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08 / 02 / 2012
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Descoberta vai gerar tomates mais resistentes a doenças

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Uma pesquisa realizada pela Embrapa Hortaliças em conjunto com a Universidade de Brasília (UnB) poderá, nos próximos anos, minimizar os impactos de uma das principais doenças do tomateiro, o vira-cabeça. De acordo com o pesquisador da Embrapa, Carlos Alberto Lopes, essa patologia é causada por um complexo de vírus chamado Tospovirus, que são transmitidos por trípes. “O vira-cabeça ocorre em todas as regiões produtoras do País e pode causar até perda total da lavoura, quando ataca mudas muito novas. O controle dessa doença é complexo, por isso a melhor estratégia para resolver o problema está no melhoramento genético”, explica.

E é justamente no desenvolvimento de novas plantas que a pesquisa do aluno de doutorado da UnB Érico de Campos Dianese, realizada na Embrapa Hortaliças, pode fazer a diferença. Ele vasculhou um gene chamado Sw-5 no DNA do tomate. O gene Sw-5 é um fator de resistência ao vírus do vira-cabeça. Érico descobriu uma “impressão digital” que mostra, sem margem de erro, quando um tomateiro é resistente à doença.
Em termos científicos, essa impressão digital é chamada marcador molecular, uma característica única do DNA, que pode identificar se a planta é mais produtiva, resistente a doenças ou nutritiva, entre outras características. Na prática, a utilização dos marcadores moleculares torna mais rápido o desenvolvimento de novas variedades e com mais segurança nos resultados.

Por isso, atualmente caracterizar essas “impressões digitais” são objeto de tanto esforço de pesquisa.
Na década de 1990, o vira-cabeça era a principal limitação do cultivo do tomateiro no Brasil e o controle dessa doença era objeto de estudos de diversas instituições. O primeiro grande avanço científico-tecnológico foi a descoberta de que os Tospovirus formavam um complexo de espécies de vírus com características diferentes.

Outro grande avanço no melhoramento genético foi o isolamento e caracterização do gene Sw-5, identificado em espécies de tomate silvestre, que foi introduzido em variedades comerciais brasileiras. Estudos posteriores confirmaram que variedades contendo o gene Sw-5 apresentavam resistência às principais espécies de Tospovirus que infectam o tomateiro no Brasil, além de não alterar a qualidade dos frutos e a produtividade das plantas.


Tomateiro sem vira-cabeça


O gene Sw-5 já é utilizado pelas empresas de sementes e sua inserção em novas variedades é o objetivo de qualquer programa de melhoramento que vise gerar tomateiros resistentes ao vira-cabeça. Por isso esse novo marcador é tão importante. Uma prova disso foi a publicação do trabalho na revista científica Molecular Breeding, uma das mais importantes publicações da área no mundo.
Segundo a pesquisadora Maria Esther de Noronha Fonseca, que orientou o projeto na Embrapa Hortaliças, a importância da descoberta se justifica porque a maioria dos marcadores moleculares utilizados atualmente para monitorar a incorporação do gene Sw-5 são apenas próximos ao gene e podem ser separados nos cruzamentos de plantas realizados no melhoramento genético. “O novo marcador, derivado do próprio gene Sw-5, é ideal para diferenciar, com certeza, plantas suscetíveis e resistentes”, explica a pesquisadora.
De acordo com o pesquisador Leonardo Boiteux, que coordena o programa de melhoramento de tomate da Embrapa Hortaliças, a principal vantagem do novo marcador é que ele assegura a manutenção da resistência ao vira-cabeça sempre que for identificado em uma planta, uma vez que o gene Sw-5 é dominante. Ele destaca ainda que esse sistema pode ser utilizado para qualquer tipo de tomate. “Essas características são cruciais para as empresas de sementes que visam o desenvolvimento de novos híbridos de tomate. Desta forma, o desenvolvimento deste novo marcador aumentará a capacidade de monitoramento da incorporação do gene Sw-5 em variedades comerciais de tomate no Brasil e no mundo”, afirma.

 

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