FRUTICULTURA

A PIF como solução para o atacadista

A PIF é a solução ideal para o moderno atacadista de frutas atender sua clientela mais exigente.

      Ser atacadista de fruta não é nada fácil, tem que se trabalhar com uma produção espalhada por várias regiões do Brasil, com muitos produtores cada um com seu jeito e características. Tudo isto exige contatos durante o tempo todo, representantes nas regiões produtoras e a criação de uma rede de confiança. No final consolidar tudo e garantir uma oferta constante ao longo do ano. Os clientes vão querer sempre e cada vez mais um produto de alta qualidade, seguro e saboroso. O atacadista que trabalhar com produtores que estejam dentro da Produção Integrada de Frutas ou PIF, pode ter todo este trabalho facilitado e ter uma garantia muito maior de estar oferecendo a sua freguesia um produto de alta qualidade e segurança. O conhecimento da PIF e dos produtores dentro do processo, pode facilitar muito a vida do atacadista.

     Estamos em um tempo em que as exigências legais sobre os varejistas que comercializam frutas estão cada vez maiores, cada vez mais eles serão fiscalizados e exigidos quanto à segurança dos alimentos oferecidos. Primeiro no aspecto microbiológico, ou seja, que não haja a presença de vírus, bactérias, fungos e vermes que causem perigo à saúde humana. E há também a cobrança dos níveis de defensivos presentes, melhor que não existam resíduos e caso eles ocorram estejam em níveis seguros para a saúde, que sejam de produtos oficialmente registrados.

  Temos uma legislação rigorosa nestes aspectos e a tendência é uma intensificação da fiscalização causada por pressões vindas da sociedade.

      Os consumidores também tendem a cada vez mais querer produtos seguros e que, além disto, sejam de ótima aparência, saborosos, para isto têm que ser colhidos no ponto adequado, que haja diversidade na oferta. Outros mais sofisticados já começam a exigir uma gestão correta do ponto de vista social e ambiental do negócio agrícola. As frutas não poderão vir mais de pomares com ambiente degradado ou com mão de obra em situação irregular.

     Os atacadistas, que são o elo na cadeia que fazem a ligação entre a produção, o varejo e o consumo certamente terão que ir se adequando a estas exigências. A PIF surgiu na década de 1970 dentro da ‘Organização Mundial para a Luta Biológica e Integrada’.

      É um processo baseado na sustentabilidade, monitoramento e rastreabilidade da produção e nos processos que vêm a seguir. Sustentabilidade quer dizer que a área usada na produção continuará produtiva, sem ser degradada e abandonada, para isto existe um conjunto de boas práticas agronômicas. Monitoramento é o acompanhamento e registro de todos os fatores ambientais, procedimentos, insumos e técnicas que são usadas na produção, colheita e pós-colheita em cadernetas, de papel ou eletrônicas. Rastreabilidade é a amarração dos registros com uma identificação numérica nas caixas, paletes e lotes. Se há um problema com uma maçã produzida dentro da PIF em um supermercado de Recife, podemos voltar e saber em qual talhão de Fraiburgo, em Santa Catarina ela foi produzida e aí temos as cadernetas com tudo o que foi feito e aplicado naquele talhão e tudo o que aconteceu no ambiente durante a produção daquela fruta.

      A PIF surgiu como uma evolução do manejo integrado de pragas, esta técnica é baseada no monitoramento da intensidade do ataque das pragas e na aplicação de defensivos só quando este ataque chega ao nível de causar dano econômico. Ao controle químico são integradas outras práticas, como controle biológico, uso de variedades resistentes, manejo cultural, entre outras. Ao mesmo tempo, procura-se sempre escolher agrotóxicos de ação bem específica, que preservem os inimigos naturais das pragas e sejam muito pouco prejudicais à saúde humana, sempre se respeita o prazo de carência e ainda se prega o uso alternado entre produtos diferentes para se evitar o surgimento de insetos e doenças resistentes. Depois ao manejo integrado de pragas e doenças foram integrados técnicas de conservação e melhoria do solo, manejo correto de nutrientes e da água e irrigação, controle racional do mato. Na colheita e pós-colheita o controle continua, com práticas que evitam a contaminação por germes nocivos, como banheiros móveis ou fixos na colheita, sacolas limpas e também técnicas que permitam, desde o momento que a fruta é retirada da árvore, ela pode manter suas melhores características por um maior tempo possível. Os barracões de beneficiamento possuem exigências semelhantes aos de uma boa indústria de alimentos.

      E como já dissemos tudo é monitorado, registrado em cadernetas, amarrado em um sistema de rastreabilidade e passa por um sistema de avaliação da conformidade e de certificação. No Brasil o programa da PIF é coordenado pelo Ministério da Agricultura, em parceria com a CNPq e a participação da Embrapa, de universidades, de instituições de pesquisa e extensão rural dos estados e duas centrais de abastecimento, a nossa Ceagesp e a Ceasa de Minas Gerais. Tudo começa com um comitê gestor, cada fruta tem o seu, formado por técnicos e produtores que determinam quais as melhores práticas de lavoura, colheita e pós-colheita. Estes procedimentos são testados em áreas experimentais e se realmente funcionarem são feitas das cadernetas de campo e pós-colheita. O produtor que aderir à PIF passa por um processo de avaliação da sua conformidade e de certificação, para isto o Ministério da Agricultura conta com a parceria do Inmetro.

      Até agora 13 frutas já passaram ou passam pelo processo: maçã, mamão, caju, abacaxi, goiaba, figo, caqui, maracujá, banana, coco, citros, pêssego, melão e uva,, além de dois projetos voltados exclusivamente para a colheita, pós-colheita que falaremos no próximo artigo.

     Quem quiser saber mais sobre a PIF pode procurar a equipe do CQH/Ceagesp, na loja 7, atrás da Padaria Nativa ou escrever para o e-mail: galmeida@ceagesp.gov.br.

 

Gabriel V. Bitencourt de Almeida

Engenheiro Agrônomo

Centro de Qualidade em Horticultura - Ceagesp

 

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