Objetivo é desmistificar a ideia de que seus livros tratam apenas de assuntos técnicos; títulos sobre gastronomia e com temática infanto-juvenis foram os mais procurados
Popularizar a ciência na maior cidade do Brasil e desmistificar a ideia de que suas publicações são voltadas somente ao público com conhecimento técnico sobre agropecuária. Foi com esses objetivos, além de ampliar a rede de parceiros que revendem seus títulos, que a Livraria Embrapa, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, participou da 21ª edição da Bienal Internacional do Livro, realizada este mês na capital paulista.
Grande parte dos títulos tem como público-alvo engenheiros agrônomos, estudantes de agronomia e produtores rurais, mas a Embrapa também tem publicações voltadas para crianças e adolescentes, além de donas de casa e profissionais da gastronomia. Para esta edição da Bienal foram apresentados 340 títulos sobre agricultura, pecuária, meio ambiente, agroindústria, além de livros de receitas, dos quais 40 foram lançados neste ano.
Segundo Andréia Siqueira, da Embrapa Informações Tecnológicas, unidade que coordena a livraria, a maior procura durante o evento foi por títulos de gastronomia e por aqueles que explicam como cultivar hortas, além dos livros infanto-juvenis, bem recebidos por grupos de alunos em excursão escolar.
Montado estrategicamente em frente ao espaço gourmet onde acontecem palestras e degustações, o estande da Embrapa também atraiu a curiosidade de chefs que passaram pelo evento, como o baiano Anderson Cruz, responsável pela cozinha de um restaurante em Salvador. “A Embrapa tem várias publicações que atraem quem gosta de trabalhar com alimentos. Eu sempre fico de olho nos lançamentos porque gosto de saber tudo sobre os ingredientes que uso nos meus pratos”, disse.
O também chef de cozinha Haroldo Meelão, sitiante nos finais de semana, procurou o estande para encontrar informações técnicas sobre práticas agrícolas que podem ser facilmente usadas. Publicações das Coleções Plantar, Saber, Agroindústria Familiar e os livros 50 Hortaliças: como comprar, conservar e consumir e Pimentas Capsicum, que abordam temas como a melhoria da qualidade dos alimentos produzidos e consumidos, fizeram parte das aquisições de Meelão. “Essas publicações me interessam porque complementam os conhecimentos que tenho para atuar tanto em meu sítio quanto na culinária”, explicou.
Para o gerente geral da Embrapa, Fernando Amaral, a participação no maior evento de livros do país, foi uma oportunidade para reforçar junto ao público urbano a importância de se praticar uma agricultura sustentável para garantir alimentos mais saudáveis e com menor impacto ambiental.
Por ser uma empresa pública e sem fins lucrativos, as parcerias com a iniciativa privada e mesmo com outras instituições públicas são fundamentais para a manutenção dos lançamentos. Os recursos disponibilizados pelo governo e as vendas das publicações também ajudam a garantir a média de 60 títulos novos por ano.
Sucessos de venda
Algumas coleções que têm público garantido também foram destaques na bienal, entre eles, a Coleção 500 Perguntas 500 Respostas – neste ano com o lançamento do título Hortas – o qual apresenta informações básicas sobre o cultivo das hortaliças, organizadas na forma de perguntas e respostas e agrupadas em capítulos temáticos. Os livros das Coleções Plantar, Saber e Criar, com abordagens sobre castanha-do-brasil e minhocultura, entre outros também foram bastante procurados pelos visitantes.
Frutas nativas da Região Centro-Oeste do Brasil – que apresenta as 16 espécies de frutíferas nativas de maior ocorrência nos biomas Cerrado e Pantanal, seu potencial econômico, nutricional, social e ambiental e as perspectivas de fomentar seu uso por comunidades rurais e Mudanças climáticas globais e a produção de hortaliças – sobre os possíveis efeitos negativos dessas mudanças sobre a produção de alimentos no País, estiveram entre os lançamentos deste ano.
Lançamento
A Embrapa aproveitou a Bienal para lançar o livro Planejamento ambiental do espaço rural com ênfase para microbacias hidrográficas, voltado, especialmente, para engenheiros agronômos, pesquisadores, estudantes e geólogos.
Segundo a empresa, o livro foi editado em linguagem acessível, com o objetivo de sensibilizar todos os segmentos da sociedade em especial técnicos, extensionistas, profissionais e tomadores de decisões que atuam na elaboração de políticas públicas ligadas à temática agroambiental para que contribuam com a prevenção ou a redução dos passivos ambientais e mostrem que é possível desenvolver a agricultura com um mínimo de impacto ambiental.
Conforme o chefe geral da Embrapa Meio Ambiente, Celso Manzatto, a obra é resultado de trabalho integrado de diversos especialistas de centros de pesquisa da Embrapa e de outras instituições do país e oferece subsídios para o entendimento teórico, procedimentos, práticas e técnicas utilizadas na atividade de planejamento ambiental do espaço rural.
Marco Gomes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente e um dos editores técnicos explica que o livro foi organizado em função da necessidade de divulgação de resultados de pesquisa de grande relevância na área ambiental, sobretudo na interface agricultura e meio ambiente, missão principal da Embrapa Meio Ambiente. “Embora exista muito discurso nessa área, há pouca divulgação para o público em geral sobre os resultados efetivamente gerados bem como os reais benefícios para a sociedade”, acredita Gomes. “Nesse sentido, a importância do livro envolve vários aspectos, tais como o grande alcance do público externo, o conteúdo de grande relevância, fruto de resultados de trabalhos de pesquisa com foco agroambiental, sobretudo para os profissionais que atuam ou pretendem atuar nessa área e a orientação com proposta de solução de vários casos, considerando alguns cenários objetos de pesquisa, principalmente para dar subsídios aos legisladores ou tomadores de decisão nos âmbitos municipal, estadual e federal”, enfatiza o pesquisador.
Como o ambiente agrícola tem sido alvo de constantes questionamentos sobre os impactos ambientais negativos gerados, principalmente a partir do uso intensivo de agroquímicos e suas consequências ao meio ambiente, sobretudo para os recursos hídricos, o pesquisador acredita que essa publicação mostra ao leitor que existem diversas técnicas e procedimentos que podem contribuir, e muito, para a prevenção e mesmo redução dos passivos ambientais no ambiente agrícola e adjacências - misto de ambiente rural e urbano.
Assim, explica o pesquisador, a obra aborda, de forma sintetizada, alguns aspectos relacionados ao manejo dos recursos hídricos, uso de ferramentas de computação e adoção de práticas de educação ambiental, necessários aos procedimentos que buscam a sustentabilidade do meio rural, sobretudo dentro da visão de planejamento ambiental sustentável do espaço rural.“Já a efetividade do planejamento ambiental depende do estabelecimento de uma escala de trabalho que viabilize o reconhecimento e a investigação integrada dos aspectos ambientais - econômicos, ecológicos e sociais, razão pela qual a escala da microbacia hidrográfica vem sendo a mais adotada”, diz Gomes. “Assim, pode-se desenvolver propostas de integração harmoniosa entre o desenvolvimento econômico local e a conservação e proteção do meio ambiente onde o processo de produção se realiza, fornecendo subsídios imprescindíveis à sustentabilidade ambiental da agropecuária brasileira”, conclui.
Serviço:
Livro: Planejamento ambiental do espaço rural com ênfase para microbacias hidrográficas
Preço: R$ 25,00
Venda: Livraria Embrapa
www.livraria.sct.embrapa.br



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