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07 / 02 / 2012
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Comércio de alimentos se prepara para Natal de fartura em 2009

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Inflação sob controle, dólar baixo e ampla oferta de crédito são fatores que sustentam a  retomada da economia brasileira e impulsionam a expectativa otimista dos comerciantes em relação às vendas de final de ano


Otimismo deve ser a palavra que marcará o ânimo da economia brasileira neste final de ano. Faltando poucos dias para as festas natalinas e afastado o fantasma da crise financeira que abalou o mundo em 2008, os comerciantes estão otimistas para fechar 2009 superando as vendas do final do ano passado e as expectativas indicam que a ceia de Natal pode ser a mais barata dos últimos dois anos.

De acordo com levantamento divulgado no início do mês pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), os produtos que compõem o jantar natalino estão mais baratos neste ano. Embora a ceia seja composta por itens que fogem do tradicional e que também estão mais baratos, a FGV destaca que itens básicos como arroz e carnes – que tiveram reduções entre dezembro de 2008 e novembro de 2009 – são os principais responsáveis barateamento do jantar de Natal. No período, o preço do arroz caiu 16,84%, o do frango, 6,13% e o do lombinho suíno, 8,87%. “O foco são os produtos que as famílias consomem o ano inteiro e que fazem parte do Natal. As quedas registradas nos últimos 12 meses nos permitem dizer que em relação a 2008 a ceia está mais barata”, reforçou o economista da FGV André Braz. “O Natal com uma cesta mais completa é o que a gente prevê para 2009”, completou.
A projeção de que o dólar feche 2009 valendo cerca de R$ 1,70 leva a crer que a ceia natalina do brasileiro ficará mais em conta do que no ano passado, quando a moeda norte-americana valia R$ 2,33.

Segundo o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Sussumu Honda, os produtos importados como castanha portuguesa, nozes, avelãs, amêndoas, condimentos, vinhos estrangeiros e outros tendem a ficar mais baratos. No caso dos produtos tradicionais e de importação contínua, como bacalhau, azeite e mesmo alguns tipos de frutas oleaginosas que passaram a ser vendidas no dia a dia, a variação será menor. “A variação [dos preços] desses produtos é menor porque, como no ano passado o dólar subiu muito, os importadores procuraram segurar os preços, trabalhando com dólar médio, então o produto não chegou a subir tanto”.

Ceagesp

A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerias de São Paulo) se prepara para encerrar o ano com crescimento de 2% no volume comercializado em comparação com 2008, quando a estatal bateu o recorde histórico dos últimos 20 anos, com cerca de 2,9 milhões de toneladas de flores, frutas, verduras e pescados. Segundo o economista Flávio Godas, chefe da Seção de Economia e Desenvolvimento da estatal, o fluxo financeiro, que no ano passado movimentou quase R$ 4 bilhões, deve subir cerca de 10% a 12%, impulsionado pelo aumento de produtos importados, que apresentam maior valor agregado. “O dólar baixo favoreceu as importações”, observa Godas.
Apesar de ainda não ter atingido o pico, o movimento de final de ano já é perceptível e os comerciantes são unânimes em dizer que já estão preparados para a segunda quinzena de dezembro, época em que as vendas, principalmente de perecíveis, ficam mais aquecidas em virtude do Natal. Somente em dezembro de 2008, a Ceagesp comercializou cerca de 288 mil toneladas de produtos, volume que este ano deve atingir 399 mil toneladas, segundo estimativas da companhia.

Inflação sob controle, dólar baixo e ampla oferta de crédito são fatores que sustentam a  retomada da economia brasileira e a expectativa otimista dos comerciantes em relação às vendas de final de ano. O comprador dos Supermercados São Roque, Murillo Silveira Filho, é prova desse otimismo. Todos os dias ele compra quatro caminhões de frutas e verduras na Ceagesp para abastecer as 14 lojas da rede, localizadas em cidades do interior paulista. Por conta do Natal, já está comprando dois caminhões a mais de produtos e reforçou o volume de compras das chamadas frutas de caroço, as mais consumidas no Natal, como uva, pêssego, ameixa e nectarina. De acordo com ele, a expectativa da rede é vender 15% mais em relação a 2008. “No ano passado havia a crise econômica que assustou os consumidores, mas este ano está diferente, já sinto uma certa euforia nas pessoas”, opina. Outro exemplo é o crescimento nas vendas de produtos importados, como bacalhau e castanha portuguesa. “A queda do dólar vai aumentar o volume de compra desses produtos em cerca de 10%”, prevê Silveira.

Outro que aposta num bom cenário é Gilson Martins, gerente da distribuidora e atacadista de frutas Hetros, instalada no entreposto paulistano da Ceagesp. Para expandir os negócios, a empresa adquiriu mais um box e, assim, está comprando maior quantidade de produtos. Martins cita a romã, fruta símbolo das simpatias de ano novo, como exemplo que faz sucesso nesta época. A caixa com 13 quilos da fruta vinda dos Estados Unidos é vendida a R$ 110 e, apesar do preço, tem apresentado boa procura, com um aumento de 60% nas vendas em relação a 2008, segundo Martins. Tanto que antes ele comprava em menor quantidade, via fretamento aéreo e agora é comprada em container. “Reduziu o custo de frete e a qualidade do produto também está superior, com um ótimo sabor”, diz.  “Por tudo isso estou apostando num crescimento de 20% nas vendas em relação ao ano passado”, completa.

 

Mercados municipais

Pelos 14 mercados municipais da capital paulista também passa grande parte dos alimentos que abastecem a população da maior cidade do país. No período que antecede as festas de final de ano, os comerciantes já reforçam seus estoques para atender ao público que aumenta de forma significativa em dezembro.

De acordo com a Acomel (Associação dos Comerciantes do Mercado da Lapa), passam pelo local cerca de oito mil pessoas por dia, mas em dezembro o movimento é 30% maior. Para o proprietário do empório Rei do Bacalhau, Roberto Brunasse, tudo indica que este Natal será melhor do que o anterior, com um aumento de 10% nas vendas em relação ao ano passado. Frutas secas e bacalhau são os produtos mais vendidos. “O bacalhau está há dois anos com o mesmo preço e já virou tradição na ceia do brasileiro”, comemora.

Já Risonaldo Silva, gerente do empório Lucky, também instalado no mercado da Lapa, aposta nas frutas cristalizadas como as campeãs de vendas deste Natal, tanto que normalmente costuma comprar 50 quilos dessas frutas, mas já ampliou os estoques adquirindo uma tonelada do produto para as festas. “Os preços estão bons e a expectativa é melhor ainda”, diz.

O Mercado Municipal Paulistano, popularmente conhecido como Mercadão, movimenta 350 toneladas de alimentos diariamente. Nas semanas que antecedem o Natal, a circulação de pessoas que vêm de todos os cantos do Estado fica bem maior. É neste clima que o comerciante Pedro Pereira da Cruz, proprietário da Banca do Juca, uma das mais tradicionais do Mercadão, espera a chegada da segunda quinzena do mês, quando as vendas de frutas perecíveis consumidas no Natal atingem o ápice. “Os preços estão razoáveis e estou otimista para fazer boas vendas neste fim de ano” diz Cruz.
Com informações da Agência Brasil

 

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