Os hábitos brasileiros de consumo de final de ano – comprar presentes e novos aparelhos eletroeletrônicos, reformar a residência ou a decoração e investir nas férias da família – deverão encontrar plena expressão comercial neste mês de dezembro, ainda que a conjuntura aponte para um cenário mais contido.
Ao longo dos últimos anos a economia brasileira tem se mantido em ritmo aquecido, exibindo altas taxas de crescimento anual. Estas têm sido impulsionadas e sustentadas, fundamentalmente, pelo consumo das famílias – que chega a representar mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do País – e pelos serviços. Estes últimos, em boa parte, decorrentes do primeiro fator.
Apenas a partir do terceiro trimestre de 2011 é que sinais de desaceleração passaram a ser contabilizados, haja vista que o PIB do período estagnou frente aos resultados do trimestre anterior. Além disso, a economia nos meses de julho a setembro de 2011 mostrou o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009, quando o mercado se retraiu fortemente em decorrências das apreensões deflagradas pelo estouro da crise imobiliária norte-americana, em setembro de 2008.
Esse novo cenário, marcado pelos riscos e incertezas crescentes quanto ao futuro da economia mundial, especialmente na zona do euro, vem levando à revisão das previsões de crescimento anual da economia brasileira neste ano e, também, em 2012, para algo não superior a 3%. Apesar deste contexto macroeconômico desfavorável, as expectativas de vendas para o Natal, principal data para o comércio, permanecem otimistas.
Sensível às condições e à oferta do crédito, o consumidor deverá responder ao afrouxamento das restrições anteriormente impostas pelo governo federal e aos novos estímulos para aquisição de crédito. Além disso, seu comportamento será também seguramente influenciado pelas injeções de novos recursos na economia: cerca de R$ 122 bilhões, do 13º salário e R$ 64 bilhões, no início do ano, em decorrência do aumento de 14,3% pactuado para o reajuste do salário mínimo.
O setor de flores e plantas ornamentais, particularmente, segue contabilizando resultados altamente animadores. Para 2011, as principais cooperativas, empresas e lideranças setoriais já fecharam suas projeções apontando para um crescimento da ordem de 10% nos valores de comercialização frente ao ano passado, o que elevará o faturamento da floricultura para perto de R$ 4,2 bilhões.
Isso significa que a cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais sustentará um crescimento cerca de três vezes maior do que o projetado para a economia brasileira em geral. Parte desse desempenho será seguramente devido ao grande vigor econômico sustentado pelo Brasil, com ótimos indicadores sociais recentes de emprego, ocupação e crescimento da renda de amplas parcelas da população. Além destes, há que se considerar, ainda, outros pontos relevantes da estruturação competitiva do setor, que agrega a modernização técnica e logística da cadeia de distribuição – especialmente a ampliação e modernização das plataformas de comercialização e da cadeia do frio – e o crescimento das vendas nos canais de autosserviço.
O mercado de flores e plantas ornamentais nos finais de ano costuma ser aquecido, exibindo índices médios de crescimento de vendas de 5% em volume e de até 17% no valor, em relação à movimentação também média dos demais meses do ano.
Especificamente, por ocasião das festas natalinas, diversas flores e plantas ornamentais adquirem notoriedade e passam a ser consumidas em quantidades sazonalmente marcantes. Entre essas, destacam-se: ciprestes, pinheiros, tuias, tuias holandesas e poinsétias (bico-de-papagaio). Para esses produtos, o pico de vendas ocorre do final do mês de novembro até o dia do Natal. Outras espécies que conquistam maior preferência nas compras da época são aquelas que produzem flores vermelhas, com destaque para: gérberas, amarílis, zantedeschias (copos-de-leite) coloridas, antúrios, lírios, crisântemos e gladíolos.
Já para o Réveillon a preferência recai sobre as flores brancas com destaque para rosas, gladíolos (palmas-de-santa-rita), crisântemos, margaridas, lírios, áster e gypsophilla, entre outras. Parte dessa tradição foi herdada dos rituais afro-brasileiros, especialmente da umbanda e do candomblé, com destaque para as cerimônias de lançamento ao mar das oferendas a Iemanjá, na passagem do ano.
Na praia de Copacabana (RJ) desde 2003, com o crescimento do turismo, esta cerimônia – considerada a mais tradicional e notória de todas – foi transferida para o dia 29 de dezembro. Mas, no restante do Brasil, flores brancas – que simbolizam paz, pureza e harmonia e que, segundo a tradição, são as únicas aceitas pelo orixá – são lançadas para a divindade no último dia do ano. E, se na região não existe mar, os devotos logo se lembram de que os rios, lagos e cachoeiras também pertencem aos domínios de Iemanjá.
O uso de outras cores para as flores jogadas ao mar, ou às águas em geral, representa miscigenações e superposições ao ritual religioso, mas está afeto à esfera da simbologia profana, nas quais se adotam diferentes cores para os pedidos relacionados ao amor (rosa), paixão (vermelho) e prosperidade (amarelo).
Imbuídos das melhores esperanças, ao finalizarmos essa nossa última coluna do ano, queremos desejar a todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de paz, saúde e muitas realizações! E bons negócios!



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