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Estudo aponta o Brasil como a economia regional mais fechada

Data12 julho 2016

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O Ipea e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgaram no dia 6 de julho, em Brasília, a Matriz de Insumo-Produto da América do Sul. A matriz revela dados sobre compra e venda de produtos entre 10 países da região: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Uma análise realizada pelo professor Renato Flores, do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas, com base na matriz, concluiu que Brasil, Colômbia e Venezuela são as economias mais fechadas da região.

“O Brasil não tem, em nenhum dos 40 setores integrantes da matriz, contrapartidas de valor adicionado estrangeiro superiores a 10%. É uma economia muito fechada, um gigante egoísta”, afirmou Flores. Segundo a análise, dos 40 setores, 38 têm valor adicionado devido à participação dos demais nove países sul-americanos (PIB) inferior a 4%. “Para cada setor de um país, calculamos o quanto do valor adicionado é devido à produção de outros países. Isso é uma outra medida da integração. Fizemos isso para cada país, para cada um dos setores”, disse o professor da FGV.

A Colômbia, por sua vez, possui apenas um setor com mais de 10% de valor adicionado por outros países: Máquinas e aparelhos elétricos. Já a Venezuela tem três setores acima dos 10%: Veículos automotivos, reboques e semirreboques, calçados e outros alimentos processados. Por essa metodologia, os países mais integrados da região são Uruguai, Bolívia e Paraguai.

No entanto, quando são estudados somente os cinco setores de serviços, o Brasil apresenta o melhor desempenho da América do Sul em termos de integração. “O maior coeficiente é o do Brasil. É o que tem mais ligações por serviços, o que dá um certo respaldo. A matriz é um instrumento de investigação. Ela dá pistas da integração do Brasil como fornecedor e da integração pelos serviços”, afirmou Flores. Argentina e Uruguai também têm bom desempenho, e os demais países estão menos conectados.

Parcerias

Na abertura do seminário, na sede do Ipea, o presidente do Instituto, Ernesto Lozardo, agradeceu a participação dos parceiros na construção da matriz – além da Cepal, o projeto contou com recursos da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

“Este é um esforço sem precedentes na América do Sul e o Ipea se sente honrado de fazer parte deste trabalho”, afirmou Lozardo. “Sem o conhecimento do fluxo de comércio, das complementaridades entre países no tocante ao comércio, é muito difícil um país navegar no mar da comunidade global. O trabalho é um primeiro passo para entendermos a lógica dos fluxos de comércio”, continuou. O presidente do Ipea disse não acreditar que o Brasil possa eliminar a pobreza e as injustiças se não for um país mais aberto.

Renato Baumann, coordenador do projeto e técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, lembrou que o trabalho teve início em 2013 e envolveu consultores de 10 países da região, técnicos da Cepal em Santiago, técnicos da OCDE em Paris, da Unctad e da OMC. “Chegamos a um produto estritamente compatível com a matriz do projeto que é realizado pela OCDE com a metodologia Trade in Value-Added (Tiva)”, explicou Baumann. “A matriz transcende o âmbito nacional e regional e será, em algum momento, incorporada à matriz mundial. Demos um passo significativo hoje.”

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