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08 / 02 / 2012
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Estudo avalia mamão submetido a dois sistemas pós-colheita

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O Brasil apresenta uma produção anual de mamão que supera 1,89 milhão de toneladas. Essa fruta é cultivada praticamente em todo o território nacional e sua produção comercial está concentrada na Bahia e no Espírito Santo. O mamão é uma das frutas mais consumidas pelos brasileiros e os paulistas são os seus maiores consumidores - apenas do grupo Solo, o Entreposto Terminal de São Paulo (ETSP) da Ceagesp registra a comercialização de mais de 90 mil toneladas por ano.
Um trabalho de mestrado e um de doutorado, sobre pós-colheita de mamão, receberam recentemente destaque na página eletrônica da Escola Superior de Agricultura ‘Luiz de Queiroz’ (USP/Esalq). Eles foram resultado de uma parceria entre a Esalq e a Ceagesp, estabelecida para estudar o efeito na qualidade de mamão Golden submetido a dois sistemas de colheita, classificação, embalamento e transporte.  Como será visto a seguir, os resultados são assustadores.

Os trabalhos desenvolvidos pela doutoranda Elaine Cerqueira e pela mestranda Ana Elisa de Godoy, orientadas pelo professor Angelo Pedro Jacomino, do Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Esalq tiveram por objetivos caracterizar sistemas de embalagem e transporte do mamão Solo destinado ao mercado nacional e compará-los entre si, avaliando a influência de cada um deles no desempenho pós-colheita do mamão transportado desde o local de produção até o mercado atacadista e o efeito de injúrias mecânicas no metabolismo e na qualidade dos frutos.

1. Foram entrevistados os 20 maiores atacadistas, responsáveis pela comercialização de 54% do mamão que chega ao Entreposto Terminal de São Paulo da Ceagesp e 57 compradores (varejo e serviço de alimentação).
2. As regiões produtoras do norte do Espírito Santo e do sul da Bahia foram visitadas pelas pesquisadoras, que ali caracterizaram os procedimentos de colheita e pós-colheita de diferentes tipos de produtores.
3. Foram analisados mamões comercializados na Ceagesp em dois sistemas e em duas situações: Sistema I (mamão acondicionado em caixas de papelão e transportado paletizado e em caminhão refrigerado) e Sistema II (mamão acondicionado em caixas de madeira, transportado em caminhão coberto com lona). A primeira situação foi a coleta de frutos submetidos aos dois sistemas na Ceagesp, sem considerar se os frutos eram da mesma roça e se haviam sido produzidos da mesma maneira. A segunda situação foi a coleta de frutos colhidos na mesma roça, no mesmo dia, submetidos aos dois sistemas.
 
Os mamões da variedade Golden, submetidos aos dois sistemas nas duas avaliações, foram coletados na Ceagesp, levados para o Laboratório de Pós-colheita do Departamento de Produção Vegetal da Esalq e mantidos à temperatura de 23ºC e umidade relativa entre 80% e 90% até o completo amadurecimento. Os resultados das análises feitas em seguida são, resumidamente, os seguintes:

1. As injúrias mecânicas detectadas foram: abrasões, cortes e amassamentos, em ordem decrescente de ocorrência.  Na primeira situação, 82% dos frutos do sistema II e 49% dos frutos do sistema I apresentaram injúria mecânica. Na segunda situação, 94% dos frutos do sistema II e 47% do sistema I apresentaram injúria mecânica.
2. A ocorrência de podridões foi muito alta nas duas situações e nos dois sistemas. As podridões ocorreram principalmente no pedúnculo e, em segundo grau de importância, na região mediana dos frutos.  Na primeira situação, 93% dos frutos do sistema II e 29% dos frutos do sistema I apodreceram. Na segunda situação (frutos colhidos da mesma roça e no mesmo dia) 65% dos frutos submetidos ao sistema II e 25% dos frutos do sistema I apodreceram.
3.  No sistema II, a ocorrência da podridão peduncular foi detectada a partir do 3o dia, crescendo muito a partir do 6o dia. No sistema I ela foi detectada somente a partir do 6o dia, com uma freqüência 3 vezes menor que no sistema II.
4. A antracnose e a podridão por Rhizopus só foram detectadas a partir do 6o dia nos dois sistemas, sendo a ocorrência duas e três vezes maior no sistema II que no sistema I.


