ornamentais e esportivas, é conduzida a céu aberto; entre 28% e 30% sob a proteção de estufas e apenas entre 3% e 5% sob a proteção de telados. Existem atualmente 7.800 produtores dedicados ao cultivo de flores e plantas ornamentais. A região Sudeste concentra a maior parcela destes produtores, com 53,3% do total, especialmente localizados nos Estados de São Paulo (28,8%) e Rio de Janeiro (13,1%). 

A área cultivada com flores e plantas ornamentais atinge perto de 14 mil hectares, constatando-se forte e significativa concentração da atividade na região Sudeste do País, a qual detém 65,9% do total da área nacional cultivada com essas mercadorias. O Estado de São Paulo responde, isoladamente, pela exploração de 48,9% da área florícola nacional, seguido, com larga margem de diferença, pelos Estados de Minas Gerais (8,6%), Rio de Janeiro (7,1%) e Espírito Santo (1,3%).

A comercialização atacadista formalmente organizada de flores e plantas ornamentais no Brasil é concentrada em cerca de 90% no estado de São Paulo, sendo realizada prioritariamente pela Cooperativa Veiling Holambra (Santo Antonio de Posse, SP), seguida da CEAGESP (São Paulo, SP), pelo Mercado Permanente de Flores e Plantas Ornamentais da Ceasa Campinas (Campinas, SP), Cooperflora (Holambra, SP), Cooperativa SP Flores (Mogi das Cruzes, SP) e outros. Em todo o Brasil, existem pouco mais de 30 centros de distribuição atacadista de flores e plantas ornamentais, sendo a metade deles localizados no estado de São Paulo. Nos últimos anos, tem aumentado substancialmente o número de iniciativas privadas de organização e oferta de novos espaços de comercialização atacadista de flores e plantas ornamentais, mesmo nos polos já consolidados para o setor, como o próprio município de Holambra (SP).

O mercado atacadista brasileiro normatizado de flores e plantas ornamentais, em termos do valor financeiro transacionado, é composto majoritariamente pelos produtos classificados nas categorias de flores e folhagens de corte e flores e plantas envasadas, que, em 2013, dividiram participações porcentuais relativas bastante próximas, de 43,99% e de 43,29%, respectivamente. Na última posição do ranking ficaram as plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem, com o índice de 12,72%.

A distribuição varejista de flores e plantas ornamentais, via floriculturas formalizadas, em todo o Brasil conta com cerca de 18 mil pontos de venda. O Estado de São Paulo concentra a maior parcela dessas lojas, com 5.900 floriculturas (32,8%), segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Flores e Plantas Ornamentais do Estado de São Paulo (Sindiflores). As floriculturas brasileiras sentiram fortemente os impactos da entrada do varejo de autosserviço na distribuição florícola nacional, o que levou ao fechamento de um expressivo número de lojas em todo o País e à redução no nível de faturamento anual de grande parte delas.

O Brasil não se constitui em um player importante no mercado internacional de flores e plantas ornamentais, participando com apenas 0,11% das exportações globais e com 0,22 % das importações. De fato, a floricultura brasileira é essencialmente focada para o próprio mercado interno do País, para onde direciona 96,5% do total de sua produção. Apesar desta vocação, no período de 2000 a 2008, o Brasil experimentou um notável crescimento em suas vendas de flores e plantas no mercado internacional, sob os auspícios do Programa de Apoio às Exportações de Flores e Plantas do Brasil, financiado pela Agência de Exportações e Financiamento do Brasil – Apex Brasil e coordenação do Instituto Brasileiro de Floricultura e, no último ano de sua existência, pelo Instituto Agropolos do Ceará. Neste período, as exportações saltaram do patamar estacionário da década de 1990 – no qual as vendas não ultrapassavam US$ 11 milhões – para até US$ 35,5 milhões, em 2008, batendo oito recordes anuais sucessivos.

O consumo médio anual per capita brasileiro de flores e plantas ornamentais está atualmente estimado em R$ 26,27, sendo as plantas ornamentais para paisagismo e jardinagem responsáveis por 41,55% desse valor, seguidas pelas flores e folhagens de corte (34,33%) e pelas flores e plantas envasadas (24,12%). Devido às mais diversas condicionantes socioeconômicas, culturais, geoclimáticas e ecológicas, o índice do consumo per capita de flores e plantas ornamentais mostra-se diversificado entre as diferentes macrorregiões geográficas e os estados brasileiros.

Estudo sobre o setor está disponível online 

O Sebrae Nacional acaba de publicar o estudo “Flores e Plantas Ornamentais do Brasil”, divido em 3 volumes da Série Estudos Mercadológicos, tratando de todos os aspectos relativos à cadeia produtiva da floricultura no País. Trata-se de produto da consultoria técnica dos especialistas Hélio Junqueira e Marcia Peetz, sócios-proprietários da Hórtica Consultoria e Inteligência de Mercado.

O estudo é o primeiro diagnóstico de amplitude nacional a ser publicado no Brasil sobre o setor de flores e plantas ornamentais e, por isso, era ansiosamente aguardado. Certamente será de grande contribuição para a compreensão de toda a cadeia produtiva, bem como para o planejamento estratégico das atividades em todos os seus elos, desde a produção até a distribuição final e consumo. A edição contempla, além de diagnósticos, análises e propostas para o desenvolvimento estratégico setorial, uma ampla cobertura estatística, a partir de dados nacionais, regionais e estaduais da produção, dos comércios atacadista e varejista, do consumo e do comércio exterior da floricultura, entre outros elos e segmentos. Muitos dados agora apresentados são decorrentes de consultorias regionais e estaduais da própria Hórtica Consultoria, que resultaram na coleta de informações diretas e abrangentes em campo, a partir de questionários e entrevistas com produtores, comerciantes atacadistas e varejistas, importadores e exportadores, paisagistas, artistas florais, decoradores e consumidores de Norte a Sul do País.

No site da Hórtica Consultoria e Inteligência de Mercado você encontra os links para baixar o três volumes do estudo: Hórtica Consultoria

Hélio Junqueira é engenheiro agrônomo, doutor em Ciências da Comunicação e professor da ESPM. Marcia Peetz é economista sênior, pós-graduada em Comercialização Agrícola e Abastecimento Alimentar Urbano.

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