Citricultor há 22 anos, Geraldo Killer sente no dia a dia as principais dificuldades vividas pelo setor. Durante sua apresentação no encontro realizado em Cordeirópolis, ele também lembrou que o greening está tirando o sono dos produtores.
Em entrevista ao Jornal Entreposto, Killer foi enfático sobre a doença: “O perigo é iminente e o risco é elevado”. A seguir, trechos da conversa:
JE – Quais gargalos afetam a citricultura nacional?
Killer – Em relação ao citros de mesa, a maior dificuldade enfrentada pelos produtores é a falta de opção de novas variedades de frutas de descascar com a mão. Falta uma integração entre produtor e a ciência. Por indução e pedido do produtor, que conhece as preferências do consumidor, os centros de pesquisas teriam de desenvolver novas variedades para plantar e colocar no mercado.
JE – Quais as variedades mais comuns de citros de mesa cultivados no Brasil?
Killer – Em relação aos frutos de mesa de fácil descascamento, as variedades mais comuns são as poncãs e a família das mexericas. Em seguida, temos a murcott, com a casca mais firme e que é mais tardia.
JE - Como está a questão do greening no país?
Killer – Atualmente, o greening é a doença mais nova e perigosa dos citros no Brasil e continua se alastrando. Houve uma mudança nos órgãos que regula a inspeção e isso é muito preocupante. O produtor precisa estar mais consciente do que está fazendo. O perigo é iminente, o risco é elevado. Algumas variedades são mais afetadas e algumas regiões são mais ainda. Essa situação vem tirando muita gente do mercado. Alguns grandes grupos estão perdendo fazendas, que eram grandes áreas de investimento. Tem de haver uma rápida e firme ação, com medidas fortes e rápidas para combater a doença.
JE – E qual a maior dificuldade enfrentada em relação à logística?
Killer – As Ceasas tem um modelo muito ultrapassado de distribuição. Temos de copiar modelos e fazer adaptações, tirando essas centrais de grandes regiões metropolitanas. As centrais apresentam um trabalho muito ruim com esses produtos destinados à alimentação. Podemos ver lixo pelo chão, pessoas pisando em frutas. E as centrais ainda encarecem muito o produto. Ao invés de agregar valor, elas depreciam o produto. Esse é o conceito que eu tenho. Não gosto de ir até uma Ceasa, mas é o único lugar que distribui um grande volume de frutas. Acredito que precisa de uma revisão completa nesse sistema logístico, que se concentra na Ceagesp.
JE – Qual seria a solução para a Ceagesp em São Paulo: revitalizá-la ou mudá-la?
Killer –A solução seria mudar de local, como o Rodoanel e o governo tem de fazer o papel dele, continuar sendo o ‘paizão’ do setor. Se não for assim, é melhor passar para a iniciativa privada. Afinal, se é para fazer mal feito, é melhor não fazer.



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