Projeções e análises de modelos que mostram mudanças na geografia de produção das principais culturas agrícolas brasileiras são apontados como fatores que podem causar a redução, em um futuro próximo, do número de municípios aptos a plantarem milho, segundo o zoneamento agrícola de riscos climáticos, e a migração das lavouras de café mais para o Sul do país.
Em relação à produção de milho, o número de municípios em condições de plantio atestadas pelo Ministério da Agricultura cairá de 4400 para 3800 até 2070, segundo as projeções. No entanto, de acordo com o pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp Hilton Silveira Pinto, alternativas para reverter essas projeções têm que ser colocadas em prática. “O objetivo é diminuir a concentração de gases de efeito estufa”, destacou.
Entre essas alternativas, estão o plantio direto na palha, capaz de aumentar o estoque de carbono no solo, a arborização de áreas e a adoção do sistema de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). “Estudos mostram uma absorção de 2,5 toneladas de dióxido de carbono por hectare por ano com esse sistema”, disse o pesquisador.
Atualmente, o Brasil emite, de acordo com Silveira, 1,9 bilhão de toneladas de carbono na atmosfera. Aliada às alternativas anteriores, o pesquisador cita a necessidade de recuperação de mais de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas, “sequestrando carbono e reduzindo os gases de efeito estufa”. “A fixação biológica de nitrogênio é mais uma saída, além de ações contundentes de reflorestamento”, afirmou. O painel foi coordenado pelo pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, Reinaldo Lúcio Gomide, da área de Agrometeorologia.



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