A análise da evolução do mercado de flores e plantas ornamentais no Brasil tem mostrado, de maneira inconfundível, a importância do consumo interno na sustentação e dinamização dos negócios setoriais da floricultura nos últimos anos. De fato, tem-se observado seguidamente a ocorrência de indicadores anuais de crescimento da ordem de 8% a 10% na oferta física de mercadorias, que vem se fazendo acompanhar de aumentos entre 12% a 15% do faturamento setorial.
Em 2010, a movimentação financeira global da floricultura empresarial brasileira foi de R$ 3,8 bilhões e, diferentemente do que ocorreu com importantes produtores latino-americanos vizinhos – como Colômbia, Equador e Costa Rica – não se ressentiu dos reveses na demanda mundial pelos produtos do setor. Para 2011, as principais cooperativas, empresas e lideranças setoriais já apontam para um crescimento da ordem de 10% nos valores de comercialização, o que elevará o faturamento da floricultura para perto de R$ 4,2 bilhões.
Atualmente, o consumo per capita anual no país já atinge o valor de R$ 20, que, embora fique muito aquém dos parâmetros comparativos em termos internacionais, sinaliza um setor aquecido e em franca expansão, o que favorece os investimentos bem planejados e a confiança no futuro da atividade.
Parte desse desempenho é seguramente devido ao grande vigor econômico sustentado pelo Brasil, com ótimos indicadores sociais recentes de emprego, ocupação e crescimento da renda de amplas parcelas da população. Porém, é fácil constatar que o aumento do consumo na cadeia produtiva da floricultura tem sido muito mais intenso do que o da média da economia. Em 2010, o crescimento do PIB brasileiro foi da ordem de 7,5% e o da floricultura, 15%. Em 2011, enquanto os analistas apontam para o arrefecimento do mercado, com projeções inseguras quanto a uma taxa de crescimento da ordem de 3,5%, a cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais sustenta um crescimento cerca de três vezes maior.
Além destes fatores, há que se considerar ainda outros pontos relevantes da estruturação competitiva do setor, que agrega a modernização técnica e logística da cadeia de distribuição e o crescimento das vendas nos canais de autosserviço.
Neste contexto, torna-se extremamente importante refletir sobre a dinâmica do consumo de flores e plantas ornamentais no mercado interno do país, com o objetivo de identificar e qualificar as suas principais condicionantes. Esta é a forma mais direta e segura para que as empresas, cooperativas e entidades setoriais de representação possam oferecer estratégias consistentes que venham a garantir a perenidade deste movimento sustentado de crescimento.
O Brasil não conta, até o momento, com a realização de uma pesquisa focada na compreensão global dos hábitos, comportamentos, dinâmicas e determinantes qualitativas e quantitativas das compras de flores e plantas ornamentais. Poucas iniciativas têm sido realizadas, quase sempre condicionadas por cortes e perspectivas regionais e em períodos muito distintos de tempo, o que não tem permitido a construção de um conhecimento sólido, estruturado e conseqüente sobre o setor. Além disso, nossas pesquisas têm revelado que grande parte desses estudos já realizados concentra-se sobre premissas, estereótipos e pré-conceitos que não se sustentam frente aos parâmetros de uma investigação mais criteriosa.
Para que a floricultura brasileira possa maximizar o aproveitamento das novas oportunidades de negócios que surgem – especialmente no contexto do boom imobiliário e da chegada dos macroeventos esportivos mundiais de 2014 e 2016 – será de fundamental importância investir na concepção e execução de um projeto focado no estudo do consumo, tanto no contexto atual, quanto prospectivo nos cenários dos próximos três, cinco, dez e 15 anos.
As entidades representativas da floricultura, como o Ibraflor e as câmaras setoriais nacional e estaduais, poderão ser importantes dinamizadores e coordenadores dessa iniciativa. Porém, a participação ativa e parceira dos órgãos de fomento e apoio, bem como dos produtores e das empresas da cadeia produtiva serão fundamentais.
Na contemporaneidade, o consumo reflete aspectos relevantes das expressões identitárias pessoais e grupais e, assim, se reveste de significados narrativos sobre quem somos, o que pensamos e o que sentimos em relação a nós mesmos, ao mundo e à natureza que nos cerca.
Compreender e atuar proativamente neste campo exige conhecimento, preparo e foco estratégico. Trata-se, seguramente, de um desafio ao qual produtores, empresários e lideranças da cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais não podem mais se furtar.



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