Objetivo é formar consumidores de frutas e hortaliças e promover melhoria da saúde
O projeto Escola do Sabor faz parte do planejamento estratégico da Ceagesp. A parceria entre o projeto Escola do Sabor e a Nossa Turma, associação beneficente que trabalha com crianças das comunidades vizinhas ao entreposto, tem objetivos ambiciosos:
1. Desenvolver a metodologia de introdução de frutas e hortaliças frescas no cardápio de crianças de 3 a 6 anos de idade;
2. Aproximar a criança da agricultura;
3. Introduzir o conceito e a compreensão da cadeia de produção do produto (mesa e indústria) e do caminho percorrido pelo produto, da produção ao consumo;
4. Promover maior diversidade no consumo de frutas e hortaliças;
5. Tornar as frutas e hortaliças fontes de prazer e diversão;
6. Aumentar o consumo de frutas e hortaliças;
7. Provocar mudanças nos hábitos alimentares dos alunos envolvidos no projeto e de seus familiares;
8. Promover a prevenção de doenças e a melhoria da saúde;
9. Formar consumidores de frutas e hortaliças;
10. Introduzir o consumidor no mundo de imensa diversidade de produtos, variedades, cores, texturas e sabores, das frutas e hortaliças frescas.
O produto escolhido para iniciar os trabalhos foi a mandioca e a decisão foi trabalhar com um produto de cada vez. A raiz é uma boa fonte energética (100 gramas de mandioca fornecem 30,1 gramas de carboidratos), de minerais, potássio, cálcio, fósforo e de vitaminas do complexo B e possui grande quantidade de fibras.
Ela faz parte do grupo da
s hortaliças feculentas, como a batata, o cará, o inhame, a batata doce e a mandioquinha salsa.
Um estudo do Centro de Qualidade em Horticultura da Ceagesp estabeleceu o custo-benefício de cada hortaliça feculenta, comparando os seus preços mensais históricos e o seu aproveitamento. O resultado mostrou que o custo-benefício da mandioca e da batata doce é muito superior ao da batata durante todo o ano.
O cardápio da alimentação escolar é restrito a poucas frutas e hortaliças e dominado pela batata, como fonte de hortaliça feculenta. As outras hortaliças feculentas são pouco ou nada utilizadas. O mesmo recurso utilizado para adquirir batata coloca o dobro do alimento no prato, se utilizado para comprar mandioca.
A mandioca é uma planta nativa, parte importante da alimentação dos índios, desde o descobrimento do Brasil, e da população do Norte e Nordeste brasileiro.
A produção de mandioca acontece em todos os estados brasileiros, sendo a Bahia, o Maranhão e o Pará os maiores produtores. Ela dobrou de 1995 até 2006 para 16 milhões de toneladas e 2,7 milhões de hectares. A responsabilidade pela sua produção é compartilhada por 832 mil propriedades, que empregam três milhões de pessoas, predominantemente agricultores familiares (89% da área e 91% das propriedades).
O Estado de São Paulo produz 2% da produção brasileira, mas é a origem de 99% da mandioca comercializada no entreposto paulistano da Ceagesp – 26 mil toneladas. São 79 municípios paulistas produzindo mandioca, sendo Capela do Alto, Mogi Mirim, Porto Feliz, Artur Nogueira, com 48% do volume total, os maiores produtores. O volume de mandioca comercializado na Ceagesp paulistana aumentou 49% entre 1999 e 2009.
A mandioca é uma planta de mil utilidades. A variedade de mesa ou mansa é consumida frita, cozida, na forma de pão, sopa, bolo entre outras preparações. Já a raiz destinada à indústria ou brava é utilizada para a produção de inúmeros produtos como as féculas e os amidos modificados, como matéria-prima para papéis fotográficos, colas, cervejas, tintas, vestuário, embalagens biodegradáveis, álcool combustível e de alimentos como farinha de mandioca, sagu, pão de queijo, biscoito de polvilho, tapioca, entre outros.
A dificuldade de introdução de novos alimentos no cardápio infantil, o crescente distanciamento entre a agricultura e a população urbana e o desconhecimento da origem dos alimentos tornam imprescindível o investimento no desenvolvimento de uma nova metodologia de educação alimentar e aí que entra a Escola do Sabor.
O trabalho foi iniciado com a introdução da mandioca na alimentação de 98 crianças divididas em Maternal (2,5 a 3 anos de idade), Jardim I (3 a 4 anos de idade), Jardim II ( 4 a 5 anos de idade) e Pré-Escola (5 a 6 anos de idade) da Associação de Apoio à Infância e Adolescência Nossa Turma. A iniciativa conta com o entusiasmo de toda a equipe da entidade, o ingrediente mais importante para o sucesso do projeto.
Anita de Souza Dias Gutierrez
CQH-Centro de Qualidade em
Horticultura da Ceagesp



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