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08 / 02 / 2012
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Universidade norte-americana e Embrapa farão pesquisas na área de fitoterápicos

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O desenvolvimento de fitoterápicos ( remédios preparados a partir de plantas medicinais) obtidos nas reservas naturais da Caatinga e do Cerrado, e também de biopesticidas para a agricultura orgânica, é uma das metas do convênio firmado entre a Universidade do Mississipi (EUA) e a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Pesquisadores da instituição norte-americana iniciaram nessa segunda-feira (22), na Embrapa Agroindústria Tropical, do Ceará,  um debate sobre as ações que serão desenvolvidas.

Além da troca de experiências e do treinamento de pessoal, o convênio, que se estende até 2013, visa ao desenvolvimento de pesquisas conjuntas relativas à padronização das matérias-primas, informou  o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical, Flávio Pimentel coordenadora das ações no Brasil.

Com a ampliação da base de conhecimentos para a produção de fitoterápicos, a expectativa é  elevar a qualidade  desses produtos no Brasil e, em consequência, sua segurança. “Ampliar a qualidade e a padronização, porque há muitos produtos que têm o mesmo nome e  composições químicas diferentes e são vendidos à população como  uma espécie medicinal e, muitas vezes, não se trata da mesma espécie que tem aquele efeito farmacológico. Então, um dos objetivos dessa cooperação  é a padronização: definir parâmetros de identificação dessas espécies para que a população não compre gato por lebre”.

A padronização e o aumento da qualidade  poderão  levar à redução do custo de várias terapias usadas no Sistema Único de Saúde (SUS). Pimentel destacou que existe uma lista  extensa de plantas medicinais  no SUS, envolvendo mais de 40 fitoterápicos. Ele lamentou, porém, que apenas  uma pequena parcela – “quatro no máximo” – seja produzida em escala comercial e tenha patente. “Porque não foi desenvolvido sistema de produção, existe problema  de padronização da matéria-prima para que a indústria possa utilizar essas plantas para produção de fitoterápicos. Esse é um dos objetivos do trabalho”.

O pesquisador esclareceu que o uso de produtos sem qualidade ou padrão  pode ter  efeitos tóxicos para a população. “Com certeza. Muitas espécies vendidas legalmente no país como fitoterápicos usam matérias-primas importadas, porque as nacionais não têm uma padronização. Não têm uma produção confiável, nem uma padronização da matéria-prima. Aí, as indústrias não absorvem essa matéria-prima”.

A partir do convênio, a expectativa é de diminuir a importação, com o aproveitamento da biodiversidade brasileira, com foco principalmente nas plantas que já estão na lista do SUS.

Os pesquisadores da Universidade do Mississipi e da Embrapa estarão reunidos até  quinta-feira (25) discutindo o projeto e definindo as ações que serão executadas. Pimentel disse que a ideia é que essas ações sejam iniciadas sem demora, tendo em vista o custo estimado do convênio, da ordem de US$ 2 milhões.

Agência Brasil

 

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