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21 / 05 / 2012
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Colheita de verão aumenta oferta de alimentos

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Os agricultores de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul, que iniciaram a colheita da safra de verão em janeiro, esperam obter cerca de 119 milhões de toneladas de grãos até o fim de abril. Esse valor representa 80% das 149,4 milhões de toneladas previstas para o ciclo agrícola 2010/2011. Esses números incluem a colheita de milho, arroz e soja, que está começando, e a do feijão primeira safra, em fase final. O governo avalia que a entrada da safra de verão no mercado terá como resultado a desaceleração dos preços dos alimentos e dos índices de inflação.

“Em função da importância e do peso que esses produtos têm no cálculo dos índices de inflação, acredito que o início da colheita poderá ter impacto no bolso do consumidor”, afirma Carlos Bestétti, gerente de levantamento e acompanhamento de safras da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

“Grãos como arroz, feijão, milho, soja e trigo têm tido comportamento normal, considerados os períodos de safra e entressafra”, analisa Besttéti. O arroz e o trigo tiveram valores de mercado abaixo do preço mínimo fixado pelo governo federal. Já o feijão apresenta variações conforme a sazonalidade.

Na maior parte da sua comercialização, os preços do milho ficaram próximos do mínimo, o que permitiu aos produtores de suínos e aves a aquisição de volumes suficientes para suas atividades anuais. A soja teve flutuação maior, tanto em relação à baixa ocorrida durante a safra, como à alta na entressafra, considerada normal.

A primeira safra de feijão já foi colhida em Mato Grosso do Sul. Em Goiás, esse volume chegou a 70%; em São Paulo e no Rio Grande do Sul, a 60% e, em Mato Grosso, a 45% do total plantado.

A colheita de arroz no Rio Grande do Sul está no início. Em Mato Grosso do Sul, atingiu 30% da lavoura. Já o milho apresenta resultados iniciais no Rio Grande do Sul (15%), em Mato Grosso do Sul (2,5%) e no Paraná (1,5%). Em Goiás, 8% da soja já foi colhida e, em Mato Grosso, perto de 3%. Em São Paulo (2,5%), no Paraná (1,6%) e em Mato Grosso do Sul (1%), o trabalho está começando.

No mapa da agricultura brasileira, o Paraná lidera com 21,6% da produção, seguido de Mato Grosso (19,3%) e do Rio Grande do Sul (16,9%). Os três estados juntos garantem mais da metade do que o país produz.

O fenômeno La Niña pode continuar por mais três meses, informou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). “O fenômeno climático continua influenciando tanto no desenvolvimento vegetativo, de forma positiva, como na colheita, negativamente”, explica Carlos Bestétti, gerente da Conab. “No momento, a cultura mais prejudicada é o feijão primeira safra, que se encontra em plena colheita. A consequência imediata é a perda de qualidade do produto”.

Essa influência pode ser melhor observada na redução de precipitações no sul e oeste do Rio Grande do Sul, desde outubro passado até a primeira quinzena de janeiro. Também determinou, no início do período de chuvas, a redução das precipitações na região Centro-Oeste, situação normalizada após a segunda quinzena de outubro. Nos próximos dez dias, o instituto prevê chuva na região Sul, especialmente no Paraná, e no Centro-Oeste, em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Inmet, a formação do La Niña favorece a ocorrência de mais chuvas no semi-árido nordestino. Essas condições diminuem o risco da seca e beneficiam a agricultura.

O gerente da Conab explica que a procura por alimentos brasileiros deve aumentar. “Com a diminuição da oferta de determinados produtos, os países tradicionalmente importadores buscam novas fontes para suprir o consumo”, afirma Carlos Bestétti. “Com isso, outros países, não tradicionais, podem ser beneficiados pela oportunidade de exportar excedentes com dificuldade de mercado em épocas normais. No caso do Brasil, a exportação de produtos como o milho, o arroz e o trigo poderá ser ampliada”.

O coordenador de Oleaginosas e Fibras do Ministério da Agricultura, Sávio Pereira, cita o exemplo dos Estados Unidos. Na safra 2010/11, o país deixou os estoques finais de soja e milho em níveis muito baixos. Esta redução impulsionou a volatilidade dos seus preços nos mercados mundiais. Por conta de exemplos como esse, Pereira acredita que a ideia de desabastecimento ou crise na oferta de alimentos não é real.

 


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