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08 / 02 / 2012
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Pesquisa aborda aspectos logísticos que afetam o agronegócio do mamão

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Um trabalho de mestrado e um de doutorado sobre pós-colheita de mamão ganharam destaque no site da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”). Eles foram o resultado da parceira entre a instituição acadêmica e a Cegesp para estudar o efeito na qualidade de mamão de dois sistemas de colheita, classificação, embalamento e transporte da variedade Golden.  ]Os resultados foram assustadores.
O Brasil apresenta uma produção anual de mamão que supera 1,8 milhão de toneladas. Cultivado praticamente em todo o território nacional, a região Nordeste concentra a maior área de produção, cerca de 18 mil  hectares.

Por Anita de Souza Dias Gutierrez*

O mamão é uma das frutas mais consumidas pelos brasileiros, sendo o estado de São Paulo o maior mercado consumidor do país. O Entreposto Terminal de São Paulo da Ceagesp registra a comercialização de mais de 90 mil toneladas de mamão do grupo Solo por ano.

O agronegócio do mamão apresenta produção e consumo positivos, no entanto, precisa investir na melhoria do processo de pós-colheita. Os sistemas de embalagem, transporte e manuseio praticados atualmente nos centros de produção e comercialização ameaçam a qualidade da fruta e as perdas pós-colheita de mamão podem atingir 75%, como mostram os trabalhos.

O trabalho foi desenvolvido por  Elaine Cerqueira,doutoranda da Departamento de Produção Vegetal da Esalq, orientada pelo professor Angelo Pedro Jacomino. A agrônoma fez um estudo na Ceagesp para entender o processo de comercialização do produto.
O objetivo do trabalho foi caracterizar sistemas de embalagem e transporte do mamão Solo destinado ao mercado nacional e compará-los entre si, avaliando suas influências no desempenho pós-colheita do mamão transportado do local de produção até o mercado atacadista.

Foram entrevistados os 20 maiores atacadistas (segundo os dados de entrada do SIEM)  e 57 compradores, para montar um perfil desses dois agentes de comercialização. Foram realizadas visitas às regiões produtoras localizadas no norte do Espírito Santo e sul da Bahia, para caracterizar os procedimentos de colheita e pós-colheita de diferentes tipos de produtores.
Foram analisados mamões comercializados na Ceagesp em dois sistemas:
I. Acondicionados em caixas de papelão e transportados em caminhão refrigerado;
II. Acondicionados em caixas de madeira e transportados em caminhão coberto com lona.

Os mamões da variedade Golden, submetidos aos dois sistemas, foram coletados na Ceagesp e levados para o Laboratório de Pós-colheita do Departamento de Produção Vegetal da Esalq, onde foram mantidos a 23ºC e 80-90% UR, até o completo amadurecimento. Confira alguns dos resultados:

1. As injúrias mecânicas detectadas foram abrasões, cortes e amassamentos em ordem decrescente de ocorrência.
2. Houve maior quantidade de frutos injuriados no sistema  II.
3.  A perda de firmeza no terceiro dia de armazenamento foi de  42% para os frutos do sistema I e de 63% para os frutos do sistema  II.
4.  O sistema I apresentou teores de sólidos solúveis superiores ao sistema II.
5.  No teste sensorial de aparência os provadores preferiram os frutos do sistema I.
6. Os frutos do sistema I apresentaram menor incidência de podridão (25%), comparado aos frutos do sistema II (65%). É assustadora a podridão mesmo em boas condições de armazenamento e transporte.
7.  A maior parte das podridões ocorreu na região peduncular.
8. O tempo necessário de armazenamento para a ocorrência da primeira podridão foi de  seis dias no sistema I e  de três dias no sistema II.
9. O número médio de injúrias por fruto foi de 3,9 no sistema II e 1,3 no sistema I.
10.  As lesões estavam localizadas principalmente na região mediana e foram, na maioria, de tamanho até 1,5cm.
11. O sistema II desenvolveu coloração amarela mais rapidamente, amadureceu antes.
12.  No sistema II os frutos apresentaram firmeza inferior a 20 Newtons no terceiro dia de armazenamento e no sistema I no nono dia de armazenamento.

*Anita de Souza Dias Gutierrez é engenheira agrônoma e chefe do Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp

 

 

 

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