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Mudanças climáticas, a perda e o desperdício de FLVs no Brasil

Data17 dezembro 2017

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No mês de novembro, o mundo está observando a conferência internacional sobre mudanças climáticas que ocorre em Bonn na Alemanha (COP-23). Nesta reunião, em que vários países discutem como mitigar os efeitos do aquecimento global, a sustentabilidade de produtos agrícolas está na pauta como um dos temas prioritários dos debates, especialmente no que se refere a segurança alimentar dos países mais pobres, a um melhor manejo dos recursos naturais e principalmente ao combate ao desperdício de alimentos.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (ONU/FAO), o Brasil está entre os 10 países que mais perdem e desperdiçam alimentos no mundo, com mais de 40 mil toneladas de alimentos perdidos ou desperdiçados ao ano. O maior problema é encontrado em relação aos chamados produtos frescos, como frutas, legumes e verduras (FLV´s), cujo índice de perda é de aproximadamente 45% do total produzido.

Em âmbito global, um terço de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados. De acordo com a FAO, isso representa  4,4 bilhões de toneladas de emissões de gases de efeito estufa todo ano. Para que se tenha dimensão do que isso significa, se as perdas e desperdícios de alimentos fossem um país, este seria o terceiro maior emissor do mundo, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. 

O que explica esse alto índice, em grande medida, são as perdas na produção em decorrência de catástrofes climática, pragas e doenças, as más condições de logística na distribuição, condições de armazenamento não apropriado, e, por fim, estratégias comerciais inadequadas que geram um desajuste entre demanda e oferta.

Um estudo divulgado pelo Sebrae estima que mais de 80% do desperdício observado no FLV ocorre durante a exposição do produto, enquanto os 20% restantes no transporte e na armazenagem. Neste estudo, há algumas recomendações relevantes que podem evitar perdas durante a exposição, entre elas o manuseio mínimo, a exposição separada de produtos que amadurecem depois de colhidos, o uso de caixas de papelão para o transporte de FLV dentro do estabelecimento, evitar a exposição vertical causadora de maior deterioração dos produtos, aclimatização do setor, o retorno imediato dos produtos devolvidos nos caixas e o treinamento constante da equipe de reposição.

A redução substancial da perda e do desperdício, portanto, não é algo inalcançável ou de difícil e custosa execução e trará consequências importantes com grande impacto socioeconômico e ambiental.

Dentro deste contexto, tornar mais eficiente toda a cadeia de produção de FLV garantindo o mínimo de perdas em toda a logística, inclusive na pós-colheita, pode ajudar o Brasil na implementação de suas metas de emissões de gases de efeito estufa apresentadas no âmbito do Acordo de Paris em 2015 (COP 21).

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