Controle do greening e de outras doenças, manejo, valoração, tecnologia e qualidade centralizam discussões
O encontro técnico “Citros de Mesa: da produção à comercialização”, realizado dia 15, no Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis (SP), reuniu os principais nomes da citricultura paulista para debater os desafios atuais e as perspectivas para setor nos próximos anos.
A pinta preta e o greening na laranja e a mancha marrom de alternaria na murcott continuam ameaçando os pomares do estado. A taxa de câmbio também preocupa quem exporta, analisaram os especialistas.
Segundo o engenheiro agrônomo Arlindo de Salvo Filho, consultor desse mercado desde 1977, o greening já afeta 30% da produção nacional. “Nos próximos três anos, o volume de queda da produção brasileira, em função dessa doença, será ainda maior e o nosso parque citrícola, que gera 400 mil empregos diretos e mais de US$ 1 bilhão, poderá ser destruído”, alertou.
“Isso já aconteceu nos EUA, na China e na África do Sul e serve de aviso para nós. Os produtores da Flórida descuidaram de seus laranjais e a produção foi dizimada. Nos próximos três ou quatro anos, a produção daquele estado norte-americano deve ser menor que 100 milhões de caixas”, acrescentou.
Transmitida pelo inseto psilídeo, o greening entope o florema da planta, que, por sua vez, não dá frutos. “E quando ela produz, eles caem antes da colheita”, explica, lembrando que a solução para o problema está na engenharia genética.
“Isso vai demorar oito anos para acontecer. E corre-se o risco de a n
ova variedade resistente desenvolvida não ser adaptável ao mercado”, salientou.
Na avaliação do biólogo Carlos Van Parys de Wit, diretor financeiro da Fazenda Sete Lagoas, a obsolência da lei de propriedade intelectual adotada pelo Brasil é um entrave às pesquisas no país.
“Adotamos a Upov [Convenção Internacional para Proteção das Obtenções Vegetais] 1978, sendo que ela já está em sua versão 2003. Ou seja, se alguém patentear uma nova variedade no país e esta planta for roubada, nada acontece”, explicou.
“Temos, aí, a seguinte situação: o governo não subsidia a pesquisa e nenhum laboratório privado tem o interesse em fazê-la”, completou.
De acordo com o executivo, outro grande desafio do setor é a padronização, uma demanda dos mercados interno e externo. “Precisamos padronizar os citros. Comenta-se, inclusive, que nos próximos dois anos a Europa deverá impor uma nova barreira comercial para o Brasil”, disse. No evento promovido em Cordeirópolis, também proferiram palestras Eduardo Feichtenberger (Instituto Biológico), Ondino Cleante Bataglia (Conplant), Luciano Gasparini (Defensive), Camilo Medina (Gconci), Geraldo Killer (Citrus Killer), Lenice Magali do Nascimento (IAC), Gabriel Bittencourt de Almeida (Ceagesp), Roberto Fkugatti (Fazenda Santa Eliza), David Ferreira (Dfskill), Luiz Fernando Musa (Ogilvy & Mather Brasil), Waldyr Promicia e Antonio Ambrósio Amaro.
Pioneiros da fruticultura são homenageados
Ao fim do encontro técnico “Citros de Mesa: da produção à comercialização”, realizado em Cordeirópolis, as famílias pioneiras da atividade foram agraciadas com uma placa comemorativa instalada em sua homenagem no Centro de Citricultura Sylvio Moreira.




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