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18 / 05 / 2012
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Diagnóstico aponta novos mercados para fruticultura

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Afetado desde 2008 pela crise financeira internacional e pela desvalorização de moedas estrangeiras, o mercado mundial de frutas vem se recuperando lentamente em 2010 e impondo aos produtores o desafio de cultivar com mais qualidade, sabor e com menos agrotóxicos. O crescente nível de exigência foi retratado ontem (dia 10/06/2010), no 2º Fórum Internacional da Fruticultura, realizado em Mossoró. O evento faz parte da Feira Internacional da Fruticultura Irrigada (Expofruit), que termina hoje, e apresentou um grande diagnóstico e perspectivas para o setor, apontando potenciais mercados para os produtos. No mercado interno, por exemplo, onde o consumo per capita de melão não passa de 1,9 quilo, por ano, há um largo espaço para crescimento.

Atualmente, grande parte da produção total de frutas frescas do país fica em território nacional. Apenas 2% do volume é exportado e, no mercado internacional, a Europa, principal consumidor, continua em período de recessão, reforçando a necessidade de diversificação de mercados para os fruticultores, diz o presidente do Instituto Brasileiro de frutas (Ibraf) e palestrante, Jean-Paul Gayet.

Com base em levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (APEX), ele frisa que mercados como o dos Emirados Árabes e de países como Alemanha, Canadá, Estados Unidos e Hong Kong são promissores, mas, só produzir não basta para levar o produto pela primeira vez ou de maneira mais agressiva às prateleiras desses mercados. Em tempos de concorrência acirrada, é preciso se diferenciar, diz o especialista. Mercados como havia há 20 anos não existem mais no planeta. O que há é super oferta e nossa oferta precisa se destacar. Caso contrário, não tem vez.

 David Moris, diretor da Univeg Katopé, empresa britânica especializada na importação de frutas, observa que não é só o sabor diferenciado, porém, que chama a atenção do consumidor. Cada vez mais, as empresas querem oferecer a ele produtos sem pesticidas. Mesmo com o clima persistente de crise na Europa, as pessoas continuam preocupadas com o que estão consumindo, afirma Moris.

A necessidade de melhorar a produção não é exigida, porém, só no exterior. No mercado interno, que em tempos de dólar, euro e libra desvalorizados ajudou a sustentar as vendas dos fruticultores, o cliente também está sedento por mais qualidade, garante o gerente de compras do setor de frutas, legumes e verduras do grupo Pão de Açúcar no Nordeste, Christianno Sanguinetti. Entre os 20 produtos mais vendidos no setor que gerencia, ele observa que o melão é apenas o vigésimo do ranking. Há espaço para crescimento , frisa, apontando o volume consumido anualmente, por habitante, como indicativo disso. Não devemos subestimar o mercado interno, nem em termos de capacidade de absorção nem na perspectiva de lucro , alertou ainda Gayet, do Ibraf.

Na abertura do fórum, o diretor do Sebrae, João Hélio Cavalcanti, lembrou que o Brasil cresceu 9% no primeiro trimestre deste ano, mas que, ao mesmo tempo em que deve ser comemorado, o resultado traz preocupação. A dúvida é se temos estrutura para suportar esse crescimento. Estrutura para atender a demanda. O setor, que nos últimos anos foi testado com a desvalorização do dólar e a crise, por exemplo, não pode deixar passar esse momento. A oportunidade está posta . Problemas como a falta de estradas adequadas para escoar a produção também foram lembrados na abertura.

Texto de Renata Moura (Tribuna do Norte)

 


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