A Embrapa Mandioca e Fruticultura tem uma nova publicação sobre a sigatoka-negra, a doença que mais acomete as plantações de banana. “Recomendações técnicas sobre a Sigatoka-negra da bananeira” traz oito capítulos ricamente ilustrados em que são abordados aspectos gerais sobre a bananicultura no país e a doença; os danos e a importância econômica; o desenvolvimento de sintomas e diagnose; o controle integrado da doença, entre outros assuntos.
A Sigatoka-negra tem como causador o fungo Mycosphaerella fijiensis, que ataca as folhas de bananas e plátanos de forma bastante agressiva. Reduzindo a área fotossintética, diminui o vigor da planta, o que resulta em perdas de até 100% da produção, a depender da cultivar, das condições ambientais e dos manejos culturais.
A doença está presente nos principais países produtores dos continentes americano, africano e asiático. No Brasil, está nas principais regiões produtoras.
A adoção de cultivares resistentes, que dispensam o uso de agrotóxicos – prática de elevado custo e com implicações ambientais – é a estratégia da Embrapa Mandioca e Fruticultura no combate à Sigatoka-negra. Desde 1983, a Unidade investe num programa de melhoramento genético que visa obter cultivares resistentes, produtivas, com porte reduzido e menor ciclo de produção. “A caracterização e a avaliação do comportamento de novas cultivares, em diferentes condições, são essenciais ao programa e se constituem numa solução definitiva para o problema”, explica Sebastião Silva, que foi, por 20 anos, o melhorista responsável pelo programa, considerado o melhor do mundo.
A Embrapa já lançou e recomendou diversas variedades resistentes – Caipira, Thap Maeo, Fhia-18, Maravilha, Pacovan Ken, Japira, Vitória, Caprichosa e Garantida – que são citadas no livro.
A publicação traz, ainda, dicas de diferenciar os sintomas da sigatoka-negra e da sigatoka-amarela, como escolher o sistema de irrigação adequado, como remover e descartar folhas contaminadas e como utilizar o manejo integrado. Além disso, os autores destacam a importância que a temperatura, a umidade relativa do ar, as chuvas e os ventos têm para o estabelecimento e a disseminação da doença.
Brasil
Embora o país não seja um grande exportador - apenas 3% de sua produção vai para o mercado externo - a bananicultura tem grande importância no agronegócio brasileiro: são sete milhões de toneladas anuais, o país é o quarto maior produtor mundial e a agricultura familiar é responsável pela maior parte da produção. “A banana tem enorme importância na geração de renda e na fixação do homem no campo”, afirma Zilton Cordeiro, um dos autores do livro. É, também, uma das culturas preferidas em projetos públicos de irrigação, devido à amplitude do mercado e ao retorno rápido após o primeiro ciclo.



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