De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Câmara Americana de Comércio, o setor logístico é apontado como o maior gargalo de infraestrutura do Brasil. O segmento lidera com 54% das opiniões, seguido de telecomunicações (30%) e energia (4%). A análise contou com 211 entrevistas entre as empresas relacionadas, no período de 28 de abril a 17 de maio deste ano.
O resultado do levantamento apontou os modais rodoviário e aéreo como os principais entraves do setor logístico no País. Neste aspecto, o Brasil encontra-se em um patamar inferior se comparado aos países que compõem o bloco dos Bric (Brasil, Rússia, China e Índia). “Em 2007, o Brasil tinha apenas 6% das estradas pavimentadas, enquanto esse porcentual era de 67% na Rússia, de 63% na Índia e de 80% na China, diz Maurício Giardello, consultor de projetos de infraestrutura da PricewaterhouseCoopers.
A pesquisa também concluiu que a falta de clareza nas regras, a instabilidade das agências reguladoras, a insegurança jurídica, a legislação ambiental e os aspectos financeiros são considerados os principais obstáculos para eventuais concretizações de projetos de iniciativa privada.
Infraestrutura problemática
De acordo com alguns especialistas no assunto, ainda há muito que se fazer para adaptar o sistema logístico do País ao intenso ritmo de crescimento pelo qual o mesmo vem passando. “O Brasil tem a pior matriz de transporte dos mercados emergentes. 60% do transporte de cargas é feito pelo caro meio rodoviário e 26% por meio de ferrovias”, afirma Samir Keedi, economista da consultoria de transportes e comércio externo Aduaneiras.
Já o professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Manoel Reis, acredita que a saída para este entrave seja o investimento em malhas férreas: “Se não fizermos uma coisa muito clara em transporte ferroviário no Brasil, vamos ter uma queda de posição no comércio internacional muito significativa”.



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