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Pesquisa promove seleção de clones de batata resistentes à murcha bacteriana

Data23 junho 2016

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No ranking dos alimentos mais consumidos em todo o mundo, a batata ocupa o terceiro lugar, atrás apenas do arroz e do trigo. No Brasil, a colocação é modesta: conforme levantamento da Ceasa de São Paulo, o brasileiro consome aproximadamente 13 kg/ano, enquanto a média da Europa e de outros países do continente americano é cinco vezes maior. Reduzir essa diferença faz parte dos esforços despendidos pela cadeia produtiva da batata, que vem buscando junto às instituições de pesquisas novos materiais que garantam espécies mais produtivas e livres de pragas e doenças. 

A demanda cresce não apenas nesse sentido, mas também quando a questão envolve a aparência da batata, isto é, a forma pela qual vai ser apresentada ao consumidor. Em resumo: as cultivares que mais competem no mercado e são mais bem-sucedidas têm a boa aparência como caraterística mais importante. Dessa forma, levando em conta não apenas as necessidades em primeiro plano dos produtores, que implicam no acesso a materiais mais produtivos e resistentes – resultando em menos custos de produção -, os programas de melhoramento genético de batata vêm se debruçando para obter também cultivares com mais apelo comercial. 

Com esse objetivo, projetos que agreguem esses componentes estão sendo considerados prioritários pelas lideranças desses programas. Esse é o caso do trabalho pioneiro – pelo que se sabe, único no mundo – que vem sendo desenvolvido pela Embrapa Hortaliças (Brasília-DF) e que tem como proposta a seleção de clones de batata resistentes à murcha bacteriana, causada pela bactéria Ralstonia solanacearum, de difícil controle. 

“Procuramos, ao mesmo tempo, aumentar a resistência e melhorar o aspecto visual do tubérculo”, explicou o pesquisador Carlos Alberto Lopes, que idealizou e coordena o projeto há mais de 25 anos. 

Atualmente, os trabalhos contam com a participação do Centro Internacional de la Papa – CIP (Peru) e do Instituto Nacional de Investigação Agrária – INIA (Chile), através da avaliação de materiais desses países para novos cruzamentos, com apoio do Conselho Pesquisa promove seleção de clones de batata resistentes à murcha bacteriana.

O Programa de Melhoramento Genético ganha reforço no desenvolvimento de novas cultivares Anelise Macedo Arquivo Enbraoa Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o automático alinhamento com os projetos de pesquisa conduzidos pelo pesquisador Arione Pereira, da Embrapa Clima Temperado (Pelotas-RS), coordenador do Programa de Melhoramento Genético de Batata. De acordo com Lopes, anualmente são realizados cruzamentos dos clones de batata – os resistentes à murcha bacteriana com os materiais de padrão comercial, “e que vêm possibilitando progressivos avanços na geração de materiais resistentes e com valor de comercialização”. 

Uma das doenças consideradas mais importantes, a murcha bacteriana ou murchadeira apresenta um alto poder destrutivo sobre a batata, no Brasil e em outros países de clima tropical e subtropical. Responsável por perdas elevadas na produção de batata-consumo e por inviabilizar os campos de certificação de batata-semente, a doença provoca grandes perdas, principalmente no plantio de verão, quando a cultura fica exposta à alta umidade e a temperaturas elevadas, ficando mais vulnerável ao ataque da bactéria. 

“Além de existir no solo, a doença é transmitida pela batata-semente, então para produzir é importante que não haja contaminação, nem do solo e nem da batata-semente”, observa o pesquisador.

 

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