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Empresas da Ceagesp estão se adequando à rastreabilidade dos alimentos

Do Entreposto ao consumidor, a fiscalização será feita pelos Serviços de Vigilância Sanitária Estadual e Municipal no âmbito do PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos).Diversas empresas da Ceagesp já estão adequando a nova lei, como é o caso da Citrícola Lucato, localizada no pavilhão HFO Box 179.

“Sem sombra de dúvida, está revolucionando o relacionamento comercial entre nossa empresa e nossos clientes. Hoje temos a exata informação de onde nosso produto está, de que forma está exposto, a quantidade vendida em cada local, ou seja, um completo comparativo de vendas, com isso podemos melhorar e auxiliar nossos clientes a vender mais e com melhor qualidade”, relata Junior Lucato, sócio-proprietário.

Já a empresa Frutas Rocha, por exemplo, possui fazendas em Registro e Pariquera-Açu, interior de São Paulo. A rastreabilidade é feita por duas empresas. “Toda a fruta colhida nas nossa fazendas, ela vai para uma Packing House, já rastreada, desde quando foi colhida com data e horário. Ela é processada e na embalagem de papelão ou plástica já é possível saber de onde veio a mercadoria”, explica Oswaldo Rocha, sócio-proprietário da Frutas Rochas.

A Itaueira, produtora brasileira de melões da marca Rei, é uma das fornecedoras de diversas empresas da Ceagesp. Sendo que o primeiro sistema implantado por ela foi em 2011. “Fazemos isso, não só para vender para outros países ou atender à norma nacional, mas principalmente, para comercializar frutas de qualidade e com total segurança no mercado interno”, destaca José Roberto Prado, diretor comercial.

Na Central de abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa – RS), por exemplo, a maior parte dos produtores é de pequeno porte (com até 10 hectares), idosos e com pouco acesso à informação e ao computador, o que dificulta colocar em prática exigências como o rótulo e o caderno de campo. Os funcionários estão auxiliando os pequenos produtores a conseguirem se adequar a nova norma. “Estamos capacitando os produtores. Mas é necessária certa flexibilização para o produtor ter tempo de fazer a adaptação e o investimento”, é o que defende o gerente técnico da Ceasa, Claiton Colvelo.

Já na Ceasa de Espírito Santo, recentemente, no dia 05 de junho, a rastreabilidade dos alimentos foi discutida no Fórum de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos. O coordenador da Comissão de Rastreabilidade da Central de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa/ES), Marcos Magalhães, e o coordenador de Projetos da Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Luciano Fasolo falaram sobre as ações que a Ceasa/ES e a Seag estão fazendo para a divulgação e orientação sobre o tema.

“Fizemos uma reunião para os produtores rurais na Ceasa com a promotora de Justiça e coordenadora do Fesciat, Sandra Lengruber, também estamos fazendo visitas técnicas a municípios que mais ofertam hortifrutigranjeiros. Com o objetivo de orientar ainda mais os produtores rurais, um técnico do Instituto Capixaba de Pesquisa”, disse Magalhães durante a reunião.

O CQH – Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da Ceagesp encaminhou, em 2018, uma série de perguntas ao MAPA e uma era exatamente como que a rastreabilidade poderia não prejudicar os pequenos produtores. O departamento do Ministério da Agricultura encaminhou uma resposta, dizendo:

“O grande problema é o controle e o registro do sistema de produção e do fluxo de produtos. Produtor tem ojeriza [medo] a papel, a controle – acha que não é trabalho. O fluxo de entrada e saída de frutas e hortaliças frescas é muito rápido. Dezenas de produtos de centenas de origens distribuídos para centenas de compradores, numa manhã”.

A entrevista na íntegra pode ser conferida através do site: www.hortibrasil.org.br.

De acordo com o Superintendente da Abras, os supermercados e produtores estão cautelosos, buscando soluções para implementar a rastreabilidade.

“A notícia da nova norma foi recebida com bastante preocupação porque o setor é muito pulverizado e envolve muitos produtores. Mas, essa preocupação trouxe algo muito positivo porque está colocando todos os setores para debater e se unir em busca da rastreabilidade. Como, até então, não tinha nenhuma obrigação legal de rastreabilidade, os produtores precisam se organizar com relação às exigências. Tanto os produtores quanto os supermercados vão precisar adotar a rastreabilidade, a norma obriga a adequação de forma cronológica”, diz Marcio Milan.