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21 / 05 / 2012
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Identidades regionais do paisagismo brasileiro: oportunidades de negócios na Copa 2014

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O Brasil experimenta uma situação particularmente destacada no cenário internacional ao constituir-se em sede dos dois maiores macro-eventos esportivos mundiais: a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, na cidade do Rio de Janeiro, em 2016.
Como já tivemos oportunidade de destacar em colunas anteriores, tais fatos produzirão importantes impactos sobre a cadeia produtiva de flores e plantas ornamentais do Brasil, particularmente, nos setores envolvidos com as indústrias do paisagismo e dos serviços de decoração e ornamentação de eventos, cerimoniais e equipamentos ligados ao turismo receptivo.

Para além do consumo material imediato tanto das mercadorias, quanto dos serviços setoriais, esses eventos constituirão oportunidades ímpares de projeção da imagem internacional do Brasil como destino sustentável e seguro para a realização de novos negócios e investimentos. Entre esses, os empreendimentos imobiliários internacionais se projetam entre os mais promissores, o que, certamente, resultará na implantação de novos e importantes complexos turísticos, residenciais, comerciais e urbanísticos no País, nos próximos anos. Tudo isso sinaliza para uma realimentação virtuosa permanente dos produtos e serviços ligados ao paisagismo urbano, tanto nos segmentos institucionais e empresariais, quanto nas áreas comercial, residencial e condominial.
Como exemplo desse enorme potencial, não se pode deixar de relembrar o cenário vivido pela China por ocasião das Olimpíadas de 2008, no qual aquele país encantou o mundo com seus magníficos jardins e topiarias florais especialmente construídos para os eventos esportivos. Os chineses fixaram, assim, a imagem da sua capacidade de planejamento, organização e coordenação das atividades de ambientação e ornamentação urbana e, sem dúvida, contabilizaram incríveis números de produção de flores e plantas ornamentais, de consumo de sementes, mudas e insumos afins e de ocupação de mão de obra.


Naquela oportunidade, foram envolvidos na atividade produtiva chinesa das flores e plantas ornamentais 30 mil camponeses, os quais geraram 70 milhões de unidades de vasos com esses produtos. Desse total, 40 milhões de unidades foram dispostas no Estádio Olímpico de Pequim – que ficou internacionalmente conhecido como “ninho de pássaro” – e na Vila Olímpica, da qual 40% de seu espaço total de 66 hectares permaneceram totalmente ornamentados com flores naturais durante todo o período de duração dos jogos. Porém, muito mais importante do que a magnitude e a majestade desses eventos para Pequim, o que realmente conta são os legados culturais e urbanísticos dessas iniciativas, que não apenas informam e educam para o consumo, mas que criam e consolidam novos hábitos de relacionamento humano com o meio ambiente, com a natureza e com as ornamentações florais e paisagísticas. Estes, sim, serão os verdadeiros impulsionadores permanentes de uma indústria florícola potente e sustentável.


No caso brasileiro, especialmente em relação à Copa 2014, é altamente recomendável que os projetos paisagísticos e de ornamentação floral contemplem as diferentes naturezas identitárias das floras nativas regionais, das culturas e das heranças paisagísticas das cinco macrorregiões geográficas do país. Afinal, estes são entendidos como os principais eixos desejáveis da dinâmica do desenvolvimento da arte floral e do paisagismo contemporâneos. Tudo isso trará, seguramente, inúmeros benefícios para a imagem e a economia nacional, tanto na promoção do turismo – centrado na promoção das diversidades natural e cultural brasileiras-, quanto do ponto de vista da sustentabilidade ambiental e ecológica. Neste caso, ao incentivar a expressão das diferentes feições e repertórios florísticos e paisagísticos regionais - valorizando o cultivo e a exploração econômica sustentável das floras nativas e/ou exóticas cultural e historicamente adaptadas-, se estará atuando favoravelmente no sentido de conferir proteção à biodiversidade nacional e favorecendo as economias  produtivas locais.


No bojo de todas essas conquistas, o aumento da demanda por flores e plantas ornamentais deverá acompanhar de perto toda a evolução do mercado, gerando novas e significativas oportunidades de negócios para as quais convém que os produtores e demais agentes empreendedores estejam atentos e preparados. No entanto, fica a mensagem: para que desfrutemos todos desse potencial, o momento de pensar, avaliar, planejar, decidir e investir é agora. O Ibraflor, as câmaras setoriais de floricultura nacional e estaduais, as associações e cooperativas do setor são os fóruns por excelência para esse encontro.

*Antonio Hélio Junqueira é engenheiro agrônomo pós graduado em Desenvolvimento Rural e Abastecimento Alimentar Urbano e sócio administrador da Hórtica Consultoria

 

 


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