Com foco em rentabilidade e controle de doenças desde a implantação do pomar, uma nova geração de citricultores está investindo no Sudoeste do Estado e conseguindo excelentes resultados: a produtividade pode ser até duas vezes maior que a média do parque citrícola. Valendo-se do clima mais ameno em comparação às regiões Norte e Noroeste e da distância do foco de doenças, como o greening, o produtor do Sudoeste vive uma realidade bem diferente de seus colegas mais tradicionais, nas chamadas “ilhas de produtividade”, resultado da ação empresarial dessa nova geração, aliada às boas e modernas práticas orientadas por consultorias agrícolas especializadas – o que é comum entre a maioria dos produtores locais.
Os níveis alcançados chamam atenção. Plantas jovens, em sua primeira produção, equiparam-se aos números obtidos pelos antigos pomares de São Paulo.
O isolamento do local em relação a outros pomares mais tradicionais foi fundamental para a decisão do agrônomo Luiz Carlos Rando Rosolen de produzir citros na região de Itaí há cinco anos.
A ameaça das doenças, especialmente do greening, tem sido decisiva para diferenciar o citricultor que investe em tratos culturais adequados. “Hoje o produtor que não cuida muito bem do pomar, em pouco tempo, perde o negócio”, acredita Rosolen. Um exemplo disso é que até 2004, quando a doença foi detectada pela primeira vez no Brasil, eram feitas apenas quatro inspeções de greening por ano, hoje são 24.
A Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo estabelece que o intervalo entre as inspeções seja de 90 dias, mas os agrônomos da Campo, consultoria especializada em citros, que atende Rosolen e outros produtores da região, preferem indicar um intervalo menor.
“Mesmo assim você não descarta a possibilidade de encontrar a doença. Se pular uma pulverização, corre o risco de comprometer a integridade do pomar”, orienta Roberto Salva, agrônomo da Campo.
Para Rosolen, o investimento em tratos culturais diferenciados vale a pena. “A mentalidade da nova geração de citricultores é diferente e o custo maior para cuidar do pomar, de acordo com as recomendações técnicas, é compensado”, avalia.
O produtor calcula que a produtividade de seu pomar será de três caixas (40,8 kg) por planta – índice precoce, comparado com a média, que antecipará o retorno do investimento em, aproximadamente, um ano.
Em 2010, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) a média de produtividade nos pomares foi de 1,75 caixa por planta. Em 2009, 1,9. Os dados de 2011 devem sair em maio.



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