A Fundação Cargill, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e a Embrapa celebram a conclusão do projeto de tecnologia social para tratamento de esgoto na zona rural de Porto Velho (RO). Dezessete famílias da comunidade Associação de Produtores Rurais da Linha 28 de Novembro – ASPROL 28 foram beneficiadas e participaram de um café da manhã com as entidades envolvidas no projeto.
Conhecida por Fossa Séptica Biodigestora, a tecnologia foi desenvolvida pela Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos-SP) e consiste em desviar a tubulação dos vasos sanitários das residências para caixas de fibrocimento, que transformam o material em fertilizante orgânico, via processo de biodigestão anaeróbia. Com isso, além de não haver contaminação do lençol freático, ainda é possível obter um efluente líquido que pode ser utilizado para enriquecer as propriedades do solo.
A primeira fossa biodigestora do projeto foi construída em março de 2010, na residência de Luciano Alves do Prado, morador da comunidade. Após cinco meses da instalação da tecnologia, Luciano já pode aplicar o efluente no solo de sua cultura de açaí. “A implantação da fossa trouxe melhorias, principalmente porque não polui a água. É uma novidade em Porto Velho”, conta Luciano.
O projeto foi financiado pela USAID, coordenado pela Fundação Cargill em conjunto com a Cargill de Porto Velho e contou com o apoio técnico da Embrapa. A iniciativa é uma alternativa para solucionar a questão do saneamento básico na zona rural daquela região. “Vimos no projeto uma excelente oportunidade de trabalho que alia a conservação do meio ambiente com a promoção de melhorias na qualidade de vida dos habitantes do bioma amazônico, o qual faz parte do escopo de programas ambientais que o governo dos Estados Unidos apoia no Brasil”, explica Lisa Kubiske, ministra conselheira (vice-embaixadora) da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
A iniciativa também abriu as portas da Fundação Cargill para a atuação em um novo foco: contribuição ambiental e em saúde pública nas comunidades em que a Cargill está presente. “O sucesso da implantação do projeto deve-se ao comprometimento de todos os envolvidos no processo, mas em especial as famílias beneficiadas, que se dispuseram a adquirir novas competências e conhecimento para cuidar do seu saneamento básico”, complementa Denise Cantarelli, gerente da Fundação Cargill.
Saneamento básico rural: uma necessidade
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e o Abastecimento, a agricultura de base familiar reúne 14 milhões de pessoas, mais de 60% do total de agricultores, e detém 75% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil. É comum nessas propriedades o uso de fossas rudimentares (fossa negra), que contaminam águas subterrâneas. Assim, há a possibilidade de contaminação dessa população por doenças veiculadas pela urina e fezes, transmitidas pela água, como hepatite, cólera, salmonelose e outras.
No Brasil, a coleta de esgoto nas áreas urbanas atinge no máximo 55% das residências, enquanto que na área rural esse percentual está abaixo de 5%. Devido à eficiência para a solução de problemas de saneamento básico em áreas rurais, baixo custo e fortalecimento da agricultura familiar, a tecnologia da Embrapa está sendo implantada do Norte ao Sul do País.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000/2001 indicam que 90% dos distritos da cidade de Porto Velho não têm rede coletora de esgoto. Assim, tratar o saneamento básico no município torna-se ainda mais importante se for considerado que a hidrografia da região é abundante: o principal rio (Rio Madeira) é um dos afluentes mais importantes da margem direita do Rio Amazonas, que integra a Bacia Amazônica.
“A fossa séptica biodigestora é uma alternativa econômica e ecológica em saneamento básico, com ganhos ambientais e na saúde pública. A tecnologia já é utilizada em outras regiões do Brasil e apresenta-se como uma alternativa de sucesso no tratamento de esgoto”, explica Wilson Tadeu Lopes da Silva, técnico da Embrapa.
Sobre a Fundação Cargill
A Fundação Cargill foi criada em 1973 com o propósito inicial de contribuir para o desenvolvimento e a promoção da tecnologia e dos estudos científicos relacionados à agricultura, à agropecuária e ao desenvolvimento de atividades sociais. Para ajudar no desenvolvimento da agricultura no Brasil, a Fundação já publicou mais de 230 títulos, com enfoque nas ciências agrárias e distribuiu gratuitamente mais de 322 mil exemplares às instituições de ensino ligadas à agricultura, órgãos públicos, bibliotecas, pesquisadores e professores.
Há dez anos, a Fundação Cargill desenvolve o Programa de Apoio ao Ensino Fundamental Fura-Bolo que visa contribuir para a melhoria do ensino fundamental através da literatura infantil, resgatando a cultura popular e estimulando o prazer pela leitura. Já o Programa “de grão em grão”, implantado em 2004, tem como principal objetivo transmitir conceitos sobre agricultura familiar e alimento seguro, abordando de maneira pedagógica técnicas que vão desde o plantio até o preparo de alimentos através da implantação de hortas escolares. Hoje, mais de 40 mil crianças, 1800 educadores,137 escolas em 15 municípios de 08 Estados participam dos Programas. A Fundação Cargill também promove atividades para estimular o trabalho voluntário dos funcionários da Cargill, desenvolvendo ações sociais em cidades onde a empresa está presente. Hoje este grupo é formado por mais de 300 voluntários.
Embrapa



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