Seis produtores de laranja orgânica de Capitão-Poço, no nordeste paraense, estão vendendo a safra para uma empresa catarinense, que exporta suco para o Oriente Médio. São 55 hectares de laranja orgânica que rendem uma safra anual de 500 toneladas, sendo que 70% da produção é escoada para a indústria exportadora e o restante vai para supermercados e feiras da capital Belém.
Para obter a certificação sem a qual não é possível exportar, os produtores assinaram contratos da modalidade "guarda-chuva" com a exportadora para que a indústria patrocinasse a certificação em troca da prioridade na compra das laranjas. "Essa, de algum modo, ainda é a única opção para o pequeno produtor poder exportar, já que a certificação custa em torno de R$ 15 mil, um preço muito alto para o agricultor familiar, e o selo precisa ser renovado anualmente", justifica o engenheiro agrônomo Jerry Siqueira, chefe do escritório local da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará) que, junto com a prefeitura do município de Capitão-Poço, intermediou todo o processo de certificação junto a institui&cce dil;ões credenciadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
De acordo ainda com Siqueira, embora a crise mundial tenha impactado na cotação do suco de laranja, a citricultura continua sendo um bom negócio, ainda mais quando se trata de produção orgânica, cujo preço pago ao produtor é cerca de 30% maior. Nesse sistema, o cultivo se dá por compostagem orgânica com material coletado na própria comunidade, sem produtos químicos. É feito trabalho fitossanitário, a partir de produtos alternativos, como alhol (composto de alho, álcool e água) e tucupi. O controle de ervas daninhas é realizado apenas com roçagens entre as linhas de plantio.



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