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Aumento do dólar prejudica vendas na Ceagesp, em 2018

Data31 janeiro 2019

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Moeda americana deixa os produtos importados mais caros dificultando competição com os itens nacionais

A Ceagesp é a maior Central de abastecimento da América Latina e a terceira maior do mundo. Por ano, são comercializadas mais de 3 milhões de toneladas de produtos hortifrutigranjeiros, pescados e também de flores.

Além de receber mercadorias e de realizar o abastecimento no Brasil inteiro, o Entreposto paulistano possui diversas empresas que atuam com a importação de alimentos, principalmente de frutas e pescado de outros países da América do Sul e da Europa. O salmão, por exemplo, comercializado na Ceasa de São Paulo é proveniente do Chile.

No ano passado, por exemplo, de acordo com os dados levantados pelas Sedes – Seção de Economia e Desenvolvimento da Ceagesp, foram comercializadas mais de 265 mil toneladas de produtos importados. Sendo que, em 2017, foram mais de 300 mil t. Tendo a Argentina como o principal país que encaminha frutas e pescado para a Ceasa de SP.

Em 2018, foram registrados cerca de 43 mil t de produtos argentinos. Logo em seguida, Chile e Espanha têm uma participação significante, com 29 mil t e 24 mil t, respectivamente. No total são 19 países que chegam a enviar mercadorias ao Entreposto da capital.

Vale ressaltar que com o aumento disparado da moeda americana, em 2018, fez com que a comercialização, desse setor, sofresse um grande impacto, principalmente, em relação aos preços.

“O dólar impacta diretamente os preços dos alimentos in natura, tanto nacionais como os importados. Os produtos nacionais apresentam elevação dos custos de produção, uma vez que os preços dos principais insumos (adubos, fertilizantes e etc) estão atrelados à moeda estrangeira. O dólar também impacta nos preços dos combustíveis e, portanto, no frete, além de refletir nos níveis inflacionais. As maiores elevações, no entanto, ocorrem com os produtos importados que sofrem diretamente com as oscilações cambiais”, é o que explica o economista da Sedes, Flávio Godas.

O ano passado, praticamente, foi muito complicado para as vendas na Ceagesp, em geral. Além da greve dos caminhoneiros, que ocasionaram no entrave de muitas mercadorias que não conseguissem chegar ao Entreposto paulistano, o dólar fez com que diminuíssem, drasticamente, as vendas dos produtos importados.

“Aqui os produtos todos subiram de preço por causa da alta do dólar. Isso refletiu nas vendas que caíram pela metade”, é o que relata o proprietário Nilton da empresa La Luna que trabalha com alimentos que vêm de diferentes países como Chile, Argentina, Portugal, Espanha, Estados Unidos, entre outros.

Segundo a empresa, o aumento representou algo em torno de 10 a 15% dos produtos. Um exemplo é a caixa de pera que vem da Argentina, antes encontrada, no mês de maio, por R$80,00 a caixa, já no mês anterior, ela fechou com o valor de 100 reais. Enquanto a Maçã Red Delicius, a caixa que era comercializada no mesmo período por R$85,00, em junho chegou a custar 105 reais.

Uma das soluções encontradas por muitos empresários foram estocar os produtos em câmaras frias até o valor se normalizar. Essa vantagem se deve, porque, as frutas podem permanecer, em média, por até três meses em um espaço refrigerado com temperaturas controladas.

Para entender o ocorrido, foram vários os motivos que levaram o aumento desenfreado da moeda estrangeira. Um dos principais acontecimentos, por exemplos, o período eleitoral no Brasil e a guerra comercial envolvendo os Estados Unidos com a China.

Isso fez com que a incerteza dos investidores internacionais aumentasse o valor do dólar, chegando a um patamar que ultrapassasse os R$4,00. Praticamente um feito histórico, o maior valor alcançado nos últimos dois anos. Consequência disso: dólar mais caro, resulta em produtos importados mais caros.

O comércio Rubifruit, que faz parte do Grupo Schio e é considerado um grupo líder no setor da maçã, também comercializa produtos de fora, inclusive portugueses. No período da valorização da moeda americana, a melhor opção foi somente esperar.

“A pera portuguesa começa a chegar por volta do mês de setembro e permanece até o final do ano. O preço está em alta por diversos motivos, principalmente pela alta do dólar e pela demanda. A partir do mês de novembro, o preço começa a ficar em conta”, esclarece o vendedor José Welligton.

Já a empresa de flores Paulinho das Rosas, que trabalha com rosas importadas do Equador e da Colômbia. O estabelecimento sofreu uma dificuldade enorme, nesse período, isso porque, a compra é realizada com o dólar e com o aumento em relação à moeda brasileira, a comercialização ficou inviável.

“A gente fecha o câmbio do dia, a carga chega e aí temos que pagar todas as taxas e aí fica muito difícil a gente passar ao consumidor, aos nossos clientes com esse valor, que está um valor bem alto e as margens para as vendas caem, porque, o mercado não aceita. Então, a gente torce para que o dólar dê uma melhorada”, é o que explica Alexandre, proprietário da empresa.

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