Coleta de frutos submetidos aos dois sistemas na Ceagesp, sem considerar se os frutos eram da mesma roça e se haviam sido produzidos da mesma maneira. Situação 2
Coleta de frutos colhidos na mesma roça, no mesmo dia, submetidos aos dois sistemas.
Sistema I
Mamão acondicionado em caixas de papelão e transportado paletizado e em caminhão refrigerado • Injúria mecânica: 49%
• Ocorrência de podridões: 29%
• Podridão peduncular detectada somente a partir do 6o dia, com uma freqüência 3 vezes menor que no sistema II.
• Antracnose e a podridão por Rhizopus detectadas a partir do 6o dia, sendo a ocorrência 2 e 3 vezes menor que no sistema II. • Injúria mecânica: 47%
• Ocorrência de podridões: 25%
• Podridão peduncular detectada somente a partir do 6o dia, com uma freqüência 3 vezes menor que no sistema II.
• Antracnose e a podridão por Rhizopus detectadas a partir do 6o dia, sendo a ocorrência 2 e 3 vezes menor que no sistema II.
Sistema II
Mamão acondicionado em caixas de madeira, transportado em caminhão coberto com lona. • Injúria mecânica: 82%
• Ocorrência de podridões: 93%
• Podridão peduncular detectada a partir do 3o dia, crescendo muito a partir do 6o dia, com uma freqüência 3 vezes maior que no sistema I
• Antracnose e a podridão por Rhizopus detectadas a partir do 6o dia, sendo a ocorrência 2 e 3 vezes maior que no sistema I. • Injúria mecânica: 94%
• Ocorrência de podridões: 65%
• Podridão peduncular detectada a partir do 3o dia, crescendo muito a partir do 6o dia, com uma freqüência 3 vezes maior que no sistema I
• Antracnose e a podridão por Rhizopus detectadas a partir do 6o dia, sendo a ocorrência 2 e 3 vezes maior que no sistema I.

 
• A seguir, alguns dos resultados das entrevistas com os atacadistas:

1. O mamão é o produto mais importante para 55% dos atacadistas entrevistados.
2. A maior parte deles é constituída por comerciantes que são também produtores de mamão (60%), sendo que 58% só comercializam mamão de sua própria produção. A maioria dos atacadistas não produtores (88%) compra diretamente do produtor. Os demais (12%) o fazem através de corretores ou outros atacadistas. 
3. Uma parte expressiva (45%) só comercializa Sunrise Solo e 5% só Golden.
4. O tipo de transporte do mamão Sunrise Solo é carga seca (100%), coberto com lona (95%) ou sem lona (5%).
5. O tipo de transporte mais utilizado do mamão Golden é carga seca (82%), coberto com lona (73%) ou sem lona (5%), sendo que 28% dos atacadistas também utilizam caminhão refrigerado.
6. A caixa de madeira é utilizada por 79% dos atacadistas para o Sunrise Solo e por 82% para o Golden. Uma parte dos atacadistas só utiliza caixa de papelão: 5% para o Sunrise Solo e 9% para o Golden. Os demais utilizam mais do que um tipo de caixa.
7. A maior parte (68%) comercializa todo o seu produto na Ceagesp e o restante comercializa dentro e fora da Ceagesp.
8. Cada atacadista tem em média 250 clientes, sendo 116 considerados compradores fiéis. A maior parte da negociação (77%) é feita diretamente no mercado, 21% por telefone e 2% pela Internet.
9. A expectativa para os próximos anos é de crescimento da demanda por qualidade, das exigências legais e da qualidade do mamão ofertado. A oferta de mamão ao longo do ano e o preço de venda devem ficar estáveis. As opiniões sobre a evolução do comportamento do volume de venda no ETSP, o número de fornecedores, a oferta de outras regiões de produção se dividiram entre a estabilidade e a diminuição.  

• A seguir, alguns dos resultados das entrevistas com os compradores dos atacadistas (feirantes, frutarias, supermercados e varejões):

1. A maioria dos compradores trabalha com caixa de madeira (76%), 7% só trabalham com caixa de papelão e 7% só com caixa plástica e 10% com vários tipos de caixa.
2. As qualidades que determinam a escolha do produto são a ausência de danos mecânicos e podridões e a presença de coloração característica.
3. As características citadas como prejudiciais foram, em ordem de importância: mancha fisiológica, podridão e dano mecânico.
4. A rejeição ao dano mecânico (93, 91 e 74%) é grande e acontece na seguinte ordem: amassado, abrasão e corte.
 
 
A conclusão que se pode inferir desses resultados é a de que o agronegócio do mamão apresenta produção e consumo importantes, mas precisa investir na melhoria dos processos de colheita e pós-colheita. Os sistemas de colheita, embalagem, transporte e manuseio praticados na produção e na comercialização ameaçam a qualidade da fruta e graves problemas de pós-colheita do mamão podem afetar até 94% dos frutos.


Por Anita de Souza Dias Gutierrez – CQH/Ceagesp

 

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