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18 / 05 / 2012
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Agrônomo analisa colapso interno da manga

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Neste artigo, o engenheiro agrônomo Gabriel Vicente Bitencourt de Almeida, do Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp, analisa o colapso interno da manga, o principal e mais frequente problema na pós-colheita e comercialização de mangas. O distúrbio causa a desintegração e o amolecimento da polpa e a perda da sua consistência natural, tornando as frutas  parcial ou totalmente impróprias para o consumo.  O produtor deve conhecer as condições nutricionais do seu solo e da sua planta para tentar minimizar a ocorrência do problema e garantir o fornecimento equilibrado de macro e micronutrientes.

A causa do colapso interno ainda não está totalmente determinada, mas o que se sabe é que o problema está muito ligado ao equilíbrio nutricional de nitrogênio (N) e cálcio (Ca) da mangueira.
O colapso interno dos frutos é o principal e o mais frequente problema na pós-colheita e comercialização de mangas. O distúrbio causa a desintegração e o amolecimento da polpa e a perda da sua consistência natural, tornando as frutas  parcial ou totalmente impróprias para o consumo. 
A Tommy Atkins, Palmer e Haden são as variedades mais comuns comercializadas no mercado. O colapso interno ocorre mais na Palmer, responsável, junto com Tommy Atkins, por mais de 90% do volume comercializado no entreposto paulistano da Ceagesp.
O amolecimento característico da polpa é o sintoma mais visível do colapso interno e pode ser acompanhado por outros sintomas como a abertura ou fendilhamento do caroço, apodrecimento de algumas áreas e verrugas na casca.
O colapso interno é causa de inúmeros atritos entre todos os agentes de produção e de comercialização: produtores, atacadistas, varejistas e consumidores finais.  A inexistência de sintoma externo é bastante comum e é muito desagradável levar uma manga linda para casa e no momento de consumir encontrar um fruto com polpa totalmente amolecida e alterada. O colapso interno é uma das causas importantes da colheita de manga imatura e um imenso desafio para quem quer oferecer uma manga saborosa ao consumidor: colhida com cuidado madura, refrigerada e bem embalada.
Os pesquisadores e agrônomos ainda não descobriram a causa definitiva do problema, mas eles já sabem que o distúrbio está muito relacionado com o teor e o equilíbrio entre dois elementos essenciais na nutrição, o cálcio (Ca) e o nitrogênio (N). A maior parte do peso total de uma planta e suas partes, como folhas, raízes, caule, flores e frutos, é formada por elementos que a planta retira do ar e da água através do processo da fotossíntese: carbono (C), oxigênio (O) e hidrogênio (H). Uma pequena parte do peso total é formada por elementos que a planta retira do solo - 16 diferentes nutrientes minerais. Eles podem ser divididos em macro e micronutrientes. Existem seis macro nutrientes, porque a planta necessita deles em maior quantidade: Nitrogênio (N), Fosforo (P), Potássio (K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre e   micronutrientes, exigidos em pequenas quantidades, como  o boro, o cobre, o ferro, o manganês, o molibdênio, o zinco.  A falta ou o desequilíbrio entre os nutrientes minerais, micro ou macro nutrientes, podem reduzir drasticamente a produção e a qualidade dos cultivos. 
Através de estudos descobriu-se que a ocorrência de colapso interno está muito relacionada à disponibilidade de Nitrogênio e Cálcio no solo e aos seus teores nos tecidos da planta. O Nitrogênio faz parte de todos os aminoácidos e, por consequência, de todas as proteínas das plantas e de qualquer ser vivo além de fazer parte da molécula de clorofila, por isso plantas com deficiência do elemento ficam amareladas. O Cálcio tem uma função estrutural, sendo essencial à formação e à firmeza das paredes das células dos vegetais. A produção de uma manga com polpa bem firme, exige uma mangueira suprida com bastante cálcio para enrijecer as paredes das células que formam a polpa. O excesso de nitrogênio, formador dos aminoácidos e proteínas, no solo ou na adubação estimula a planta a crescer rápido demais, possível pela multiplicação muito rápida das células, o que resulta na produção de tecido moles. Nesta situação o Cálcio, uma espécie de cimento para a parede das células, pode faltar.
Resumindo, com nitrogênio demais e cálcio de menos, a mangueira faz os frutos crescerem muito depressa, mas não dá conta de mandar o cálcio para dentro. O resultado é polpa molenga, com um várias células com parede molinha por estarem mal cimentadas.
Esta é uma das razões porque a adubação da mangueira deve ser diferente das outras fruteiras, com muito cálcio e pouco nitrogênio. O cálcio pode ser fornecido através da calagem, por adubos que contenham cálcio e mesmo gesso agrícola.
A prevenção da ocorrência do colapso interno exige teor de nitrogênio nas folhas da mangueira até 1,2% ou 1,4% e teores de cálcio em níveis muito altos,  2,4% a 2,8%, muito acima do que seria normal para outras plantas, duas vezes maior que o teor de nitrogênio.
O produtor deve conhecer as condições nutricionais do seu solo e da sua planta, através de análises orientadas por engenheiro agrônomo especializado que posssa recomendar adubação e monitoramento de nutrientes que minimizem a ocorrência do problema e garanta o fornecimento equilibrado de macro e micronutrientes.

 


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