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08 / 02 / 2012
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Floresta em pé pode gerar mais renda do que desmatamento

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O desenvolvimento sustentável da Amazônia é questão polêmica e exige revisão dos modelos de negócios propostos para a preservação. De acordo com Bertha Becker, geógrafa e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a venda de crédito de carbono pode limitar a produtividade da região, se for vista como única alternativa.

Temos de abandonar a ideia de mercantilizar a natureza e encontrar meios para desenvolver a economia, afirmou a pesquisadora durante a 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, realizada em Brasília, no fim de maio.

Para ela, tornar a Amazônia improdutiva é o pior caminho. Não adianta remunerar a preservação, sem dar condições de a população trabalhar e melhorar de vida. A saída é explorar as riquezas da floresta e mantê-la em pé, gerando emprego e renda. Isso só ocorrerá se houver atribuição de valor à região, resgatando o zoneamento ecológico-econômico.

Pela lógica, o modelo permitirá que a exploração dos recursos florestais seja competitivo com as atividades como extração de madeira, pecuária e agricultura. Áreas como biotecnologia e engenharia genética são promissoras na região. Se elas gerarem mais renda que as atividades exercidas atualmente, serão opção natural, comenta Bertha.

O potencial amazônico ganha força com a aplicação de recursos em ciência, tecnologia e inovação, vetor visto como agente de transformação da realidade local. Bertha vê Manaus como uma grife, um centro de serviços ambientais. As questões são globais e temos condições de nos tornar o centro das soluções.

A visão é compartilhada por Sérgio Rezende, ministro de Ciência e Tecnologia. Segundo ele, os estudos sobre mudanças climáticas são estratégicas no ministério. Entre as ações, ele cita a compra de um computador de alta capacidade para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que permite a medição mais adequada do desmatamento. Além disso, a instalação de institutos nacionais de ciência e tecnologia (INCTs) na Amazônia deve fomentar as atividades científicas e mudar a economia na região. Temos cinco institutos no Estado do Amazonas e mais quatro unidades no Pará. Queremos fixar os pesquisadores e trazer soluções que façam sentido para a região, comenta Rezende.

Segundo dados do Ministério de Ciência e Tecnologia, entre 2000 e 2009, foram investidos R$ 2,2 bilhões em ciência, tecnologia e inovação nos Estados da Amazônia Legal. A cifra garantiu que o número de pesquisadores evoluísse 257% no período. A proximidade da pesquisa é que envolverá a sociedade nas mudanças. Não podemos estudar a Amazônia a distância, reforça o Ministro.

Pedro Luiz Barreiros Passos, presidente do conselho do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), defende que inovação e sustentabilidade são faces da mesma moeda. Neste cenário, a economia de baixo carbono tem de estar no centro das decisões empresariais. Ainda não atacamos o problema da devastação. A indústria deve incluir a questão da sustentabilidade na sua base, no seu planejamento e unir-se às universidades na busca de soluções viáveis.

O empresário sustenta que o cenário é favorável para transformamos os rumos do crescimento econômico no país, criando riqueza e traçando caminho para o desenvolvimento sustentável. Entre os bônus ele cita a estabilidade da economia e a janela demográfica - período entre 2000 e 2030 em que a parcela de população economicamente ativa será superior ao número de dependentes. Temos oportunidade de sermos líderes em biotecnologia, biocombustíveis e química verde. Além disso, a exploração de petróleo na camada de pré-sal abre espaço para fomentar uma cadeia de negócios focada na criação de valor, afirma.

A partir do exemplo da Amazônia - e de seu alto potencial para exploração florestal - cientistas e empresários têm ambição de transformar a industrialização no Brasil. A aproximação da academia e das empresas promete criar uma base focada na agregação de valor e na valorização dos recursos naturais dos quais dispomos. A aplicação de ciência e tecnologia nas cadeias de negócios tem a missão de incluir o Brasil na economia verde. Ampliar a eficiência energética e os transportes nas grandes cidades também é pauta para discussão. A preservação das nossas florestas depender de um conjunto de fatores, acredita Passos.

Texto de Ediane Tiago , divulgado no jornal Valor Econômico (www.valoronline.com.br)

 

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