Dentre as pessoas que frequentam o mercado da Ceagesp, principalmente dentre aquelas que têm por aqui o seu emprego ou sua atividade empresarial, dificilmente se poderá encontrar uma que não conheça o trabalho realizado pela Associação Nossa Turma. E dificilmente também se conseguirá encontrar uma pessoa que não respeite e admire o papel que o Manelão vem desenvolvendo, com sacrifício e de modo voluntário, para manter a entidade funcionando.
Os benefícios que a atividade da Nossa Turma já propiciou para a comunidade da Ceagesp e para a cidade de São Paulo como um todo podem ser difíceis de medir, mas penso que ninguém duvida que eles são extremamente significativos.
A importância do papel de uma instituição como esta pode ser mais bem avaliada na constatação, aceita pela maioria dos estudiosos, de que as coisas, no Brasil, só estão como estão porque faltam entidades que, como a Nossa Turma, propiciem para tantas crianças e famílias a educação e o amparo que o poder público sozinho não consegue proporcionar.
A bem da verdade, se tivéssemos no país uma destinação digna para as montanhas de dinheiro que são arrecadadas com impostos não haveria a necessidade de existirem entidades como a Nossa Turma. Com efeito, se a máquina pública não fosse tão inchada, improdutiva e corrupta, não seria necessário extorquir as empresas e os contribuintes honestos e sobrariam recursos para alimentar, educar, dar segurança e saúde para todos os brasileiros. E a Nossa Turma certamente não teria razão para existir.
Mas, o fato é que estamos no Brasil, um país onde a política conspira contra o futuro. Para compensarmos essa realidade num horizonte de tempo que incluísse os netos dos nossos filhos teríamos que ter hoje 10 Manelões para cada Sarney. Como estamos caminhando em sentido contrário, com os meliantes se apoderando das instituições e com a impunidade se tornando norma, temos que aceitar como líquido e certo o vaticínio do saudoso Roberto Campos: “não há perigo de melhorar”.
Assim, o desabafo torna-se inevitável: triste país este que precisa de entidades como a Nossa Turma. Triste país este onde a possibilidade de sonegar passou a ser vista como o exercício de um dever cívico por parte das pessoas decentes, por se constituir numa das únicas armas disponíveis para drenar os recursos que alimentam uma hidra insaciável.
E, pior de tudo, país sem vergonha este que produz gente capaz de conspirar para que trabalhos como o da Nossa Turma se tornem ainda mais penosos do que já são, não importando de quais motivos espúrios lancem mão para justificar tal comportamento.
Ter uma entidade como a Nossa Turma dentro do espaço do entreposto paulistano é um motivo de orgulho para todos que o frequentam. A presença desta instituição significa que pelo menos uma pequena parte da imensa tarefa representada pela necessidade de diminuir as desigualdades sociais e de dar uma oportunidade mínima para crianças necessitadas foi assumida pela comunidade formada pela empresa e seus permissionários.
Neno Silveira



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