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Abacaxicultura coloca Brasil em destaque no cenário internacional

Data2 abril 2017

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Em momentos complicados, principalmente, em situações corriqueiras, quem nunca ouviu a expressão: “descascar o abacaxi”? Pois bem, é um termo popular brasileiro utilizado para casos nos quais ninguém quer resolver o problema. Infelizmente, a fruta é associada negativamente neste dito popular. Porém, ao contrário da fama associada, ela beneficia em vários aspectos, por exemplo, na saúde, já que contém uma grande quantidade de vitaminas A, C, B, além de zinco, magnésio, fósforo, cálcio, ferro e sódio. 

A nutricionista Flávia Salvitti, que trabalha no Hospital São Paulo, ressalta os benefícios e os cuidados com a fruta. “O abacaxi tem baixo valor calórico, sendo que uma fatia grande contém em média 40 calorias. Recomenda-se consumir até cinco porções diariamente. Podemos dizer que ele facilita a digestão de proteínas. A acidez da fruta, somada à acidez do estômago, aumenta a capacidade de digerir esse tipo de alimento. Porém, não é indicado para quem sofre de gastrite, refluxo gastresofágico, úlcera e ferimentos na boca, pois a acidez da fruta causa grande desconforto”, explica Flávia Salvitti. As características de sabor e aroma tornam a fruta muito apreciada para consumo fresco. Industrializada, ela pode ser consumida em calda (fatias ou pedaços) ou suco pasteurizado (concentrado ou não), além de geleias. “Eu gosto da acidez do abacaxi. Primeiramente, na hora de escolher, eu olho, sempre, à aparência. Prefiro pegar maduro e só tiro a coroa quando for usar o fruto. Na cozinha, ele combina com tudo, porque, eu gosto de preparar pratos agridoces, pois, fica muito bom. Mas, a principal utilização do abacaxi é para suco, bolo, doces”, comenta a consumidora Joyce Gomes.  

Segundo os dados da Embrapa, as principais variedades comerciais cultivadas no país são: a Pérola ou Branco de Pernambuco, Smooth Cayenne e Jupi.  A época do plantio, de preferência, no início da estação chuvosa, o que facilita o firmamento das mudas. Esta indicação não é rígida e o plantio pode ser efetuado durante todo o ano, a depender da umidade do solo, da disponibilidade de mudas e da época que deseja colher o fruto. Tendo a fusariose como a principal doença desta cultura. A podridão negra é uma doença de pós-colheita. O abacaxizeiro é uma planta com características muito peculiares, que oferecem oportunidades e desafios especiais para quem o cultiva com propósitos comerciais. Ela não suporta clima muito frio. A melhor temperatura situa-se entre 22 °C e 32 °C. Podendo suportar temperaturas fora dessa faixa, mas acima de 40 °C e abaixo de 5°C, a planta apenas resiste por períodos curtos. Com adaptações a condições de baixa umidade, requer boa disponibilidade hídrica em períodos críticos para garantir a produção de frutos comerciais.

O Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA explica que a melhor época para o plantio, nas condições de sequeiro, ou seja, seco, fica entre os meses de fevereiro a maio e quando irrigado, pode ser em qualquer época. Em Marataízes, no Sul do Espírito Santo, a falta de chuva prejudicou a produção do abacaxi. O fruto é responsável por 60% da arrecadação da agricultura no município. A expectativa não é nada animadora para este ano, sendo que a previsão é colher apenas 24 milhões de abacaxis, enquanto, em 2014, a colheita foi de 32 milhões. “Marataízes virou a terra do abacaxi pelas condições de clima, de solo da região. É uma cultura que se adaptou muito bem à região também, pela menor incidência de pragas. Então, a gente tem esse legado de produzir bem e ter um fruto de qualidade”, disse o engenheiro agrônomo Antônio Carlos Franco.

A novidade é que agricultores familiares do município de Careiro da Várzea, localizado a 25 quilômetros de Manaus estão cultivando o abacaxi orgânico. O estilo de produção é sustentável, com o uso de técnicas da agricultura orgânica baseadas em princípios da agroecologia. Tudo isso, incentivado pelo Governo do Amazonas, por meio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam). O Brasil conta no total com uma área colhida de 65.176 hectares de abacaxi. Produzindo aproximadamente 1,8 bilhão de frutos no ano passado e a previsão para esta safra de 2016 é de 1,7 bilhão, um recuo de -3,7%. Segundo os dados do IBGE. A Região Nordeste é a maior produtora do País com uma área colhida 23.151 hectares, o que com responde por 37,1% do total. Sendo o Pará, o maior Estado produtor de abacaxi, com uma produção anual de 353 milhões.

“O abacaxi representou a redenção para a economia dos municípios da região sudeste do Pará. Foi a cultura do abacaxi que pode transformar áreas já antropizadas ou de terras consideradas pouco ricas em regiões de intensa produção agrícola e que levaram o Pará a ser hoje o maior produtor nacional de abacaxi, gerando ocupação e renda para milhares de trabalhadores rurais”, mencionou o Secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Estado de Pará, o engenheiro Agrônomo Hildegardo de Figueiredo Nunes durante a abertura do VI Simpósio Nacional da Cultura do Abacaxi. Já no cenário internacional, segundo o levantamento do IAC – Instituto Agronômico de Campinas, órgão de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Brasil é o 2º maior produtor mundial de abacaxi, ficando apenas atrás da Tailândia, com 1,98 milhão de toneladas. Os principais compradores de suco concentrado e de fruto in natura brasileira são a Argentina, Uruguai, os Países Baixos e os Estados Unidos. O Estado de São Paulo, entretanto, é o maior consumidor de abacaxi de mesa e o maior produtor de suco concentrado para exportação, apesar de produzir apenas 5% do abacaxi que utiliza. 

A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é o terceiro maior mercado atacadista do mundo e o maior da América Latina. No balanço elaborado pelo Ceasa de São Paulo, de janeiro a agosto, o ranking de produtos pelo volume em toneladas, o item abacaxi ocupa a sétima posição, com 57.880,54 toneladas, o que representa 5% do total. A fruta, no Entreposto Paulista fechou a primeira quinzena do mês de novembro com o valor médio de R$ 4,36 a unidade do abacaxi pérola, graúdo. Já na Ceasa do Paraná, o valor fica por R$ 5,40 no mesmo período. A Ceasa de Santa Catarina teve queda de 0,62% do preço médio dos alimentos, porém um dos itens que tiveram alta do preço foi o abacaxi, um aumento de 20,03%, em relação ao mês anterior.

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