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07 / 02 / 2012
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Safra de morango em Minas deve ter novo aumento

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A colheita do morango em Minas Gerais já começou em alguns municípios do Sul do Estado e vai predominar a partir de junho. De acordo com dados da Emater-MG, instituição vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, esta safra deve superar a de 2009, que alcançou 85 mil toneladas, porque os produtores aumentaram a utilização de tecnologia nas lavouras.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados da produção de morango vêm mostrando crescimento nos três últimos anos. Em Minas Gerais, a produção de morango está concentrada em 27 municípios, sendo 20 localizados na Região Sul, que responde por 95% da safra. As lavouras que respondem pelos 5% restantes da produção mineira estão localizados nas regiões Central e Alto Paranaíba. Os municípios que lideram o ranking mineiro do fruto são Bom Repouso, Pouso Alegre e Estiva, responsáveis por 57,3 mil toneladas, ou 72,2% da safra estadual.

O coordenador regional de Horticultura da Emater de Pouso Alegre, Raul Maria Cássia, enfatiza que o aumento da produtividade, ou produção por hectare plantado, tem papel expressivo na estimativa de crescimento da safra de morango. Ele acredita que o índice de produtividade, neste ano, deve superar o registrado no período anterior. “Em 2009, a área plantada foi de 1,7 mil hectares (3,6% inferior à de 2008) e isso não impediu o crescimento da safra”, ele enfatiza. “Para este ano, a possibilidade de aumento da produção é maior, ainda que a área plantada permaneça quase igual à de 2009, porque os agricultores estão intensificando a utilização de tecnologia”, assinala o coordenador.

Um dos recursos utilizados pelos produtores é a ferti-irrigação, que consiste na conjugação da irrigação por gotejamento com adubação das plantas cultivadas em túneis (estufas) com proteção de plástico. De acordo com Raul Cássia, esse sistema, além de aumentar o rendimento da planta, possibilita o alongamento da colheita. “O plantio é feito em fevereiro/março e julho/agosto e a colheita, que começa 50 dias depois, apresenta rendimento médio de uma caixa de 1,15 quilo por planta e pode durar até dois anos seguidos”, assinala.

Na propriedade de André Paulo de Oliveira, em Pouso Alegre, a colheita da primeira safra começa em junho, e ele diz que vai obter uma safra volumosa e de qualidade porque “as chuvas do início do ano ajudaram”. O produtor explica que, no ano passado, enfrentou problemas com o excesso de água, apesar da proteção dos túneis de plástico. Em 2009, André Paulo colheu, em 1,4 hectare, cerca de 60 mil caixas de 1,30 quilo e obteve preços entre R$ 2,00 e R$ 4,00 por caixa, vendendo apenas na própria região. “Cultivamos 110 mil pés e agora são 130 mil pés em 1,6 hectare”, ele acrescenta.

Já o produtor Paulo Roberto Rodrigues, do município de Tocos do Mogi, preferiu encaminhar quase toda a sua produção do ano passado para a Conab, que pagou R$ 5,38 por caixa. “Tivemos que atender a diversas exigências, como a coleta do produto em caixas plásticas, mas a receita pela comercialização de 800 quilos compensou”, diz o agricultor. Rodrigues acrescenta que a produção de morango é da ordem de 1 quilo por pé, e para este ano está programada a colheita em dois mil pés.

Exportar é a meta

Paulo Roberto Rodrigues acredita que vai tirar proveito da experiência de fornecedor da Conab quando tiver de se ajustar às normas de exportação do morango. A exploração do comércio internacional é também o objetivo de outros produtores do Sul de Minas, que estão se organizando em associações e cooperativas, sob a orientação do Sebrae-MG, para a formação de uma central de vendas. “Vale o esforço, porque a cotação média do morango atualmente, no mercado internacional, é de R$ 10,00 a caixa”, assinala o produtor de Tocos do Mogi.

As providências necessárias à exportação de morango começaram a ser adotadas há três anos. Em 2009 uma delegação de representantes de produtores mineiros de vários segmentos foi a Portugal com o objetivo de se informar sobre esse mercado que tem interesse na fruta e em outros produtos da agricultura. O produtor Anilton Rodrigues Silva, vice-presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Morango do Bairro dos Garcias, em Bom Repouso, participou do grupo e diz que os contatos com cooperativas parceiras de uma grande rede portuguesa de supermercados foram positivos. “Estamos aumentando a produção porque uma das exigências do comprador é a entrega semanal de um volume de 5 mil quilos do morango extra”, explica Silva.

Os produtores têm que atender também às exigências do programa de rastreamento do morango. “Nessa área, os ajustes são feitos com o acompanhamento de uma empresa especializada do Sul de Minas, e depois teremos condições de receber a visita de uma missão europeia para fazer a avaliação final que habilitará os nossos produtores como exportadores”, acrescenta o vice-presidente. De acordo com Silva, todas as etapas para o início das exportações deverão ser cumpridas até o próximo ano.

O superintendente de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, João Ricardo Albanez, diz que as propriedades dedicadas ao cultivo de morango no Sul de Minas investem cada vez mais em tecnologia e são beneficiadas pela boa aceitação do produto no mercado. “A habilitação dos produtores como exportadores da fruta será uma consequência natural do trabalho que eles vêm desenvolvendo para aumentar a qualidade da fruta. O cenário é favorável à busca do mercado externo porque os produtores têm investido em tecnologias que possibilitam alta produtividade e morangos de qualidade”, enfatiza o superintendente. As informações são de assessoria de imprensa.

 

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