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21 / 05 / 2012
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Flores e plantas: hábitos de cosumo natalino

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O Natal, como todos sabemos, constitui-se na maior festa do comércio em quase todo o mundo. E, assim também, o é no Brasil. Para ela se preparam, com a antecedência possível, produtores, distribuidores, atacadistas, varejistas, prestadores de serviços. E, é claro, os bolsos dos consumidores. Afinal, se existe uma coisa que o mercado sazonal exige, esta é o planejamento. Atento e minucioso, diga-se, para que possa dar conta de, em poucos dias, garantir o sucesso de todo um ramo de negócios.

Ainda que para a Cadeia Produtiva de Flores e Plantas Ornamentais essa não seja a principal data para as vendas – haja vista que a todo ano é suplantada pelo Dia das Mães e dos Namorados – o comércio natalino sustenta volumes consideráveis de negócios setoriais. A começar, é claro, pela insubstituível árvore de Natal.
Originário da tradição pagã do nordeste europeu, esse ornamento encontra-se profundamente arraigado na tradição cultural brasileira da celebração natalina. Certamente, a árvore de Natal, assim como inúmeros elementos simbólicos religiosos e festivos, foi por nós herdada do colonizador português e, o imaginário a ela associado, ratificado pelas sucessivas ondas de imigrantes italianos, alemães, poloneses - entre tantas outras etnias-, que por aqui foram aportando.

No Brasil urbano contemporâneo, duas espécies arbóreas se destacam na ornamentação natalina: a tuia holandesa (Cupressus macrocarpa) e o pinheiro. A primeira constitui-se na líder de vendas, com a comercialização anual de mais de 270 mil unidades, apenas para essa finalidade. Nos meses de novembro e dezembro ocorrem mais de 80% das vendas das tuias produzidas. O restante é vendido, ao longo do ano, para paisagismo e jardinagem. Seus preços são formados de acordo com a variedade (que pode ser a áurea, maçã, limão, Europa, prata e a stricta, de folhas mais escuras e galhos mais resistentes para a decoração), porte e altura da planta. Para os brasileiros, a altura preferida para sua árvore de Natal é a de 1,5 metro, embora nos últimos anos se observem vendas crescentes para as de porte inferior, com apenas 0,70 metro.

Quanto aos pinheiros as principais variedades comercializadas são o cipreste, o  pinheiro-prateado, o pinheiro-dourado e o pinheiro-azul, todos do gênero Chamaecyparis. A comercialização dessas plantas nos principais mercados atacadistas costuma aumentar, em média, 70% entre a primeira quinzena de novembro e o Natal.
Outra planta ornamental que vem ganhando grande destaque no comércio sazonal natalino é a poinsétia, não apenas na sua versão vermelha, tradicional, mas também nas rosa, branca, amarela e creme. A planta passou a ser chamada no mercado pelo seu antigo nome científico (Poinsettia pulcherrima), mas, em realidade, continua sendo a velha conhecida “bico-de-papagaio”, dos canteiros da vovó. Arbusto semi-lenhoso, da família das Euphorbiáceas, originário do México, a planta faz parte dos jardins das fazendas brasileiras desde o século XIX.

Só que, agora, essas plantas se apresentam melhoradas geneticamente e culturalmente miniaturizadas para o cultivo e comercialização em vasos, já em plena floração. Na Cooperativa Veiling Holambra  - principal centro de comercialização atacadista da floricultura brasileira - só na época do Natal são vendidas cerca de 700 mil unidades dessas plantas. O hábito de comprar poinsétias para a ornamentação natalina no Brasil é relativamente recente e influenciado pelos padrões norte-americano e europeu. No nosso país, o crescimento do seu consumo está associado também aos seus preços mais acessíveis em comparação com outras opções de flores envasadas para o período e, ainda, à cultura do transplantio das poinsétias utilizadas na decoração posteriormente para os jardins residenciais ou condominiais, onde não apenas sobrevivem, mas podem tornar-se arbustos interessantes do ponto de vista ornamental.

Finalmente, entre os hábitos de consumo natalino, cabe destacar as flores de coloração vermelha, a qual, na tradição cristã, possui fortes significados associados ao amor, à paixão e ao sacrifício de Cristo. Por isso mesmo, essa cor é eleita como um grande símbolo da data e costuma ser reproduzida em todos os adornos, além das flores – de corte e envasadas - que tanto podem ser as rosas (Rosa sp.), gérberas (Gerbera jamesonii), amarílis ou açucenas (Hyppeastrum sp.),  begônias (Begonia sp.) lírios (Lilium sp.) e gladíolos (Gladiolus x grandiflorus) entre muitas outras opções. Vale estar atento para o fato de que a oferta da maioria dessas espécies não costuma aumentar nesta época do ano. Aliás, muitas delas costumam ter redução, devido ao calor, o que contribui para a notável elevação de seus preços, que podem até triplicar no período.

No Brasil, atualmente, o mercado brasileiro de lírios envasados movimenta pouco mais de 4 milhões de unidades por ano, com a oferta concentrada para as vendas para o Dia das Mães (segundo domingo do mês de maio) e em dezembro, justamente focado na ornamentação natalina e do Réveillon. Para as gérberas vermelhas, o potencial de mercado por ocasião do Natal é estimado em cerca de 1 milhão de hastes.  No caso do amarílis, sua venda anual é da ordem de 500 mil vasos, principalmente nas cores vermelha e branca, bastante atraentes. Muitas  vantagens  contribuem para a crescente popularização desta espécie, especialmente a grandeza e a robustez da flor, além da  durabilidade e versatilidade da planta para a confecção dos arranjos natalinos.
 No segmento dos complementos florais as espigas branqueadas do trigo estarão, em 2011 - como, aliás, sempre estiveram - entre os favoritos. Representam a abundância e a prosperidade que desejamos a todos.

 


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