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Rio de Janeiro é exemplo na produção rural sustentável

Data29 junho 2016

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A agricultura, antes vista como vilã na preservação do meio ambiente, se mostra hoje como um dos caminhos mais efetivos para a sustentabilidade no campo. Boas práticas como produção de água, segurança alimentar e proteção do solo marcam a atuação de muitos produtores rurais do Rio de Janeiro, que vêm harmonizando a produção de alimentos e a proteção ambiental.

Esse protagonismo ganha força no contexto do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho. A agricultura familiar, sistema que predomina no estado e que se baseia na relação afetiva entre o produtor e os recursos naturais, tem especial valor para a adoção de técnicas mais sustentáveis. A transformação dos hábitos produtivos oferece benefícios para toda a sociedade, melhorando a qualidade de vida no campo e também nas cidades.

Para incentivar a sustentabilidade na produção rural fluminense, o Rio Rural, programa iniciado há 11 anos pela Secretaria Estadual de Agricultura, aposta na assistência técnica e em incentivos financeiros visando a transformar os pequenos agricultores em agentes efetivos da preservação ambiental. Executado pela Emater-Rio, o Programa implementa técnicas modernas que aliam a conservação dos recursos naturais e a melhoria da produtividade. Assim, ganha o meio ambiente e também os agricultores, em termos de conhecimento e produtividade.

“Os agricultores são nossos principais aliados em busca da sustentabilidade. Com o Rio Rural, mostramos que a agricultura sustentável é justa, do ponto de vista social, e consegue ser também economicamente viável. Trabalhamos para garantir às gerações futuras a capacidade de suprir as necessidades de produção com mais qualidade de vida”, ressalta o secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo.

Pequenas propriedades, grandes transformações

O desenvolvimento sustentável nunca foi tão discutido e necessário em todo o mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a má qualidade do meio ambiente implica 23% das mortes em todo o mundo. Por isso, projetos que promovem o equilíbrio ambiental têm ganhado importância em todo o mundo. Em 2015, o Rio Rural foi um dos programas em destaque na COP 21, a conferência internacional que mobiliza nações para discutir ações necessárias ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Também em 2015, o Rio Rural foi citado em relatório da ONU como experiência bem-sucedida na área de gestão de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável. E toda essa expressão global só pode ser construída com a confiança e a adesão de cada agricultor à proposta de sustentabilidade promovida pelo Programa.

Esse foi o caso de Clíneo Gonçalves da Silva, produtor de banana em Saquarema, na Região dos Lagos fluminense. A vegetação exuberante chama atenção em sua propriedade. Com incentivos e a orientação do Rio Rural, ele implantou o sistema agroflorestal, um dos mais completos em termos de harmonia entre agricultura e meio ambiente. Com o dinheiro recebido, Clíneo adquiriu equipamentos e mudas para implantar as técnicas agroecológicas necessárias, e consorciou os cultivos de banana e pupunha, que crescem em meio à floresta. Com isso, o agricultor tem um produto a mais para garantir sua renda e ainda protege a mata nativa, responsável pelo equilíbrio do ecossistema local. “Eu não gosto de derrubar as árvores porque elas protegem o solo e as culturas”, ressalta o produtor.

O exemplo de Clíneo se multiplica em outras regiões do estado. O Rio Rural, que é financiado pelo Banco Mundial, já atende a 350 microbacias hidrográficas em todo o território fluminense, o que representa 48 mil famílias das zonas rurais. Até 2018, o Programa vai contabilizar US$ 233 milhões investidos em ações de desenvolvimento, em 72 municípios.

Produzindo água

Por meio de projetos de conservação dos recursos hídricos, preservação ambiental e boas práticas agrícolas, o Rio Rural vem contribuindo também no aumento da disponibilidade de água para a população fluminense. As ações de preservação das nascentes ganharam grande impulso com a campanha Água Limpa para o Rio Olímpico, lançada em 2010 com a meta de proteger 2.016 nascentes até as Olimpíadas.

O engajamento das comunidades rurais foi tão grande que objetivo foi alcançado ainda em 2015. Segundo dados da Superintendência de Desenvolvimento Sustentável, 3.120 nascentes foram protegidas em todo o estado, o que representa um volume de água de mais de quatro mil piscinas olímpicas cheias, por ano. A campanha também já mobilizou cerca de 1.500 famílias da zona rural em atividades de proteção hídrica.

“Quem preservou, conseguiu, por exemplo, aumentar a oferta de água em sua propriedade e minimizar os efeitos da forte estiagem que atingiu o Rio de Janeiro entre 2013 e 2014”, explica Herval Fernandes Lopes, gerente técnico estadual de Desenvolvimento Sustentável da Emater-Rio.

A campanha Água Limpa para o Rio Olímpico será um dos destaques da Feira Rio Rural, que acontecerá entre os dias 24 e 26 de junho, no Jockey Club da Gávea, na capital fluminense. A ideia é aproximar a população urbana da zona rural e ressaltar a importância da agricultura familiar para a sustentabilidade ambiental e social.

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